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Prova de vida

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  A Direita portuguesa salivou com a hipótese de dissolução do Governo por parte do Presidente da República, depois de António Costa ter rejeitado demitir o ministro das infraestruturas, João Galamba. Bem podem os comentadores, analistas e adversários políticos voltar a colocar o champanhe no congelador, Marcelo Rebelo de Sousa deu a entender que não há alternativa para governar. Ultimamente, o PS pôs-se a jeito, mas entre dar uma nova prova de vida a este executivo ou regressar aos tempos sombrios de um clone de Passos Coelho e dos interesses que representa, eu prefiro a primeira opção.  

Queixosos e sem memória

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  Os portugueses queixam-se de tudo, do ronronar do gato do andar de cima que parece um motor, do estridente cantar do galo da vizinha, do barulho dos feirantes e, imagine-se, até dos apoios extraordinários que receberam do Governo no ano passado. Suponho que seja melhor ficar sem os subsídios de férias e de Natal ou levar com as mais pesadas medidas de austeridade das últimas décadas, como nos saudosos tempos da coligação PSD/PP. Está tudo mal neste país, ainda ontem deixei cair as chaves na sarjeta da rua e suspeito que algum governante esteja envolvido num esquema pois o buraco não devia estar ali. Outros berram pela demissão do Governo, os mesmos que nos tempos de Passos Coelho andavam calados com as medidas que afectavam directamente o bolso dos portugueses e os seus direitos. Antigamente é que era bom, não havia corrupção, o processo dos submarinos e o caso da Tecnoforma eram delírios da oposição. Não havia polémicas na governação, a demissão "irrevogável" de Paulo Port...

Batalha naval

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Num qualquer país decente e normal, a exoneração do Chefe do Estado-Maior da Armada e da Autoridade Marítima Nacional sem qualquer tipo de justificação aceitável geraria grande alvoroço, ainda para mais sabendo-se que a saída de Mendes Calado não foi "por vontade própria". Só neste país é que um primeiro-ministro e o presidente da república se entretêm a jogar à batalha naval política promovendo o novo "herói nacional", Gouveia e Melo, para daí retirarem dividendos. Brincar à defesa militar tentando adivinhar a disposição dos barcos do seu adversário em mares imaginários pode dar sérios naufrágios mesmo em submarinistas experientes.

Teremos sempre arroz

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Desde Março que ando farto de comer "arroz", não há mudanças na ementa nem novas ideias. Já reclamei com o chefe de cozinha que disse publicamente que promete não meter tanta água no seu cultivo, pois o Natal vai ser semidesconfinado com restaurantes de horário alargado para desenjoar do "arroz" sendo hora de experimentar o polvo, o bacalhau e o peru. Antes desta benesse, o cozinheiro profissional mais os seu ajudantes ministeriais decidiram renovar o Estado de Emergência, o nome pomposo que permite dar umas facadinhas ao regime democrático, nos nossos direitos, liberdades e garantias. Não importa o pandemónio económico, social e afectivo que os confinamentos têm provocado, o arraso de sectores como o comércio, turismo e a restauração, nem a pobreza e a desigualdade que se avizinham, como diria o nosso misericordioso primeiro ministro, imitando o apaixonado Humphrey Bogart, no filme "Casablanca", "teremos sempre arroz" - e outros nem isso!  

Stay Away Políticos

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  O governo esteve razoavelmente bem na primeira onda da pandemia mas agora está a cair no ridículo e a contradizer-se no sentido de obrigar os cidadãos a usarem máscara em todos os espaços públicos - quando essa peça no passado "dava falsa segurança" - medida que não trava o aumento de infectados na Europa, e principalmente com a exigência em forçar as pessoas com telemóvel a instalar a aplicação "Stay Away Covid". Em sete meses, não foram capazes de procurar uma alternativa sem ser o confinamento, o terror sanitário, o pânico e as limitações da liberdade. Precisamos de uma aplicação que faça desaparecer políticos com tiques ditatoriais e a ladainha dos "covideiros" que a comunicação social alberga, um programa mundial que reúna a comunidade científica para o contraditório, o debate, o confronto de saberes, com vista a acabar este pandemónio económico, social e afectivo que tem infernizado as nossas vidas.

