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Comédia sanitária

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    Ao ver o Subdirector-Geral da Saúde anunciar na televisão uma série de recomendações para a época festiva, nomeadamente transformar a ceia em almoço de Natal, evitar entrar em cozinhas e promover encontros rápidos nas escadas dos prédios ou no quintal, pensei estar diante do verdadeiro mestre da culinária, parafraseando Quim Barreiros, ou mesmo de uma rábula do Gato Fedorento. Tratar pessoas como crianças, como se elas fossem incapazes de compreender a realidade, mudar regras previamente estabelecidas em cima do joelho como foi o caso das celebrações do Ano Novo, só serve para descredibilizar os responsáveis políticos e admitir o fracasso das suas medidas para conter a pandemia agora convertida numa comédia sanitária.

Torre de Babel

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  Desde o início da pandemia que Portugal parece a Torre de Babel, com toda a gente a falar em línguas diferentes sobre o coronavírus chegando ao ponto de vermos médicos a abrirem processos contra outros médicos. As autoridades de saúde também entram na confusão, perdem a total credibilidade ao autorizar certos eventos em prejuízo de outros, sem esquecer que no passado as máscaras davam "falsa sensação de segurança" e até o presidente da república falava orgulhosamente no "milagre português"! Hoje, os cientistas e médicos que acham que o autoritarismo não é o caminho para combater uma pandemia e que dizem que as regras tornam-se pesadas demais para a gravidade da doença, são saneados do debate e das estratégias a adoptar, sendo substituídos no palco por agentes de saúde pública convertidos em bufos denunciantes, por jornalistas populistas que pregam sermões do "tenham noção", pelo irrevogável homem dos submarinos que agora também é epidemiologista e até po...