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Não sei para onde vou, sei que não vou por aí

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    A proposta da Comissão Europeia em criar um passaporte de vacinação para viajar é discriminatório para não dizer degradante, isto vindo de uma entidade que se bate por condições de igualdade de tratamento para todos. O certificado de imunidade parece um perigoso sistema de castas entre cidadãos, "os puros e vacinados", contra os "impuros" que não vão conseguir as doses ou porque estão no pleno direito de não serem vacinados. Nem vou questionar as provas científicas da vacina na redução dos contágios por coronavírus e na duração da imunidade, estou estupefacto com a normalidade com que muitos cidadãos encaram estas desigualdades, um caminho de medo, egoísmo e de atropelo aos direitos básicos de uma sociedade. Como diria José Régio, "não sei para onde vou, sei que não vou por aí!" 

À beira de um ataque de nervos

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  A agressão física e psicológica feita pela polícia a uma família, em Guimarães, é de  alguém que não cumpre o seu código deontológico. Visionando as imagens televisivas da festa que se seguiu em Lisboa, o descontrolo continua: os policias respondem a provocações e contribuem para a desordem pública . Cresce o número de cidadãos sem valores, sem referências, de caciques regionalistas e desportivos que incendeiam ambientes, de jovens desempregados, revoltados e regados a álcool, de inimputáveis, de policiais mal pagos e irritados. O futebol não devia ser assim, um filtro que côa todas as frustrações da sociedade, de destrambelhados que não sabem respeitar as diferenças clubísticas, de um país à beira de um ataque de nervos onde ninguém toma as rédeas de tantas cavalgaduras.

Sob o espectro do despejo

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  O Novo regime de Arrendamento Urbano vem dar a machadada final na sobrevivência das famílias carenciadas, no limbo de rendimentos de 500 euros, de pensionistas e dos reformados mais idosos. Com o corte nas pensões de reforma, com o aumento brutal do IMI (Imposto Municipal Imóveis), a  ansiada revolução no domínio da habitação nada mais será do que nivelar o terreno para enterrar na vala e despejar muitos portugueses.

O ano das nossas vidas

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  Quando vejo as pessoas a discutirem acaloradamente futebol -  se foi penálti ou fora de jogo -, quando devoram as revistas em busca de saber quem foi expulso dos "reality shows", de coisas supérfluas, apetece-me mandá-las para Marte, só com bilhete de ida, agora que abriram as candidaturas para novos colonizadores . Esta gente não faz parte deste mundo, provavelmente não sabem que 2013 será o ano decisivo das nossas vidas, da própria sobrevivência social,  se suportaremos a abjecta carga fiscal em forma de novas tabelas de IRS com o disfarce dos duodécimos.

A triste sina dos professores

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    Mais um Dia Mundial dos Professores que passou, mais motivos para haver menos festejos . Longe vão os tempos em que os alunos cantarolavam a música dos Pink Floyd para que os professores os deixassem em paz. Agora, os professores querem que os sucessivos incompetentes ministros da educação também os deixem em paz: do degradante modelo de avaliação ao seu desempenho, da estupidez burocrática e administrativa a que são votados, da precariedade, dos 55 mil candidatos aos concursos de contratação a prazo, das suspeitas da manipulação desses mesmos concursos pelas direcções das escolas, da ansiedade e instabilidade profissional provocada pelas colocações no final de Agosto e pelos recentes cortes na Educação que diminuem a qualidade do ensino. Tratem os docentes como a UNESCO os reconhece: "um grupo profissional fundamental sem o qual não pode haver nem desenvolvimento durável, nem coesão social, nem paz".

Romaria dantesca

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                                            Foto de Joel Calheiros   Sem querer beliscar a fé de cada um, acho que a romaria de São Bartolomeu do Mar , em Esposende, é profundamente retrógada e religiosamente questionável. O "banho santo" transforma-se em "banho traumatizante", num esgar de medo à medida que as crianças de tenra idade são mergulhadas por desconhecidos nas gélidas águas do Atlântico. Nem o maior demónio lembrar-se-ia de tamanha tortura - três vezes - sem misericórdia. Sinistro, no ritual da galinha preta, agradeço aos meus pais livrarem-me deste quadro tão pavoroso que nem Dante ousaria descrever.

Este país não é para velhos nem para licenciados

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    As recentes notícias de idosos terem sido encontrados mortos na solidão e no abandono das suas casas, vem demonstrar que este país não é para velhos e, eu acrescento, nem para jovens licenciados. Da geração mais envelhecida da Europa que vive miseravelmente no centro das grandes cidades à geração "à rasca", dos 500 euros, que vive em casa dos pais; da geração da 4ª classe à geração das múltiplas licenciaturas; da geração da verdadeira música de intervenção de personagens como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira à "geração parva", dos Deolinda, que nunca se mobilizou para nada a não ser para o comodismo cívico e político. Pela primeira vez nas vossas vidas, berrem, revoltem-se , exerçam o direito de cidadania, mas façam-no por todas as gerações, pelos excluídos, por aqueles que não têm um canudo , pelos desempregados, pelos trabalhadores precários e os explorados pelo patronato.         

Sexo, mentiras e vídeo

    A notícia de que alegadamente um casal sem abrigo praticou sexo na Rua Santa Catarina, no Porto, e a consequente publicação do vídeo na internet, acabou por ser uma não notícia, ao melhor estilo do que "eu quero é 5 minutos de fama" ou "a rua é minha". Não são só os marginais e os desafortunados a darem mau ambiente à Baixa - também os vendedores ambulantes ilegais, pródigos em fugas à Polícia Municipal, os técnicos de marketing agressivo e os parasitas da sociedade travestidos de justiceiros. O espectáculo miserável proporcionado por estes últimos é o reflexo da falência de valores morais que espezinha os diminuidos mas que se acobarda quando o governo lhes mexe no bolso aumentando os impostos.