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Fado da sardinhada

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O arraial em homenagem de Santo António promovido pela Iniciativa Liberal misturando comício político com sardinhada causou muita celeuma chegando ao ponto dos seus apoiantes serem apelidados de "negacionistas", seja lá o que isso for. O partido de João Cotrim Figueiredo apenas usou dos mesmos privilégios que a classe política tem beneficiado desde o início da pandemia, como foi o caso da Festa do Avante, do 1º de Maio e das eleições presidenciais, pois dizem que não se pode restringir nem suspender direitos políticos e actividades partidárias em estado de emergência. Neste autêntico fado da sardinhada, muita gente diz ter presenciado o crime de "pessoas a beber e a comer sem máscara", imaginando eu como será possível ingerir sardinhas, pimentos e caldo verde amordaçado. Suspeito que a autarquia de Lisboa vá enviar por email os nomes e moradas dos ativistas da sardinha assada às autoridades de saúde por excesso de consumo de ácidos gordos essenciais!

Olha para o que eu digo, não olhes para o que faço

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Não preciso que chamem o Polígrafo para fazer "fact-checking", todos nós vimos o Presidente da República na sua visita à Guiné-Bissau andar pendurado do lado de fora do carro para cumprimentar a população que o recebeu de forma eufórica, chegando mesmo a sair da viatura para ir ao encontro da multidão, sem distanciamento físico, sem máscaras, sem qualquer tipo de respeito pelas medidas de prevenção da Covid-19, isto feito por alguém que, dias antes, se queixava dos custos para a saúde pública dos festejos da noite sportinguista, numa espécie de "olha para o que digo, não olhes para o que faço". Com tal deboche pelas ruas de Bissau, os "especialistas" influencers e os moralistas que atribuíram um aumento de casos em Lisboa por causa das celebrações futebolísticas, terão que arranjar outras fórmulas matemáticas mas suspeito que ainda vão chegar à conclusão que afinal o vírus é racista, só ataca os brancos de Alvalade e que, em África, não existe grau de tran...

O pior 25 de Abril de sempre

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Foi irónico ver as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República, a chamada casa da democracia que recentemente autorizou o Presidente da República a declarar o 15º excessivo estado de emergência em Portugal, concedendo decretos-leis que atentam à nossa liberdade individual e colectiva. Os cravos deviam ser substituídos por urtigas, tanta irritação têm provocado na pele dos portugueses. Reparem bem no desplante, os diplomas do reforço dos apoios sociais devido à pandemia podem violar a Constituição por "aumentarem a despesa do Orçamento de Estado", mas o direito ao trabalho, ao sustento, a direitos básicos de cidadania, o encerramento de vários sectores da actividade económica, de sectores sociais e de saúde já são constitucionais. Antes do 25 de Abril havia ditadura política e a DGS (Direcção-Geral de Segurança), agora existe uma ditadura sanitária e a DGS (Direcção-Geral de Saúde), antes do 25 de Abril não havia férias, agora é preciso um passaporte sanitário para ...

Não sei para onde vou, sei que não vou por aí

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    A proposta da Comissão Europeia em criar um passaporte de vacinação para viajar é discriminatório para não dizer degradante, isto vindo de uma entidade que se bate por condições de igualdade de tratamento para todos. O certificado de imunidade parece um perigoso sistema de castas entre cidadãos, "os puros e vacinados", contra os "impuros" que não vão conseguir as doses ou porque estão no pleno direito de não serem vacinados. Nem vou questionar as provas científicas da vacina na redução dos contágios por coronavírus e na duração da imunidade, estou estupefacto com a normalidade com que muitos cidadãos encaram estas desigualdades, um caminho de medo, egoísmo e de atropelo aos direitos básicos de uma sociedade. Como diria José Régio, "não sei para onde vou, sei que não vou por aí!" 

Cansado de coronas

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Estou farto dos "amigos do Corona", mais preocupados em fomentar guerras no futebol e chorarem por um jogador pago a peso de ouro "transformado num saco de batatas", em vez de recearam pelo seu próprio futuro económico e social afectado pela pandemia. Ameaçam e rasgam as vestes por causa do pontapé na bola mas tornam-se submissos perante o milésimo estado de emergência que corta liberdades e provoca fome. Estou cansado dos matemáticos que se esquecem dos quase 1 milhão de desempregados, das certezas dos "doutores coronas" desmentidas semanas depois, "influencers" sanitários que amplificam o medo e apelam à censura dos "relativistas" de forma ditatorial. Ando cheio do político oportunista que vai para a porta dum hospital dizer que nunca viu tantas pessoas morrerem quando afinal "apenas" uma pessoa tinha falecido naquele turno. Ando aborrecido com alguma comunicação social noticiando que o oxigénio do hospital tinha acabado qua...

