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Quem não chora não mama

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  Parece que alguns municípios  da Área Metropolitana do Porto se recusaram a assinar o vínculo com o Governo referente à negociação de fundos comunitários para áreas urbanas, até houve um autarca que falou em "roubo do século". Mas, como se diz que "quem não chora não mama", um quarteto logo tratou de fazer uma negociação particular com um membro do Governo, à revelia dos critérios comunitários, redistribuindo as verbas destinadas ao Norte. Para estes oponentes o Norte é somente o seu umbigo, é a área de Gondomar, Matosinhos, Porto e Gaia, desprezando os restantes municípios da região , porventura mais necessitados. Por isso, quando se disserem regionalistas e atacarem Lisboa, não os levem a sério, são apenas egoístas, uma espécie de eucaliptos que secam outros concelhos à sua volta. 

A oeste nada de novo

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    Este não é certamente a mais agradável proposta de Orçamento do Estado para 2016 porque aumenta o Imposto Único de Circulação, o Imposto Sobre Veículos e os combustíveis, que aliados à manutenção das portagens nas ex-SCUT destruirão empresas e criarão desemprego. No entanto, não é um "gigantesco aumento de impostos" como descaradamente se queixa a oposição, quando comparado com quatro anos da maior repressão fiscal de que há memória a que fomos condenados pela dupla PSD/CDS. A oeste, nada de novo, os de  bandeira na lapela professam ser sociais democratas  sem saberem quem foi Sá Carneiro, os outros resolvem as dúvidas deste orçamento aconselhando os portugueses a " usarem mais transportes públicos ".

Proscritos

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Manifestam-se os empresários, desesperam os banqueiros, berram os patrões e gestores, inquietam-se os preconceituosos, digladiam-se os comentadores de serviço e agitam-se os mercados pois vai chegar o demónio a Portugal em forma de uma coligação política de esquerda. Para alguns "democratas" desta sociedade, devia haver na Constituição um artigo que não permitisse coligações de esquerda preparadas para governar, apenas puritanos de direita. Vejam o delito dos proscritos: dois partidos que nunca governaram aliam-se ao maior partido de oposição para repor salários da função pública e valores do Abono de Família, para actualizar pensões e baixar o IVA da restauração, para eliminar a sobretaxa de IRS e a contribuição extraordinária de solidariedade, para aumentar o mísero salário mínimo nacional e impedir penhoras sobre habitações familiares. 

A terceira via

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Compreensivelmente, Cavaco Silva entregou a governação do país ao vencedor das legislativas de 4 de Outubro mas acabou por dar um paliativo a um doente terminal, pois PSD e CDS-PP não têm uma maioria parlamentar. No entanto, discrimina parte da esquerda e tece considerações próprias de quem nunca despiu a "camisola laranja" , numa clara violação da função de um Presidente: zelar pela unidade de Estado. São assim os fingidos: em 40 anos de democracia portuguesa rejubilam com alianças políticas de direita, toleram alianças entre a esquerda e a direita mas abominam uma terceira via composta por um acordo inédito entre todos os partidos de esquerda. 

Perdoa-me

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  Este é o Governo do "perdoa-me", a fazer lembrar aquele programa televisivo dos anos 90 que promovia o entendimento entre pessoas desavindas. E se fica sempre bem pedir desculpa aos portuguesas, a harmonia entre os cidadãos e os governantes nunca será possível nesta relação de equívocos. Primeiro, Rui Machete , pedindo desculpa pelos processos judiciais que decorriam em Portugal contra empresários daquele país. Depois, Paula Teixeira da Cruz , assumindo responsabilidade política pela trapalhada do novo mapa judiciário. Por fim, Nuno Crato , pedindo desculpa aos professores devido ao erro na fórmula matemática utilizada nas listas de contratação de docentes. Agora só falta vir o primeiro-ministro pedir desculpa pelo massacre fiscal aos contribuintes, pensionistas e funcionários públicos, empobrecendo-os, simplesmente nós não queremos alegações de culpa, queremos que se demitam por incompetência!

Avance se vier por bem

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    Avance no Partido Socialista quem vier por bem, quem saiba capitalizar politicamente estes últimos anos de vergonhosa austeridade e quem está farto de uma oposição frouxa a um Governo que será o pior, o mais encostado à direita após o 25 de Abril. Avance um socialismo moderno que demonstre inequivocamente que a culpa da crise não é dos portugueses nem da sua "mania em viver acima das suas possibilidades." Avance António Costa ou alguém com coragem e descomprometimento com o poder, pois uma oposição insatisfeita, forte e consciente consolida qualquer democracia. 

