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A mostrar mensagens de setembro, 2016

Foi chão que deu uvas

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Não devo ser o único a achar que a política já "foi chão que deu uvas". Atente-se no exemplo do PSD:  Alberto João Jardim dedica-se agora à representação num filme onde interpreta o papel de um "pastor visionário", só não sei como ele não consegui antecipar o valor astronómico da divida da Madeira. No continente, um presidente de uma concelhia da Juventude Social Democrata decidiu participar num " reality show ", arrastando a política para um palco de "voyeurismo" saloio, e à última da hora, Passos Coelho deixou cair a sua nova função de apresentador e promotor livreiro para se dedicar aquilo em que é mesmo bom:  caçar   "pokémons "!

Ai aguenta, aguenta!

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A palavra "imposto" nunca será agradável, mas bastou Mariana Mortágua falar em taxar bens imóveis de luxo que afectaria apenas 1% da população, para termos reacções inflamadas de presidentes da câmara , adjuntos , pedantes e parte da direita ressabiada . É só despirmo-nos de preconceitos ideológicos e políticos e ler o relatório da OCDE que diz que somos o país em que mais aumentou a carga fiscal para os trabalhadores com baixos rendimentos, em 2015. Não se trata de inveja, mas já era hora dos trabalhadores de altos rendimentos serem chamados às suas responsabilidades contributivas - como diria o outro, "ai aguenta, aguenta" - em nome de uma maior igualdade e justiça social, contra aqueles que põem o seu património em paraísos fiscais, ou acham que é preferível cortar salários e pensões de todos os outros?

O Rambo que há em nós

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    Num país tão pequeno, não vejo razões para haver quatro forças especiais em Portugal, nem percebo o regresso de um regimento de comandos que esteve extinto durante quase uma década e que provocou vários acidentes e mortes . Não censuro aqueles que querem libertar o Rambo que há em nós, os heróis de ficção que nunca morrem, não condeno quem acha que tem uma missão patriótica, a ambição de uma carreira militar, mas é profundamente injusto que isso seja o salvo-conduto para a sua morte só porque alguém decide transformar-se em anti-herói, o macho autoritário que anda a ver demasiados filmes de guerra mas esconde-se nas trincheiras militares. 

Desespero no jornalismo

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  Foi notícia uma  jornalista ter invadido um Centro de Emprego, no Porto, ter provocado desacatos e ameaçado funcionários porque está desempregada há três anos e a passar dificuldades económicas. Ironicamente, foi a imprensa do grupo de media ao qual pertencia a jornalista que divulgou a notícia, com um histórico de três miseráveis despedimentos colectivos em 6 anos. Esta loucura e desespero não recupera o posto de trabalho, mas que pelo menos sirva para alertar a  precariedade e a desmotivação que se tornou a profissão de jornalista, desde o desemprego aos baixos salários, péssimas condições de trabalho, mão de obra barata ou estagiária, redacções amordaçadas por administradores incompetentes e pagos a peso de ouro.    

Striptease fiscal

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    Pensei que o "striptease"  fiscal proposto no passado a Passos Coelho por António José Seguro fosse único, afinal, enganei-me, o actual Governo quer que o fisco tenha informações anuais  sobre contas que os portugueses tenham nos bancos, quando o saldo  é superior a 50 mil euros. É meritório combater a evasão fiscal, mas neste espectáculo de desnudamento  que também se verifica no E-Factura, e  sem querer discorrer sobre possíveis violações de sigilo bancário e da protecção de dados, eu pergunto quem é o português que consegue ter 50 mil euros no banco depois das dificuldades que temos passado nos últimos anos?!  

Uberização

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A coberto da "concorrência desleal", da suposta "ilegalização em transportar passageiros em automóveis ligeiros descaracterizados", sucedem-se os cobardes ataques perpetrados contra os motoristas da Uber . Mas agora que o governo vai regulamentar as novas plataformas digitais de transporte , já não vai haver razões para estas reacções violentas de taxistas portugueses, a não ser que as verdadeiras motivações destes seja não suportarem a concorrência, não se adaptarem aos novos modelos de negócio e verem o seu feudo lobista, o proteccionismo que sempre gozaram, ameaçados pela "uberização".