A variante da desgraça

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Deve ser caso único, um Governo fechar escolas por causa da pressão de um Presidente da República, de uma comunicação social irracional, de uma sociedade em pânico - mas que já não se importa com os aglomerados nas urnas de voto -, de docentes e pais ansiosos que transmitem medo aos filhos, para reconhecerem que afinal "as escolas não são nem foram o principal foco de transmissão". Já vamos na variante, um novo traçado para a miséria e desgraça que não oferece caminho alternativo, apenas interrompido por campanhas eleitorais e actos políticos, pois segundo o presidente da Assembleia da República, "o voto é um acto de resistência contra o vírus"! O SNS está à beira da implosão, não porque os portugueses se portaram mal no Natal mas devido ao desinvestimento de sucessivos governos, sacrifica-se os mais velhos pois verificamos que  a mortalidade nos lares de idosos não diminui e agora estamos dispostos a hipotecar o futuro educacional das gerações mais novas, rebentand...

Regresso ao futuro

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Num suposto dia de confinamento, ao ver imagens de milhares de pessoas exercerem o direito de voto antecipado em longas filas, muitas delas sem distanciamento físico algum, potenciando o aumento de infecções da Covid-19, pensei tratar-se de uma cena do filme Regresso ao Futuro, viajando no tempo para um mundo totalmente novo onde o perigo da pandemia já não existia pois a população estava imunizada. Regressando nessa máquina do tempo a 2020, consegui ver que alguns daqueles que se aglomeravam nas mesas de voto eram bufos sanitários, os mesmos que criticaram hipocritamente a festa do Avante, o dia do Trabalhador e os "excessos" do Natal. Perante a gravidade da situação em que vivemos e a consequente falta de racionalidade de tais ajuntamentos, fico à espera de que os especialistas de saúde pública se pronunciem, que os moralistas das medidas drásticas critiquem o "facilitismo" e os "comportamentos irresponsáveis", a não ser que aquela caneta que levaram de ...

Pela coerência, mantenha-se em casa

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    Um surto de Covid-19 infectou algumas monjas que vivem em celas, sem contactos com o exterior, enclausuradas num mosteiro em Campo Maior. Isto para dizer que um vírus respiratório ultrapassa todas as barreiras, mas mesmo assim estamos dispostos a aceitar um novo confinamento limitador das liberdades que vai trazer depressão, pobreza, desemprego, insolvências, colapsando a economia e sobrecarregando a segurança social, apesar de alguns responsáveis da Organização Mundial de Saúde pedirem aos líderes mundiais que parem de usar o confinamento como principal controlo da pandemia. Em 10 meses, o governo não consegue resolver a taxa de mortalidade nos lares mas em meia dúzia de dias prepara os procedimentos eleitorais necessários à recolha de votos dos idosos no próximo dia 24. Agradeço a todos os medrosos partidos portugueses que se mostraram favoráveis ao confinamento, porque eu, como menino bem comportado e submisso, vou aceitar a obrigatoriedade para não agravar a situação pandémica,...

Comédia sanitária

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    Ao ver o Subdirector-Geral da Saúde anunciar na televisão uma série de recomendações para a época festiva, nomeadamente transformar a ceia em almoço de Natal, evitar entrar em cozinhas e promover encontros rápidos nas escadas dos prédios ou no quintal, pensei estar diante do verdadeiro mestre da culinária, parafraseando Quim Barreiros, ou mesmo de uma rábula do Gato Fedorento. Tratar pessoas como crianças, como se elas fossem incapazes de compreender a realidade, mudar regras previamente estabelecidas em cima do joelho como foi o caso das celebrações do Ano Novo, só serve para descredibilizar os responsáveis políticos e admitir o fracasso das suas medidas para conter a pandemia agora convertida numa comédia sanitária.

A pão e água

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Primeiro foi dito que a actividade cultural não podia parar, depois fomos incentivados ao consumo natalício para alavancar a economia, mas agora o Governo muda o discurso e manda toda a gente para prisão domiciliária, o que não acontecia desde 1975, uma espécie de castigo  para culpabilizar o mau comportamento dos cidadãos em relação ao contágio do vírus.  Parece cientificamente discutível confinar milhões de pessoas, muitas delas saudáveis, em nome da "defesa da saúde". Benjamin Franklim disse que "aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem liberdade nem segurança." Felizmente que a sociedade civil começa deixar de ser mansa e já percebeu que não, não "vamos ficar todos bem" - vão ficar bem os de sempre -,  pois aproxima-se o "a pão e água", sem sustento, resultado de medidas políticas desproporcionais, medrosas, que vão destruir muitas vidas a longo prazo, a saúde mental dos cidadãos, os seus e...

