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Indignados mas com falta de memória

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Foi preciso aparecer a decisão instrutória não definitiva da Operação Marquês para muitos indignados só agora acharem que o sistema de justiça está doente e precisa de reforma. Os revoltados e os peticionários querem queimar o juiz na fogueira inquisitória e ameaçam invadir as ruas. Certamente andam com falta de memória pois não vi tal agitação social no passado perante outros escândalos políticos como o caso Tecnoforma, na ilegalidade na atribuição de fundos públicos envolvendo precisamente um ex-primeiro-ministro, no caso dos submarinos, comprometendo um ex-ministro da Defesa, relativamente ao processo de um concurso público para a aquisição de dois barcos e no caso dos Vistos Gold, implicando um ex-ministro da Administração Interna, com os desfechos que todos nós estamos habituados.    

Deve ser da água

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Quase sete anos e 56000 folhas processuais depois, a decisão instrutória da Operação Marquês pariu um rato e muita frustração. O juiz Ivo Rosa fez com que o Ministério Público desejasse esconder-se  num buraco, ou utilizando um termo da virologia actual, na área nasal interna vulgarmente conhecida como fossa nasal, tal foi a "especulação, fantasia e total incoerência" da acusação. Eu não sei se José Sócrates é culpado dos crimes que sobram, sei é que de repente surgiram os juízes das redes sociais, os comentadores de taberna, simples cidadãos odiosos e até jornalistas a decretar sentenças, gente que podia cursar Direito, candidatar-se à magistratura ou a outros sectores da justiça para acelerar a lentidão da mesma. Como diz a canção, deve ser qualquer coisa na água que os põe assim!  

Coerência precisa-se

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  Fiquei comovido com a defesa de José Sócrates feita por Miguel Guedes, músico, jurista e conhecido adepto do FC Porto, na  coluna de opinião de um jornal. Até concordo com muita coisa do que escreveu, mas naquele registo habitual de que nem é carne nem é peixe, descobriu a pólvora: "ninguém está a salvo de ver a sua liberdade devassada". Em pranto, aponta o dedo aqueles que lincham os "mais elementares princípios de direito" por causa de ódios particulares. Critica ainda o "voyeurismo judicial" daqueles que "divulgam imagens de um processo judicial em curso" e repudia os justiceiros algozes e torcionários. Engraçado que no caso do roubo e da deturpação dos emails do Benfica o defensor já lavrou a sua sentença, também já se opõe à proibição do canal do seu clube em publicar segredos comercias e dados confidenciais provenientes dessa correspondência electrónica. Neste caso já não interessa o acesso ilegítimo, as violações do segredo de justiça e...

Vidas asfixiadas

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É tão conveniente apontarmos uma personagem como José Sócrates para descarregar as nossas frustrações pessoais e políticas. Dizem os justiceiros de taberna que "por ter estado preso é porque roubou", mas deve haver algum equívoco: o único primeiro-ministro que me confiscou metade do subsídio de Natal, através de uma sobretaxa no IRS, em 2011, ainda está em funções. O mesmo se queixam os trabalhadores do Estado e pensionistas que ficaram sem os dois subsídios, em 2012. Já nem falo na redução do meu salário devido ao aumento das contribuições para a Segurança Social, a redução dos dias de férias e a eliminação de feriados. Entre cortes no subsídio de desemprego e de doença, presenciei o aumento das taxas moderadoras, do preço dos transportes, do IVA da electricidade, do gás, de bens e serviços, e do maldito IMI que torna a vida dos cidadãos ainda mais asfixiada. Só sei que Sócrates nunca me chamaria piegas, nunca me mandaria emigrar, nunca diria que "estar desempregado pod...

Assalto ao aeroporto

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Numa noite fria de Novembro, os " special one " do jornalismo, elementos da Autoridade Tributária e da PSP irromperam pelo aeroporto da Portela para deter um homem proveniente de Paris. Pelo aparato, pelas constantes fugas de informação, pelo jornalismo alcoviteiro, pensei tratar-se de um perigoso cadastrado, ou talvez daqueles gestores que levaram bancos e empresas de telecomunicações à falência. Mas não, era o ex-primeiro-ministro José Sócrates. Neste circo de violações do segredo de Justiça, lamento o facto do suposto bandido não ter fugido para a Galiza, apresentando-se voluntariamente no dia seguinte, no Campus da Justiça, poupando-se a tamanha humilhação. Mas nem havia necessidade: a menos de um ano das eleições legislativas,  o conveniente julgamento sumário já foi feito por directores de jornais , sub-directores de informação , ressabiados, pelos "jotinhas " que nunca largaram as fraldas do partido e teóricos sobre criminologia que ignoram que um cidadão, at...

Os indignados

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  Parece que anda muita gente indignada com o regresso de José Sócrates a Portugal, nomeadamente a sua futura participação num programa televisivo. São os mesmos que decidiram votar à direita e que agora se queixam da deterioração das condições de vida proporcionadas por este Governo, são os correligionários de esquerda que inviabilizaram o PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento) e facultaram a entrada da "troika" em Portugal, são os mesmos que organizam petições para calar alguém pois a democracia é só quando lhes convém, são os mesmos que usam a cegueira partidária para diabolizar o legado do ex-primeiro ministro mas esquecem-se das asneiras dos outros que governaram o país desde os anos 80.

Asfalto de esperanças

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  É fácil criticar o anterior governo de José Sócrates com pequenas depurações de ódio mas vazias de conteúdo. Pois aqui elogio a política de acessibilidades para a Região Transmontana e do Alto Douro desse governo com a construção do IC5 , que pode libertar do marasmo localidades como Alijó, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro e Miranda do Douro, a que se junta, após décadas de espera, a quase totalidade da conclusão do IP2 , potenciando o manancial turístico de Vila Nova de Foz Côa. Quando se encerram linhas de caminho de ferro, escolas, tribunais, centros de saúde e anunciam-se falsas promessas de desenvolvimento, quem sabe se este novo tapete de alcatrão seja uma luz no fundo do túnel da interioridade e da desertificação.