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O "Público" foi longe de mais

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O jornal "Público" retirou da sua edição digital um artigo de opinião de um médico convidado com o título "Uma vacina longe de mais", que falava das dúvidas acerca da vacinação de crianças e jovens contra o Covid. Esta "despublicação" disfarçada de " erro de controlo editorial " foi justificada "pelo tom desprimoroso em relação a várias personalidades da nossa vida pública"  e também por "negar o relativo consenso científico em torno das vacinas.” Sempre pensei que um artigo de opinião fosse parcial, abundante de juízos de valor, por vezes polémico e provocador para lançar o debate. Não me lembro de idêntica celeuma com outros cronistas que usaram do mesmo tom nesse jornal e bastava devolver o texto ao seu autor sem o publicar. Mesmo compreendendo os critérios editoriais, fica a sensação que o "Público" sonega e escolhe deliberadamente a informação, não deixando que o leitor analise e interprete os factos, fazendo lemb...

O jornalista sem medo

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    Muita gente nem se apercebeu da morte do jornalista desportivo Marinho Neves, mas outros jamais esquecerão o seu contributo para denunciar os batoteiros do futebol dos anos 80 e 90. Nem foi preciso roubar emails, bastou fazer jornalismo de investigação, colaborar com as autoridades e escrever um livro chamado " Golpe de Estádio ", onde prometeu "dizer a verdade através da comédia", profetizando aquilo a que mais tarde veio a ser denominado de Apito Dourado, o maior escândalo do futebol português. Denunciou o verdadeiro e único "polvo", por isso foi perseguido profissionalmente, intimidado e ameaçado a norte do país. Sem medo, Marinho Neves nunca foi um moço de recados, pois quando o insistiam em calar, berrava ainda mais alto!    

Desespero no jornalismo

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  Foi notícia uma  jornalista ter invadido um Centro de Emprego, no Porto, ter provocado desacatos e ameaçado funcionários porque está desempregada há três anos e a passar dificuldades económicas. Ironicamente, foi a imprensa do grupo de media ao qual pertencia a jornalista que divulgou a notícia, com um histórico de três miseráveis despedimentos colectivos em 6 anos. Esta loucura e desespero não recupera o posto de trabalho, mas que pelo menos sirva para alertar a  precariedade e a desmotivação que se tornou a profissão de jornalista, desde o desemprego aos baixos salários, péssimas condições de trabalho, mão de obra barata ou estagiária, redacções amordaçadas por administradores incompetentes e pagos a peso de ouro.    

Um Natal amargo

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Vai ser um Natal amargo para muitos  jornalistas visto que continuam a chegar notícias de encerramento de diversos meios de comunicação social . Começam com "lay-off", passam a rescisões voluntárias e estranhamente acabam em despedimentos , sabendo nós que as empresas de media que dominam o pequeno mercado português alcançam relevantes lucros anuais. É indisfarçável a crise que afecta a imprensa escrita, devido à diminuição da publicidade, às plataformas da internet e das redes sociais, ao mau profissionalismo, aos administradores pagos a peso de ouro que, em nome da rentabilidade, esvaziaram a qualidade das redacções, do próprio jornalismo, injectando jovens estagiários e desmotivando os sobreviventes.  

Moralidade pudica

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   Depois de termos sido catalogados pelo primeiro-ministro de "piegas" e termos sido aconselhados a empobrecer, é agora a vez dos jornalistas serem chamados de " preguiçosos", "orgulhosos" e "Maria vai com as outras ". Esta moralidade pudica, esta forma de pressão sobre o jornalismo "que informa mal os portugueses" faz-nos recuar ao tempo da saudosa Censura: um Portugal fictício, de aparências, de forma a ocultar a realidade à União Europeia e à "Troika" sobre a situação real da economia e das finanças públicas.

Um problema de digestão

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   Um ano depois de Rui Moreira ter tomado posse na Câmara Municipal do Porto, parece que muito boa gente continua com um grave problema de digestão. A sensação de enfartamento revela-se naquele jornal que se titula "a voz do norte", "o único diário da cidade do Porto", através da pena do seu subdirector , utilizando a coluna de opinião para atacar outro cronista , o chefe de gabinete do presidente da câmara. É delicioso ver este aguçar de facas, desde a conhecida simpatia reverencial que o periódico nutria por Luís Filipe Menezes, o salvador messiânico, até à costumeira antipatia por Rui Rio, culminando com a ciumeira pela aproximação institucional de Rui Moreira a Lisboa, nada que um bom medicamento com bicarbonato não resolva.

Cativante profissionalismo

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  Foi no fim da década de 80, princípio da década de 90 que aprendi a gostar de Rui Tovar . Memórias dos seus relatos futebolísticos e da narração desportiva despojada de sensacionalismo, feita num cativante profissionalismo e sem aqueles modernismos tecnológicos de hoje. Houve um tempo em que pensei que aquela era a melhor profissão do mundo, vibrante, apaixonante, uma espécie de manual de como o jornalismo deve ser feito: imparcial, fidedigno, com rigor e exactidão.

