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Ai aguenta, aguenta!

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A palavra "imposto" nunca será agradável, mas bastou Mariana Mortágua falar em taxar bens imóveis de luxo que afectaria apenas 1% da população, para termos reacções inflamadas de presidentes da câmara , adjuntos , pedantes e parte da direita ressabiada . É só despirmo-nos de preconceitos ideológicos e políticos e ler o relatório da OCDE que diz que somos o país em que mais aumentou a carga fiscal para os trabalhadores com baixos rendimentos, em 2015. Não se trata de inveja, mas já era hora dos trabalhadores de altos rendimentos serem chamados às suas responsabilidades contributivas - como diria o outro, "ai aguenta, aguenta" - em nome de uma maior igualdade e justiça social, contra aqueles que põem o seu património em paraísos fiscais, ou acham que é preferível cortar salários e pensões de todos os outros?

Estômagos sensíveis

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  Raramente partilho das ideias do Bloco de Esquerda, mas neste caso, tenho de felicitar a sua atitude em relação ao congresso do MPLA , em Angola. Convidado ou não, foi o único partido português a não prestar vassalagem a alguém que está no poder há 37 anos. Felizmente ainda existem políticos com estômagos sensíveis que não conseguem digerir a falta de liberdade de expressão e associação, os abusos sobre os cidadãos e presos políticos, as grandes desigualdades sociais, a falta de oportunidades para os jovens, o cerco ao jornalismo  independente, a estranha acumulação de riqueza por parte das elites e a lenta transformação da democracia angolana numa monarquia dinástica .   

O ultraleve

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  No início prometia ser uma lufada de ar fresco na política portuguesa, mas o actual Bloco de Esquerda assemelha-se a um avião que vai perdendo e soltando peças por falta de manutenção. Primeiro foi Daniel Oliveira, depois Francisco Louçã, Ana Drago, e recentemente João Semedo, abandonaram a tripulação. Lentamente, transformou-se num pequeno ultraleve com uma nova equipa de bordo: uma anedótica comissão permanente composta por seis dirigentes ! Um remédio paliativo para alguém que vai despenhar-se devido ao seu sectarismo interno, por falta de passageiros, por arriscadas e traiçoeiras rotas percorridas demasiadamente à esquerda.