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Futuro incerto na imprensa

  A decisão dos jornalistas e demais trabalhadores de um jornal diário português em aceitarem a redução da remuneração individual abre um precedente grave, e mais importante, não resolve nada, apenas adia temporariamente uma situação inevitável. Significa que basta pressionar as redacções em forma de ameaçadores ultimatos e acenar com o despedimento colectivo mandando às malvas o código de trabalho. A crise económica mundial e o prejuízo de 4 milhões ao ano do jornal, parecem querer justificar tudo menos as mordomias das chefias que deveriam ser os primeiros a darem o exemplo e a sacrificarem-se. Administradores brilhantes que nunca ouviram falar de inovação e motivação dos seus funcionários numa comunicação social cada vez mais monopolizada. Se calhar, para estes, o importante é distribuir o jornal gratuitamente nos hipermercados do accionista.

Em nome da crise

As palavras do Engº Belmiro de Azevedo sobre a mobilidade laboral para Angola, e que "é preciso ganhar o direito a ter emprego começando às sete ou oito da manhã e terminando quando o trabalho estiver feito", é de uma desconsideração atroz para todos os trabalhadores. Bem sei que a personagem em causa é o maior empregador nacional mas também sei que prejudicou milhares de pequenos comerciantes, talvez ainda hoje vivendo na penúria. E o que dizer dos altos rendimentos auferidos pelos seus quadros médios e superiores desproporcionados face ao salário do vulgar trabalhador? O êxodo para Angola só pode resolver o problema no imediato e não parece que esse país seja propriamente o "El Dorado". À custa do empreendedorismo atropela-se a regulamentação laboral e a estabilidade familiar, essenciais para a motivação profissional e à consequente criação de riqueza. Para muitos empresários o trabalhador deve ser robotizado, uma espécie de escravo dos tempos modernos. Sim, em no...

Futebol em decadência

O empate da Albânia contra Portugal, desafio a contar para o apuramento do Mundial futebol 2010, vem comprovar a decadência em que se tornou este desporto neste País - fundamentalmente a nível de dirigismo desportivo - ultimamente badalado por escândalos de corrupção e tráfico de influências. Ver o presidente da FPF levantar-se antes do final do jogo, em Braga, observar a incompetência e o conluio de entidades que regem o desporto, o fanatismo de alguns adeptos, a vaidade dos atletas, e a parcialidade de jornalistas avençados, levam-me a achar que temos aquilo que merecemos. Mas qualquer dia o futebol português será apanhado na enxurrada da crise económico-financeira que abala o Mundo e aí cairá a máscara de muita gente.  

Crise internacional? Menos no SL Benfica...

Tenho ouvido falar muito da crise. Tenho lido muitas coisas sobre a crise dos EUA. Até sobre a crise em Portugal. Mas reconheço que ainda não tinha - até agora - deparado com grandes evidências da sua existência entre nós. Claro que tudo está caríssimo. Mas isso é assim há anos. Temos de trabalhar cada vez mais para comprarmos as mesmas coisas ou menos, mas isso não é crise, é pelintrice. Também é verdade que me tenho cruzado com cada vez mais gente assustada com a crise, mesmo que da propriamente dita não tenha visto mais do que umas sombras. Esta semana, porém, dei de caras com ela, com a crise. Estava na bolsa. Títulos de grandes empresas caíam a pique, enquanto os do Benfica, mesmo após um empate com o Leixões, se aguentavam mais ou menos incólumes. Só lhes faltava entrar no mercado principal e mudar o nome do PSI20 para SLB20. Isto, sim, é a crise. E grave!   Gonçalo Pereira Editor Executivo do Jornal 24 Horas