Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta turismo

País de pedantes

Imagem
  Cada vez mais vejo este país transformar-se numa nação de pedantes e lembrei-me daquele colega de trabalho sempre pronto a bajular o patrão mas quando a empresa necessita despedir alguém é o primeiro a levar um pontapé do traseiro. Vem isto a propósito do Reino Unido ter retirado Portugal da "lista verde", ou seja, ter considerado o nosso país um local inseguro para os turistas britânicos viajarem, isto dias depois da festança inglesa no Porto por ocasião da Liga dos Campeões ter sido patrocinada pelo nosso governo. É lamentável ver o político português aceitar o facto de sermos descartáveis do género usar e deitar fora, assistir ao enterro do turismo algarvio passivamente em vez de dar um murro na mesa, mostrar aos ingleses que temos taxas de infecção semelhantes às deles e lembrar-lhes que são um mau exemplo no combate da pandemia pois chegaram a ser o país europeu com mais vítimas por covid, sem falar nas imagens que mostravam a falta de equipamento de protecção individu...

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (II)

Imagem
Fiquei emocionado com tanto altruísmo de uma chusma de gente que decidiu que as férias dos portugueses devem ser passadas no próprio país, uma espécie de "vá para fora cá dentro" pelos destinos de campo e territórios de baixa densidade para ajudar a economia e combater o desemprego. São os mesmos que antes da pandemia preferem colocar fotos nas redes sociais de remotas praias azuis turquesa em vez de decrépitas aldeias transmontanas que sofrem há muito tempo com a desertificação, desemprego, falta de acessibilidades e o envelhecimento da população. E por falar em turismo, os empresários de hotelaria e restauração que reabriram os seus negócios  prometem agora receber bem o cliente português, longe daqueles tempos em que o tuga era aceite com um sorriso amarelo em detrimento do estrangeiro com carteira recheada, acolhido com um sorriso de orelha a orelha. Parafraseando Luís de Camões, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".   

Para o Sado nunca mais

Imagem
    Confesso que estava com grande curiosidade em ver a renovação urbanística de Tróia depois da demolição das torres do antigo complexo da Torralta. Afinal surgiram outros mamarrachos, mais modernos, em forma de prédios e hotéis, bunkers para ricos, colados a uma reserva natural, e praias que outrora eram públicas passaram a ser vedadas. Os preços na economia local dispararam, o estacionamento é insuficiente, obrigando os visitantes a deixarem as suas viaturas em parques exorbitantemente caros. É óbvio que a maior parte dos portugueses não pode usufruir da areia branca e da água azul turquesa das suas praias, tomada de assalto por uma elite endinheirada. Do outro lado da Península, na Arrábida, as coisas não estão melhor pois durante a época balnear é proibido a circulação de viaturas particulares às praias da margem direita do rio Sado, obrigando as pessoas a apanhar transportes públicos dispendiosos. Para mim chega, para o Sado nunca mais!      

A dizimação do turismo

Imagem
  Eu sei que a generalidade das autarquias estão de bolsos vazios, mas criar uma taxa turística por cada noite de estadia no concelho de Aveiro não lembra a ninguém. Já não bastava o que os turistas têm de pagar de portagens nas antigas SCUT, já não bastava o chumbo à descida do IVA, na restauração , há sempre algum iluminado que quer dizimar o turismo -  a actividade que nos pode ajudar a sair desta crise. Parece que o político profissional tende a transformar-se progressivamente num chico-esperto. Sem ideias, inspira-se nos colegas de coligação partidária que governam o país, pois há uma maneira rápida de angariar milhões: ir ao bolso das pessoas, existe sempre alguém que pague!

A Pena dá pena

Imagem
    Fui à aldeia da Pena, lá para os lados da fronteira entre os concelhos de São Pedro do Sul e Arouca - o fim do Mundo onde o morto matou o vivo! A Pena dá pena, não teve a sorte da homónima de Góis, pois não pertence às Aldeias do Xisto de Portugal . Só pode contar com a ajuda divina de São Macário pois o poder camarário e político já a abandonou há muito tempo. Suja e escura como a lousa que a cobre, com meia dúzia de habitantes, com casas em ruína, sem rede de saneamento, com acessos difíceis e vertiginosos, desaproveitada turisticamente, não faz jus à beleza natural e agreste do Maciço da Gralheira. Pena, dá pena ver o Norte guerrear o Sul em nome do já gasto argumento do centralismo quando permaneces na ignorância de tais escribas , no marasmo, perdida no isolamento e na tua identidade cultural.    

Vá para fora cá dentro

Imagem
  Numa época de grande recessão económica nacional, nunca o slogan "vá para fora cá dentro" pareceu tão adequado, ainda mais com a exortação do presidente da república e do Turismo de Portugal . No entanto, programas televisivos como " Ir é o melhor remédio " - que à partida promovia a descoberta do nosso belo país pelos próprios portugueses - tem o condão de os afastar, pelo menos aqueles de classes não tão abastadas, devido aos elevados preços dos alojamentos e restauração aí publicitados à mistura com um certo snobismo de um dos jornalistas. Porque o turismo não pertence a elites, existem outras opções mais em conta para a realidade sócio-económica portuguesa e assim não se diga que é mais barato fazer férias no exterior.