Torre de Babel

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  Desde o início da pandemia que Portugal parece a Torre de Babel, com toda a gente a falar em línguas diferentes sobre o coronavírus chegando ao ponto de vermos médicos a abrirem processos contra outros médicos. As autoridades de saúde também entram na confusão, perdem a total credibilidade ao autorizar certos eventos em prejuízo de outros, sem esquecer que no passado as máscaras davam "falsa sensação de segurança" e até o presidente da república falava orgulhosamente no "milagre português"! Hoje, os cientistas e médicos que acham que o autoritarismo não é o caminho para combater uma pandemia e que dizem que as regras tornam-se pesadas demais para a gravidade da doença, são saneados do debate e das estratégias a adoptar, sendo substituídos no palco por agentes de saúde pública convertidos em bufos denunciantes, por jornalistas populistas que pregam sermões do "tenham noção", pelo irrevogável homem dos submarinos que agora também é epidemiologista e até po...

Stay Away Políticos

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  O governo esteve razoavelmente bem na primeira onda da pandemia mas agora está a cair no ridículo e a contradizer-se no sentido de obrigar os cidadãos a usarem máscara em todos os espaços públicos - quando essa peça no passado "dava falsa segurança" - medida que não trava o aumento de infectados na Europa, e principalmente com a exigência em forçar as pessoas com telemóvel a instalar a aplicação "Stay Away Covid". Em sete meses, não foram capazes de procurar uma alternativa sem ser o confinamento, o terror sanitário, o pânico e as limitações da liberdade. Precisamos de uma aplicação que faça desaparecer políticos com tiques ditatoriais e a ladainha dos "covideiros" que a comunicação social alberga, um programa mundial que reúna a comunidade científica para o contraditório, o debate, o confronto de saberes, com vista a acabar este pandemónio económico, social e afectivo que tem infernizado as nossas vidas.

Os castelhanos

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Seiscentos e trinta e seis anos depois das forças de Castela terem cercado Lisboa, um autarca de Ovar exige uma cerca sanitária à capital por causa do aumento da taxa de transmissão do vírus. Esta espécie de Conde Andeiro do reino do PSD vem acompanhado dos habituais peões, besteiros, políticos, comentadores, ressabiados, virulogistas da internet, regionalistas e até treinadores de futebol que sempre quiseram ver "Lisboa a arder". Quando em Abril, a região norte era a mais afectada pela pandemia, contabilizando 60% dos casos nacionais, não me lembro de alguém dizer que o Porto estivesse a colocar em risco todo o País e quando se falou na hipótese de um cordão sanitário na cidade essa medida foi logo apelidada de "inútil, extemporânea, absurda, infeliz, medieval e despropositada" pela trupe que hoje quer cercar a Grande Lisboa. Já que os castelhanos dos tempos modernos não querem juntar-se ao português para ganhar a guerra contra a pandemia, peçam a independência ou ...

O ópio do povo

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Já era hora deste plano de desconfinamento ser aplicado mas não deixa de causar uma certa perplexidade o facto do futebol regressar no fim do mês, ainda para mais depois do cancelamento da Segunda Liga e das principais modalidades de pavilhão. O governo desconfina, o cidadão desconfia por pedirem para andar de máscara, para manter o distanciamento social de forma a reduzir a transmissão do coronavírus mas não compreende como se vai conseguir manter uma distância relativamente ao adversário no pontapé da bola. Enquanto vários eventos desportivos têm sido anulados por toda a Europa, os cientistas nacionais de bancada descobriram que o ópio do povo, o futebol, tem capacidade para purificar a saúde pública e eliminar este maldito vírus, mesmo pondo em risco a integridade física de todos os intervenientes deste espectáculo. 

Vá-se lá saber porquê

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  Em pouco mais de 100 anos de epidemiologia, este vírus pulmonar em forma de uma coroa promete ser aquele que vai inspirar mais medo e causar danos irreparáveis. No entanto, há coisas que mudaram com esta pandemia, afinal sempre era possível baixar os preços dos combustíveis, impedir os trabalhadores dos hiper e supermercados de trabalhar ao Domingo, viver sem arruinar o ambiente e sobreviver sem o futebol. Conclui-se agora que o Serviço Nacional de Saúde é exemplar, os professores já são bons e até os movimentos antivacinas suplicam por estas. Apesar de não poder evitar uma guerra civil pelo papel higiénico do género "salve-se quem puder", o novo coronavírus tem operado milagres pois consegue unir diferentes partidos políticos, libertar reclusos, prender que quem quer sair de casa e até já há mais portugueses a fazer exercício físico nas ruas, vá-se lá saber porquê...

