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Filho de peixe sabe nadar

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  Nunca a expressão “filho de peixe sabe nadar” — e atravessar o Atlântico — foi tão bem aplicada na política para explicar o que se passou com Flávio Bolsonaro. Depois da derrota nas urnas, de ser investigado pelo Supremo Tribunal do Brasil por alegada corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fiscal, fugiu com a família para os Estados Unidos, ajudado pelos amigos da direita radical e populista, Milei e Trump, copiando o exemplo do pai, Jair Bolsonaro, que já tinha fugido para a Flórida, em 2022, também como perdedor. O bolsonarismo é isto: questionar os resultados das eleições, atacar os tribunais, instigar os seus apoiantes para um Golpe de Estado e criar o caos social necessário para justificar uma intervenção militar.

O regresso da normalidade

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E, de repente, o mundo parece voltar à normalidade apesar da guerra na Ucrânia ainda não ter terminado. Donald Trump enfrenta uma acusação criminal e pode ser preso, tornando-se no primeiro antigo inquilino da Casa Branca a sentar-se no banco dos réus. Jair Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos e agora regressou ao Brasil, não como qualquer D. Sebastião, mas encarando uma série de acusações na justiça, inclusive uma por alegado incitamento ao ataque contra as sedes do poder, em Brasília. O mundo fica mais tranquilo com a acção do Tribunal Penal Internacional (TPI) ao emitir um mandado de captura para Vladimir Putin e o desporto mais airoso com a não comparência de Sérgio Conceição nas conferências de imprensa dos jogos da I Liga.

Presidenciais no Brasil

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As eleições presidenciais no Brasil mostraram que os eleitores querem emendar o erro de terem eleito um populista que há quatro anos rebaixa as mulheres, ignora direitos humanos, insulta jornalistas e decreta políticas anti-ambientais na Amazónia. Esta divisão na sociedade é semelhante ao que aconteceu em 2020, nos Estados Unidos, quando Joe Biden apeou outro populista da presidência. Em ambos os casos, venceu o melhor dos piores candidatos, mesmo sabendo que Lula da Silva jamais se livrará das suspeitas de corrupção no âmbito do processo "Lava Jato", condenado por um juiz que mais tarde foi ministro do governo de Jair Bolsonaro.

Bolçando sentenças

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  É preciso ter uma grande deselegância para vir a Portugal como convidado duma universidade e acabar a bolçar sentenças sobre um ex-primeiro ministro português. É necessário lembrar ao ex-juiz Sergio Moro, actual ministro da Justiça do Brasil, que o sistema judicial português só criminaliza alguém quando há julgamento e condenação. O juiz-político que um dia disse que "jamais entraria para a política", também ministro da Segurança Pública, podia preocupar-se com a recente liberalização de armas de fogo para cidadãos, com a quantidade de processos que entopem os tribunais, com o acesso dos pobres à justiça, com a celeridade da mesma ou ver o seu nome associado a um governo presidido por um populista autoritário que nega a existência de uma ditadura militar na história do país!   

Diz o roto ao nu

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  Nicolas Maduro chamou o seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, de fascista e "imitador de Hitler". Parece aquele provérbio onde o roto diz ao nu para se vestir. Este arrufo de ditadores americanos é comovente, apontar os defeitos dos outros sem reconhecer as nossas próprias falhas e medir quem tem o maior "caudilhómetro". Porque não há ditaduras boas, sejam de esquerda ou de direita, existem apenas políticos moralistas e populistas que com o tempo se transformam em autoritaristas e passam  entre os pingos de chuva de frágeis democracias apropriando-se do poder através do controlo das forças policiais, do exército e da justiça.