Limpíssimo

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  Foi uma entrada suja pois recordo-me do momento em que a direita, com sede de poder, e parte da esquerda, traiçoeira, não aprovaram o PEC IV, o que nos conduziu à ajuda externa. De modo que esta "saída limpa" da troika é irónica para os portugueses que ficaram com os bolsos vazios e bem aspirados, com os seus recibos de vencimento e pensões bem asseadas. Três anos limpíssimos, da brancura do desemprego e da emigração forçada até ao aumento da dívida pública. Nesta candura, nem falta o esmero do presidente da república em purificar o governo, também ele contribuindo para o desmantelamento da economia e do estado social.

Mundo laranja

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  Os congressos do PSD têm, ano após ano, tentado ressuscitar Sá Carneiro, mas o máximo que conseguiram, até hoje, foi ressuscitar José Relvas. Duvido mesmo que Sá Carneiro, tresmalhado, aparecesse junto daquele rebanho que apregoa os valores da social-democracia mas transpira falsidade por todos os poros. E entre declarações de lambebotismo interesseiro e ódio ao PS, pouco resta: umas necessárias "pancadinhas" porque "a vida dos portugueses não está melhor mas o país está". Neste mundo à parte, laranja, só espero uma resposta condizente dos portugueses nas europeias e legislativas de 2015, para trazer de volta à realidade os correligionários que transformaram o país numa coutada de miséria.

Depuração de ódio político

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  Bastou Mário Soares ter exagerado um pouco nas palavras ao apelidar alguns membros do Governo de " delinquentes que têm de ser julgados depois de saírem do poder" , para os detractores do ex-primeiro-ministro e ex-presidente da República abandonarem as tocas. Retornados vingativos, comunistas eternamente derrotados, saudosistas do "outro senhor" ou simplesmente correligionários de direita que rejubilam pelo FMI ter entrado pela primeira vez em Portugal, em 1977 , no Governo de Mário Soares, como se fosse possível comparar os dias de hoje com a herança de 30 anos de salazarismo e do instável PREC. Nesta absurda depuração de ódio político parece que existem os "delinquentes" bons e os maus, consoante as simpatias e a cor partidária.

Tempestade autárquica

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As autárquicas foram vividas com chuva mas revelaram-se violentas tempestades: varreram o "jardinismo", na Madeira, o "Mesquitismo", em Braga, e arrancaram pés de alguns resistentes nabos, em Gondomar. Em Gaia, os candidatos político futeboleiros foram castigados por serem saltimbancos vazios de ideias e sofrerem de clubite aguda. No Porto, o candidato messiânico que veio do outro lado do rio pagou caro as constantes afrontas e o despeito para com Rui Rio, mesmo levado ao colo pelos "notáveis" da treta desta cidade e de um jornal que se diz de referência mas que andou de espinha curvada em campanhas diárias. O temporal ainda destapou a máscara de Paulo Portas - exultante nas vitórias, ausente nas pesadas derrotas da coligação governamental -, e desenterrou a estupidez masoquista daqueles que foram à porta da prisão da Carregueira ovacionar um autarca que cometeu crimes fiscais. O tumulto, não existe BE para além de Louçã, nem é perdoável a figura que o Bl...

Cozido político à portuguesa

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Logo após o Tribunal Constitucional ter deliberado que os autarcas que atinjam três ou mais mandatos podem candidatar-se a outra Câmara, Fernando Seara atirou-se ao PS, contra a sua estratégia e "gente que não olha a meios para atingir os fins". Quando todos sabemos que foi um movimento apartidário a apresentar providências cautelares por infracção à lei de limitação de mandatos , somos obrigados a digerir com náusea o tradicional cozido político à portuguesa que tem sido servido às mesas das urnas pelos dinossauros autárquicos. É uma pena que, na sua cegueira ideológica, certos governantes só pensem perpetuar-se no poder esquecendo que existem movimentos cívicos independentes e cidadãos insatisfeitos organizados para serem alternativa a estes finórios.

Político profissional

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Depois de nos ter mandado emigrar, de dizer que o "desemprego é uma boa oportunidade para mudar de vida", de acusar-nos de sermos mansos e piegas, o Primeiro-Ministro  aconselha bom senso ao Tribunal Constitucional desprezando a própria Constituição, pois esta "nunca fez nada pelos 900 mil desempregados". Concordo, o TC deveria colocar esses 900 mil desempregados nos meios partidários para se providenciar uma profissão. A Constituição obrigaria a que todo o desempregado tivesse um padrinho político, que prosperasse na vida debaixo da saia do partido ou na empresa do seu correligionário, que tivesse uma oportunidade de ser um futuro político profissional da treta e ter o seu momento de glória ao discursar numa aula da Universidade de Verão.