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O homem que nunca se engana

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O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas, pois até disse que podíamos confiar no BES, tornou a sair do sarcófago e conseguiu transformar-se no oráculo da direita portuguesa, fazendo a oposição que o actual líder do PSD não é capaz. Diz que António Costa "perdeu autoridade" e lembrei-me logo daqueles velhos tempos do "cavaquismo" onde havia uma mistura de autoridade com brutalidade policial, no famoso bloqueio da Ponte 25 de Abril, na carga policial contra os estudantes do ensino superior e até nos confrontos de polícias contra polícias, no célebre episódio dos "secos" e "molhados". "Desastrosa", foi também a crise das alegadas escutas em Belém, no verão de 2009, quando surgiu a encenação de que a sua Presidência da República estava a ser vigiada pelo Governo de José Sócrates. Quanto aos "rebates de consciência", espero que lhe cause remorsos a política de propinas, o princípio do utilizador-pagador, a criação dos re...

Quintas-feiras chatas

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    As quintas-feiras são chatas, trazem a acumulação de dias de trabalho e lembra que o fim de semana ainda está longe. Talvez por isso, Cavaco Silva decidiu animar o período e lançar o livro " Quinta-feira e outros dias ". Trata-se de uma suposta "prestação de contas aos portugueses" pela forma como exerceu o cargo de Presidente da República, sendo muito mais do que conversas semanais com o primeiro-ministro da altura, José Sócrates. É um lamentável manifesto social-democrata já que a o seu partido não consegue fazer oposição credível ao governo, é um ressentido discurso anti-esquerda, próprio de quem nunca conseguiu despir a camisola laranja. É pena que nesta espécie de lavandaria de roupa suja que abriu em Belém, o homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas, à excepção do BES, não nos tenha esclarecido sobre as supostas escutas do PS à sua presidência. E se a sua pensão não vai dar para pagar as despesas, ao menos que este livro o ajude! 

O Abominável Homem de Belém

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Não, não era uma lenda dos Himalaias, o Abominável Homem das Neves existiu mesmo e deixou gigantescas pegadas durante 10 anos . Refugiou-se em Belém, desapareceu entre os pingos de chuva das acções da SLN, detentora do BPN, e funcionou como avalista afirmando que os portugueses podiam confiar no Banco de Portugal e no BES. Enquanto estes viviam num clima de austeridade, preocupava-se com a sua reforma que "não daria para pagar as despesas". Condescendeu com a demissão "irrevogável" de Portas, abominou a esquerda, primeiro com o delírio das escutas a Belém, e por fim, tudo fez para que António Costa não formasse Governo.

Sinais de fumo

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Cavaco Silva comunicou através de sinais de fumo que ele, como primeiro-ministro de um governo, em 1987, esteve " cinco meses em gestão ". A mensagem parece apontar para uma decisão, mesmo quando os seus correligionários (aqueles que suspiram por uma " revisão constitucional extraordinária "),  desaconselham tal juízo . A fumaça trouxe uma suposta "almofada financeira de dimensão substancial" proporcionada por este Executivo, mas a mensagem do presidente rapidamente se dissipou, afinal soube-se que a bandeira dos "cofres do tesouro cheios" levantada em vésperas das eleições legislativas, não existe, pois a devolução da sobretaxa de IRS deverá ser mínima , ou mesmo de reembolso nulo! 

A terceira via

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Compreensivelmente, Cavaco Silva entregou a governação do país ao vencedor das legislativas de 4 de Outubro mas acabou por dar um paliativo a um doente terminal, pois PSD e CDS-PP não têm uma maioria parlamentar. No entanto, discrimina parte da esquerda e tece considerações próprias de quem nunca despiu a "camisola laranja" , numa clara violação da função de um Presidente: zelar pela unidade de Estado. São assim os fingidos: em 40 anos de democracia portuguesa rejubilam com alianças políticas de direita, toleram alianças entre a esquerda e a direita mas abominam uma terceira via composta por um acordo inédito entre todos os partidos de esquerda. 

Cada tiro, cada melro!

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                                                                         Foto: Henrique Monteiro Cavaco Silva criticou o " incómodo incompreensível daqueles que querem esconder as boas notícias que têm vindo a surgir em relação à economia portuguesa " e as  "intrigas  político-partidárias que não criam um único emprego." O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas continua a nivelar o terreno laranja para as legislativas deste ano, o problema é que as recentes noticias de que o desemprego tem vindo a aumentar, pelo quarto mês consecutivo, fazem-no cair no país real. Também a Ministra dos "cofres cheios", "do país que consegui dar a volta", falou cedo demais, aquela exortação para os jovens se  multiplicarem  perdeu a lógica visto que a taxa de desemprego jovem também aumentou em Fevereiro. Lá diz o ditado, cada tiro, cada melro!

O cheiro de Belém

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Cavaco Silva diz que o caso das dívidas de Passos Coelho são "lutas político-partidárias" agravadas pelo "cheiro de campanha pré-eleitoral" . Em Belém, nada de novo, o aroma é conforme a direcção do vento e o sonho laranja de "uma maioria, um governo e um presidente" nunca fez tanto sentido. O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas até disse que os portugueses podiam confiar no BES. O homem de "bom senso que sabe distinguir jogadas político-partidárias" desenha agora o perfil para o próximo Presidente da República , mas já não teve o mesmo olfacto quando criou a controvérsia das supostas escutas do gabinete de Sócrates à sua presidência. Sabemos que para sermos mais honestos do que ele temos que "nascer duas vezes", que a sua pensão não vai dar para pagar as despesas, que não tratou de forma condigna José Saramago e Carlos do Carmo, só não sabíamos que este homem é aquilo que um presidente não deve ser e dizer.

Reacções vagais

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  O desmaio de Cavaco Silva nas cerimónias do Dia de Portugal é o retrato perfeito do país, à beira da derradeira síncope, numa espécie de Torre de Babel onde ninguém se entende. Cidadãos contra cidadãos - aqueles que livremente se podem manifestar e os outros que acham que uma manifestação tem dias apropriados. Militares amordaçados e ironicamente em sentido perante aqueles que lhes têm sonegado os rendimentos, o patriotismo saloio daqueles que insistem em aclamar os que estavam no palanque, os senhores da austeridade que provocam hipotensão, visão turva, palpitações e vómitos, essas sim, verdadeiras reacções vagais.