Agentes provocadores

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  Quero pedir desculpa mas não concordo com a maioria que acha que as imagens do último Sábado de longas filas de trânsito na Ponte 25 de Abril se deveu à fuga dos lisboetas em direcção ao sol da Caparica e do Algarve por causa do início das férias da Páscoa. É normal a acumulação de automóveis a partir do momento em que a polícia decide cortar a faixa de rodagem e interpela todos os condutores, carro a carro. Lamento que a notícia não tenha referido que a maioria estava a cumprir as indicações dadas pela Direcção-Geral da Saúde, pois só alguns foram mandados para trás. Pedem que sejamos agentes de saúde pública, não agentes provocadores que incitam ao debate, à polémica, ao descrédito de milhões de portugueses que estão a tentar fazer o seu melhor para vencer esta pandemia e o pandemónio feito por alguns que não têm controlo emocional. 

Justiceiros de pijama e sofá

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  Temos sido bem alertados para a necessidade de ficarmos em casa nesta época de pandemia mas seria bom interrogar-nos se todas as pessoas têm condições para tal confinamento. Desde logo os sem-abrigo, os milhares de cidadãos a viver em barracas sem água canalizada e saneamento, famílias numerosas a viver em espaços exíguos que não conseguem comer uma refeição de carne e peixe de dois em dois dias, sem televisão ou máquina de lavar roupa e com crianças sem tecnologia digital que lhes permita fazer o ensino à distância. Deitado no sofá em pele o dia inteiro, o justiceiro de pijama esquece isto e no conforto da sua casa inteligente controlada pelo telemóvel profere juízos extremistas sobre toda a gente. Ordena o isolamento dos idosos mas já vem tarde, estes há muito tempo que estão sozinhos em aldeias abandonadas. Quando acabar a "tele-procrastinação" e o seu "apple" accionar os estores automáticos para ir à janela aplaudir os profissionais de saúde, louve também os q...

Sei o que fizeste no fim de semana passado

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Neste filme de terror, eu sei o que fizeste no fim de semana passado, atropelaste toda a gente no supermercado para poderes chegar primeiro e esvaziar as prateleiras com o medo de que o mundo acabe. Na farmácia, monopolizaste o álcool desinfectante, o paracetamol e as máscaras, em vez de as deixares para os profissionais de saúde e para quem está debilitado. De manhã, espalhas notícias pelas redes sociais que causam pânico e não correspondem à realidade só porque " covi-dizer ", falas de máscaras e ventiladores como se percebesses do assunto, à tarde és o epidemiologista de sofá e criticas os "irresponsáveis" que se aglomeram no mesmo espaço para desculpar o teu comportamento execrável, à noite aplaudes na janela os profissionais de saúde, os mesmos que só podem  frequentar aquele supermercado que esvazias depois do turno porque estão a trabalhar em prol da comunidade, para que pessoas como tu estejam isoladas em casa à espera do armagedon.      

Vencer o medo

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  Na minha vida profissional deparei-me com uma jovem grávida prestes a ser mãe que parecia estar a ter um ataque de pânico pois confessou-me que não conseguia lidar com a situação de sermos bombardeados 24 horas com notícias sobre o maldito vírus. À sua insegurança e preocupação respondi com serenidade, mostrando tranquilidade pelo futuro pois apanhar o vírus não é sinónimo de morte nem tampouco a humanidade será exterminada ao estilo de Hollywood. Esta ameaça invisível faz lembrar o medo que se instalou após os atentados de 11 de Setembro de 2001, a desconfiança como olhávamos para a pessoa que estava ao nosso lado. Neste momento delicado que faz perigar a saúde pública de todo o mundo é importante manter a calma, não entrar em histerias nem acreditar na desinformação, não transformar uma pandemia num pandemónio e sobretudo confiar na medicina para vencer o medo.  

A febre do medo

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  Já estamos fartos da "coronização" da sociedade feita por alguma comunicação social alarmista que não tapa o nariz e a boca quando espirra. Não precisamos de máscaras, precisamos de tampões para os ouvidos que impeçam tanta desinformação. É hora dos media portugueses reflectirem sobre a cobertura jornalística deste problema e aplicarem gel desinfectante no sensacionalismo. Sabemos que estamos em guerra contra uma pandemia quase desconhecida mas estarmos a ser metralhados por "notícias" que referem que, em Itália, já se decide quem socorrer e quem deixar morrer, dar tempo de antena a virologistas de ocasião, propagar imagens de prateleiras de supermercados vazios e de farmácias sem stock por causa de energúmenos sôfregos, só contribui para aumentar a febre do medo de um público tão sensível.