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Extermínio do serviço público

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  A história da RTP confunde-se com a do próprio país, a válvula do escape dos tempos em que tudo era a preto e branco. Os "Amigos de Gaspar" querem privatizar "O Tal Canal", numa espécie de "Fungagá da Bicharada" político. O "Passeio dos Alegres" governantes de coligação, travestidos de gestores económicos, querem reestruturar a empresa imitando a arte mais antiga e desleal de certo patronato: o despedimento em massa, "a bem da Nação" . "Se bem me lembro", a RTP sempre resistiu a todos os regimes políticos, não irá ser agora que, em nome da sua gigantesca dívida, sucumbirá perante a tentativa de extermínio do serviço público de qualidade, livre e independente. 

Chamem-me saudosista

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  Morreu o argumentista e produtor britânico David Croft , co-autor de "Alô Alô", série exibida na RTP há uns anos atrás e que retratava através do humor o dia-a-dia de René, dono de um café francês ocupado pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, também existem alguns que fazem o papel da Resistência francesa, combatendo o lixo televisivo refém das audiências, conteúdos de aspecto duvidoso, "reality shows" de corpos moldados pelo ginásio, inchados pelos esteróides e revestidos a silicone.  A geração "amorangada" e mimada, sem referências, não sabe o que perde ao ignorar os anos oitenta, fundamentalmente programas de qualidade feitos em português e séries infantis e de humor como "O Tal Canal", "Sabadabadu", "O Passeio dos Alegres", a "Rua Sésamo" e  "Os Amigos do Gaspar".  

E assim Acontece(u)

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                                                      Aconteceu que um ministro prepotente acabou com o primeiro telejornal cultural português que durava há 9 anos "porque saía mais barato pagar um viagem à volta do Mundo a cada telespectador do programa do que o manter"; aconteceu que alguém se esqueceu de quem desbravou o caminho para a RTP Internacional e RTP África e, como recompensa, foi enviado para as catacumbas da RTP Memória; aconteceu a alguém que criou um novo conceito de jornalismo cultural transformando-o em serviço público, acessível a todos; aconteceu a alguém que amava a fotografia e o jornalismo à antiga, sem submissões. E assim Acontece(u) a Carlos Pinto Coelho.