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Os filhos do cavaquismo

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  Os filhos do cavaquismo não gostaram de ver o ex-primeiro-ministro José Sócrates apontar a dedo os diabretes do Presidente da República. Insurgem-se na televisão, nos blogues, nos jornais e berram para quem os quiser ouvir. Escavacados por escândalos bancários, pelo facilitismo no crédito, pelo "tachismo", pelo maior número de anos consecutivos que estiveram num governo, por sugarem a torneira dos milhões da União Europeia, falam do anterior executivo com desdém, como não tivessem culpa no cartório pelo estado a que chegou o país. Os herdeiros destes filhos não melhoraram: querem "ir mais além" das metas da troika, mandam-nos "ser menos piegas", emigrar, filosofam que o desemprego "é uma oportunidade", roubam salários a privados através de impostos, a reformados e a funcionários públicos. 

Presidenciais

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  Porque não me esqueço de quem governou o país durante 10 longos penosos anos como primeiro-ministro acentuando as desigualdades sociais, porque não me esqueço das malditas propinas do ensino superior, dos espectáculos degradantes no buzinão da ponte 25 de Abril, da investida sobre os policiais na Praça do Comércio e sobre os vidreiros da Marinha Grande, dos delírios das supostas escutas governamentais a Belém. Não quero voltar ao Cavaquismo, carrancudo e conservador, sorvedouro dos fundos estruturais da CEE, terreno propício às tentações da banca e dos oportunistas. Nem que para isso tenha que votar nesta espécie de "Tiririca" da Madeira, que salta da esquerda para a direita como quem muda de camisa, que ridiculariza a política ridicularizando-se a si mesmo, que denuncia os vícios da sua ilha e a imoralidade em que se transformou a política.