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Soares é fixe!

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  Bastou Mário Soares cair numa cama de um hospital para logo se soltar uma série de comentários odiosos. Soares sempre foi assim, uma pedra solta na engrenagem dos interesses pessoais de muita gente conotada com a direita. Não lhe perdoam o combate ao Estado Novo e o facto de ter voltado as costas aos comunistas e à extrema-esquerda, em 25 de Novembro de 1975. E reconhecendo que a inevitável descolonização ultramarina poderia ter sido feita de outra maneira, Soares é fixe, permite que qualquer ressabiado o calunie, debaixo da liberdade e da democracia que ele ajudou a construir e que pagou com a prisão e deportação. 

A fogueira das vaidades

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  O recente Congresso do PSD , no Pavilhão Atlântico, acabou por ser uma simples fogueira das vaidades . No desfile de  pindéricos com lantejoulas alaranjadas, notou-se a presença de alguns "notáveis": Santana Lopes, o homem das mil vidas; Jardim , gastador inveterado transformado milagrosamente em Tio Patinhas; Marcelo, mirando Belém; Menezes , cobiçando a Câmara do Porto e José Sócrates - não que alguma vez estivesse lá estado, mas pela quantidade de vezes que é evocado para interpretar o papel de bode expiatório e esconder a incompetência daqueles que sobrecarregam o "lombo dos portugueses". A coberto do patriotismo bolorento, a nostalgia dos tempos da União Nacional fez-se sentir quando os congressistas votaram consoante a vontade do presidente do partido na mesma coisa por duas vezes! Inédito!

Sob o espectro da AD

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  Não compreendo como alguém diz ter votado no candidato presidencial da pretensa estabilidade e continuidade, quando são sobejamente conhecidos os desaguisados institucionais entre a Presidência da República e o Governo, abrindo-se o flanco à tomada de poder pela Direita. Não tenhamos dúvidas: a dissolução do Parlamento e o ressurgimento da AD é uma questão de tempo, para assim se poder expiar o antigo pecado de Jorge Sampaio. Também ganhou a abstenção, ganharam aqueles que não trocam o conforto do lar pelo dever cívico, por isso mesmo, os da crítica fácil e asquerosa perdem a legitimidade de apontar o que quer que seja no actual panorama da política nacional.