Populistas indignados

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  Depois das insanas críticas à realização da Festa do Avante feita por populistas indignados, fiquei surpreendido com o silêncio ensurdecedor dos mesmos perante a enchente que se verificou, em Fátima, no passado dia 13, e mesmo com a realização de touradas e eventos que a DGS insiste em privilegiar. Foi preciso António Costa envolver-se, como cidadão e sócio, nas eleições de um clube de futebol, para outros populistas ainda mais indignados descobrirem que existe relações perigosas entre a política e o futebol. Homessa, onde andavam tais revoltados quando havia jantares entre presidentes de clubes e deputados no restaurante da Assembleia da República, onde estavam quando vários agentes acumulavam cargos políticos com cargos desportivos, como procedem quando um órgão de um determinado clube está pejado de autarcas, ex-autarcas e deputados, como reagem quando um político se transforma num hooligan, como se sentem quando são oferecidos centros de estágio pagos pelo erário público?

Direito por linhas tortas

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    É o drama, a tragédia, o horror, afinal o Infarmed já não vai ser transferido para o Porto. No fundo, escreveu-se direito por linhas tortas porque uma descentralização não pode ser uma deslocalização, porque ainda ninguém conseguiu provar que a transferência é sinónimo de "maior produtividade, eficiência e menor custo de trabalho". Este processo foi mal conduzido desde o início por António Costa, mas se existe algo que aprendemos com mais este capítulo da desnecessária guerra norte /sul é que as "vozes do norte", os caciques locais, deram um sinal inequívoco. A bem da coerência e da descentralização, prontificam-se a fazer as malas da noite para o dia, abandonando o Porto, deslocalizando os seus empregos, a transferirem  as suas vidas, afinal o que são míseros 300 quilómetros ou mais para gente tão exemplar e com tanta cagança?   

A oeste nada de novo

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    Este não é certamente a mais agradável proposta de Orçamento do Estado para 2016 porque aumenta o Imposto Único de Circulação, o Imposto Sobre Veículos e os combustíveis, que aliados à manutenção das portagens nas ex-SCUT destruirão empresas e criarão desemprego. No entanto, não é um "gigantesco aumento de impostos" como descaradamente se queixa a oposição, quando comparado com quatro anos da maior repressão fiscal de que há memória a que fomos condenados pela dupla PSD/CDS. A oeste, nada de novo, os de  bandeira na lapela professam ser sociais democratas  sem saberem quem foi Sá Carneiro, os outros resolvem as dúvidas deste orçamento aconselhando os portugueses a " usarem mais transportes públicos ".

Vassourada

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  António Costa sempre tinha razão, o PS não precisa de estórias de cravos cortados , precisava sim de uma vassourada: nos "yes man" e na modorra em que se tinha transformado esta oposição de esquerda. A sua vitória esmagadora prova que não foi desleal, não foi egoísta, apenas não se contentou com uma pequena vitória nas Eleições Europeias e assumiu aquilo que muitos pensam mas têm medo de dizer: "os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades, existindo alternativa à austeridade". E admitindo que isso possa ser aproveitado num enganador slogan partidário com vista às Legislativas de 2015, a partir de agora o Governo não estará seguro debaixo de "fogo amigo",  estará condenado a ser desmascarado como o mais incompetente Governo de sempre.

Avance se vier por bem

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    Avance no Partido Socialista quem vier por bem, quem saiba capitalizar politicamente estes últimos anos de vergonhosa austeridade e quem está farto de uma oposição frouxa a um Governo que será o pior, o mais encostado à direita após o 25 de Abril. Avance um socialismo moderno que demonstre inequivocamente que a culpa da crise não é dos portugueses nem da sua "mania em viver acima das suas possibilidades." Avance António Costa ou alguém com coragem e descomprometimento com o poder, pois uma oposição insatisfeita, forte e consciente consolida qualquer democracia.