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Tigre de papel

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Afinal, um dos exércitos mais poderosos do mundo e arredores, deixa que umas centenas de indivíduos de um grupo paramilitar chegue às portas de Moscovo. A rebelião organizada pelo líder do grupo Wagner, prova que Putin é um tigre de papel, completamente desligado do povo e das profundas tensões dentro das forças militares. Aguarda-se pelas cenas dos próximos capítulos que prometem ser canibalescas, animais ferozes a comerem outros da mesma espécie e onde entram oligarcas, militares, políticos, mercenários e fantoches do Kremlin.

Porque é que não te calas?

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Depois da visita à China, o presidente brasileiro disse que a União Europeia, Nato e os Estados Unidos estão a estimular a guerra na Ucrânia. Na cabeça deste eminente "mediador de paz"- que não é mais do que um peão dos interesses da China e do Kremlin -, a Rússia não tem qualquer culpa no conflito. Para alguém que nunca impôs sanções financeiras à Rússia e faz este tipo de declarações, seria suficiente para jamais pôr os pés no parlamento no dia 25 de Abril, conforme está agendado, por apoiar a opressão dos povos em vez da liberdade dos mesmos, sendo caso para perguntar a Lula da Silva, "porque é que não te calas"?

O lugar certo da história

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  Ver Zelensky dar uma conferência de imprensa em conjunto com Joe Biden em plena Casa Branca a conquistar apoios, deve ser a pior prenda de natal que os putinistas receberam este ano, muito pior do que ganhar meias e canecas, eles que desejavam que o presidente da Ucrânia estivesse numa vala comum em Bucha. Desta vez, os Estados Unidos colocaram-se no lugar certo da história enquanto a Europa continua contagiada pelo medo à espera de uma nova invasão russa. Para quem dizia que os russos chegariam a Kiev em três dias, para quem jocosamente apelidava Volodymyr Zelensky de ser um comediante e que iria ser esmagado, deve custar ver alguém tão corajoso fazer mais pela liberdade e autodeterminação de um povo num dia do que a maior parte das pessoas numa vida toda.

Carne para canhão

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Vladimir Putin continua num estado de demência que gradualmente lhe afecta o juízo. Desta vez mobilizou reservistas para o conflito na Ucrânia, arrastando inexperientes cidadãos russos a ser carne para canhão. Aquilo que seria uma "operação militar especial" rápida transformou-se numa guerra prolongada, comprovando o desespero e as falhas na estratégia. O único meio de parar esta loucura será com uma forte reacção pública da sociedade russa, revoltando-se contra esta alienação mental, contra as baixas que sofreram (cerca de 6000 soldados) e quando os cidadãos das grandes cidades e dos centros urbanos forem chamados a lutar sem o desejar.

Filhos do "putinismo"

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Estou cansado dos argumentos destes novos negacionistas da guerra na Ucrânia, uns verdadeiros filhos do "putinismo" que acreditam que o suposto genocídio da população russófona no Leste do país é justificação para uma invasão. Para eles, o governo ucraniano composto por descendentes de judeus é um regime de inspiração neonazi, afinal o próprio Hiltler "tinha sangue judeu", e no meio de tanto delírio e incoerência nem enxergam que Putin anda de braço dado com a extrema direita europeia de Le Pen, Salvini e Orbán. A propósito deste roubo de terras, do extermínio de um povo e na destruição dos seus símbolos eslavos, lembrei-me da música duma banda australiana dos anos 80, os Midnight Oil, que questionava como pode dormir um povo, a população indígena, quando as suas camas estão ardendo (Beds Are Burning).  

O regresso dos negacionistas

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Depois dos negacionistas do Holocausto e dos negacionistas das alterações climáticas, da teoria da ligação entre os efeitos da rede 5G e a Covid, da conspiração das vacinas com chip localizador, surgem agora os negacionistas da guerra na Ucrânia. A sua cegueira ideológica radical transforma o leste europeu numa espécie de filme "Matrix" onde tudo é uma ilusão e propaganda anti-Rússia. No conforto das suas casas, acham que as cidades cercadas  sem acesso a água, electricidade ou gás, debaixo de temperaturas negativas, sem comida e medicamentos é desinformação. Um povo trucidado pelos bombardeamentos às suas casas, hospitais e maternidades só pode ser manipulação, os disparos sobre corredores humanitários são criação da imaginação. No fundo, a culpa da "operação especial" é da Nato, da União Europeia, dos americanos, das elites, dos globalistas. Relativizam a violência da Rússia sobre a Ucrânia, justificam estes crimes com outros crimes no passado usando da "boa ...

Falta de coerência da esquerda

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Existem pessoas que nunca desiludem pela falta de bom senso que debitam no espaço mediático. O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, é uma dessas pessoas que a propósito da guerra na Ucrânia culpa toda a gente pelo conflito menos a Rússia, comportando-se como uma espécie de extensão do Pravda, órgão oficial do Partido Comunista da antiga União Soviética. É a falta de coerência de um partido que critica o "imperialismo americano" mas que no passado apoiou a invasão soviética à antiga Checoslováquia e à Polónia, nada diz sobre a guerra no Afeganistão nem condena as acções militares na Síria e na Georgia ordenadas por Putin. Esta esquerda extremista à qual se junta o Bloco de Esquerda diz que o executivo liderado por Zelensky é um "governo de extrema-direita com fascistas no seu interior" e apela à extinção do Chega, em Portugal. Talvez fosse melhor para  estes próprios partidos de "esquerda" desaparecerem por serem produtos da cegueira ideológica que ameaça as de...

Roleta russa

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Para percebemos a sacanice do Presidente russo em relação à Ucrânia e que vai provocar uma guerra no leste da Europa, imaginemos Espanha a reconhecer as "república populares do Minho e de Trás-os-Montes" como independentes de Portugal por causa das afinidades culturais com a Galiza, dando-lhes ajuda militar e financeira, só porque o seu chefe de governo sonhou com as antigas expansões territoriais do reino medieval de Castela e com a grande Ibéria. Nesta invasão do nosso descontentamento, a Crimeia é a nossa Olivença, resultado da sede imperialista de um lunático que não respeita fronteiras definidas e que deseja jogar à roleta russa com o mundo preparando-o para a Terceira Guerra Mundial.   

O pesadelo

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  Sonhei com o Terreiro do Paço a ferro e fogo, inundado por milhares de pessoas indignadas pela limitação do direito de manifestação, pelo aumento da pobreza e corrupção no país. Daí ao confronto com a polícia é um ápice, numa espiral crescente de violência e ódio instigado por facções anárquicas, nacionalistas, europeístas, por apoiantes anti e pró troika ou simplesmente cidadãos anónimos fartos de austeridade, da repressão fiscal, de banqueiros oportunistas e empresários gananciosos. Entre mortos e feridos, a situação alastra a outras cidades, e perante a expectativa de invasão do vizinho espanhol e da impotência da União Europeia, acordo, afinal era na Ucrânia, mas engulo em seco sabendo que este perturbante pesadelo pode estar iminente num qualquer virar de esquina.