Praga de despedimentos

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  Continua a praga de despedimentos colectivos de jornalistas em grupos de comunicação social. E se as administrações reconhecem que o processo é "doloroso", é por aí mesmo, por solidariedade, pelos topos da hierarquia, dos executivos, da gerência e das chefias, que poderia haver uma redução de custos nas empresas, diminuindo nestes salários e poupando nos quadros do pessoal. Para aqueles que privam com o Sr. Cunha, para os desfasados da realidade, para quem bate punho no peito dizendo que para manter o emprego basta ser "proactivo, dar o litro, superar-se e reinventar-se ", espero eu que nunca chegue o dia em que ao entrarem na redacção, vejam no seu lugar um estudante, um estagiário ou um colaborador.  

Em defesa de Nuno Ferreira

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  São verdadeiramente lamentáveis - cheirando a cilada - as notícias postas a circular de que o jornalista Nuno Ferreira tenha insultado e tentado agredir o ministro Miguel Relvas . Muita gente sabe que o Nuno percorre o país a pé e encontra-se nos Açores desde Março, no âmbito do projecto " Açores a pé pelas nove Ilhas ", e que é uma pessoa pacífica, mas como diariamente lida com a nata do povo, com os seus desabafos sobre o estado calamitoso do país, decidiu, como cidadão, expressar o seu descontentamento político de forma tranquila empunhando um cartaz e interpelando um membro do governo. Há quem, de forma pidesca, de licenciaturas indecentes e imaginárias, ache-se no direito de não ouvir críticas, de se esconder atrás de seguranças, de gabinetes ministeriais e ter a colaboração reverencial da polícia. Preparem-se políticos de pacotilha, vão ter de levar com outros Ferreiras de fibra semelhante até ao fim da vossa abominável governação.

Crise no jornalismo

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A precariedade no jornalismo e as constantes notícias sobre despedimentos no sector são uma ameaça à independência editorial e à qualidade dos jornais. Um país sem jornalismo de referência e redacções silenciadas é a definitiva submissão ao poder e contribui para a ignorância de conhecimento na sociedade. É a falta de solidariedade dentro da classe, é a triste conivência de empresários com administradores incompetentes que pensam que o jornalismo são cifrões, que basta juntar dezenas de caracteres debitados pelas agências noticiosas e encher o bandulho à custa da publicidade e dos estagiários.

E assim Acontece(u)

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                                                      Aconteceu que um ministro prepotente acabou com o primeiro telejornal cultural português que durava há 9 anos "porque saía mais barato pagar um viagem à volta do Mundo a cada telespectador do programa do que o manter"; aconteceu que alguém se esqueceu de quem desbravou o caminho para a RTP Internacional e RTP África e, como recompensa, foi enviado para as catacumbas da RTP Memória; aconteceu a alguém que criou um novo conceito de jornalismo cultural transformando-o em serviço público, acessível a todos; aconteceu a alguém que amava a fotografia e o jornalismo à antiga, sem submissões. E assim Acontece(u) a Carlos Pinto Coelho.

Jornalista sem medo

  http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=20&visual=9&tm=3&t=Morreu-Rui-Cartaxana.rtp&article=234556   Rui Cartaxana não foi apenas um jornalista desportivo nem um mero ajuntador de letras. Foi uma figura de referência no jornalismo português e pioneiro na modernização da imprensa desportiva contribuindo para a profissionalização do sector. A sua independência editorial era um sinal dos seus valores e princípios que sempre defendeu, mesmo que entrasse em choque com o seu clube do coração. Talvez fosse o fervilhar do seu sangue africano - indomesticável - contrastando com a atitude de colegas de outras redacções, comodamente silenciosos, avessos a polémicas e bajuladores. Com o Rui, desapareceu o jornalismo crítico afrontador do poder, porque não dizer romântico e ousado.     

Jornalismo decadente

A eliminação do FCP da Liga dos Campeões às mãos do Manchester foi uma situação perfeitamente normal apesar da boa réplica dos portistas. A anormalidade foi o comportamento de jornalistas e comentadores da estação televisiva pública que transmitiu os dois jogos. Sob a capa de um pretenso patriotismo, relataram os jogos com uma parcialidade gritante misturada com laivos de histeria e sofrimento. Com uma arrogância desmedida quiseram condicionar o desfecho do último jogo pois já levavam no bolso o cachecol da praxe. Inveja, dizem os seus apoiantes, falta de ética profissional dizem outros.   Torna-se mais grave quando isto acontece numa entidade pública que absorve os nossos impostos. Se querem funções que não colidam com a sua integridade profissional entreguem as carteiras profissionais como alguns fizeram no passado e sigam novo rumo nas suas vidas.

Saudoso jornalismo

A morte de Alfredo Farinha significa o fim da melhor geração de jornalistas da imprensa desportiva em Portugal, para não dizer do jornalismo em geral. Nas palavras do beirão, um tipo de jornalismo que "não obedecia à voz do dono" nem tampouco era subserviente. Independentemente das suas simpatias políticas e do seu clube do coração, defendido até à medula quando era ridicularizado por invejosos, utilizava corajosamente a liberdade de expressão mesmo nos tempos de feroz ditadura. Escrita irrepreensível, foi professor e agraciado com o grau de comendador, também graças aos seus valores morais onde a frontalidade e a lealdade imperavam. Que lição para os dias de hoje onde o jornalista se confunde com o ardina, a notícia com a opinião, onde a a deontologia é arrumada para dentro de uma secretária e a promiscuidade de alguns jornalistas com agentes desportivos é demasiado comprometedora.