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Deixem Olivença em paz

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Já não há pachorra para os "Amigos de Olivença" e os restantes patriotas de ocasião que querem a reintegração de Olivença - território localizado em Espanha, na margem esquerda do rio Guadiana -, em Portugal. Admito que esta questão esteja mal resolvida, mas por mim podem invadir já território castelhano ou calarem-se de vez com estas guerras de alecrim e manjerona. Jamais 500 anos de presença portuguesa será apagada, como é verificado nas ruas, avenidas e praças com nomes portugueses, em tempo algum a lusofonia será esquecida, na arquitectura de inspiração alentejana, na gastronomia e no património monumental. Deixem Olivença em paz pois voltou-se a falar português nas escolas, e apesar dos cidadãos  quererem continuar a fazer parte de Espanha aumentaram os pedidos de dupla nacionalidade, sentem-se ibéricos, nem portugueses nem espanhóis, biculturais, apenas oliventinos raianos orgulhosos de dois séculos de história.     

Catalunha para totós

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Vou tentar explicar a situação da Catalunha numa espécie de manual para totós. Imaginemos a ilha da Madeira, que goza de uma autonomia política, administrativa e financeira, a querer ser independente de Portugal, só porque meia dúzia de jardinistas lembrou-se de fazer um referendo ilegal onde apenas pouco mais de 40% do eleitorado votou. Queixam-se da "ditadura de Lisboa", dos "cubanos do continente", de andarem a subsidiar os pobres de outras regiões, apesar de terem uma dívida pública gigantesca. Não basta ter uma bandeira nem uma cultura própria para berrar pela autodeterminação, pois existem dezenas de regiões europeias nessa mesma situação e não está em causa nenhuma opressão nem perseguição, não faz sentido apelar à liberdade e democracia quando são os próprios catalães a erguer fronteiras, a isolarem-se, pois há muito que o patriotismo orgulhoso deu lugar a um perigoso nacionalismo. 

O fim do "espectáculo" degradante

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                                                Revista "Veja"    A Catalunha não se orgulha somente do Futebol Clube de Barcelona de Lionel Messi, das melhores estações de esqui de Lérida e Girona, nos Pirenéus, das grandiosas obras arquitectónicas de Gaudí, das inúmeras telas pintadas por Dalí e Miró, das fantásticas praias da Costa Brava e Dourada, do glorioso passado histórico de Tarragona. Juntamente com as Canárias, orgulha-se de ser a segunda região da Península Ibérica a proibir as corridas de touros . Ontem, como hoje, a modernidade catalã faz a distinção entre a tradição cultural e o abjecto ritual de sangue desrespeitador da dignidade animal a que chamam "espectáculo".

Reflexões sobre o Mundial e não só

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                                                  Agora que o Mundial de futebol terminou, importa reflectir sobre o significado que este acontecimento trouxe para o marginalizado continente africano que, apesar de um certo amadorismo, abriu definitivamente as portas para a organização de eventos de grande dimensão . Venceu a melhor equipa, aquela que desenha cada jogada como de uma obra de Gaudí se tratasse. Não deixa de ser irónico que , quando se fala da emancipação independentista da Catalunha , sejam os jogadores naturais desta província espanhola a fazerem a diferença, numa comunhão com bascos, andaluzes e madrilenos. Transpondo isto para a nossa realidade social, deveríamos deixar de lado as quezílias politico-partidárias e desportivas, e por uma única vez, trabalharmos em união pelo objectivo de tirarmos o país do estado deplorável em que se encontra.