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A ferro e fogo

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Imaginem meia dúzia de políticos burgueses depois de um jantar bem regado com Cava num dos restaurantes mais caros da Madeira ao som de Montserrat Caballé, preparando e executando um referendo com vista à independência da ilha só porque têm uma bandeira própria e falam uma língua estranha. Depois do "sim" no referendo que ninguém reconhece, o Governo da Região Autónoma declara-se Estado, satisfazendo o jardinismo, uma espécie de separatismo radical. Imitando o trabalho inconsciente e surrealista de Dalí, gozam com o Governo central, violam a Constituição, o próprio estatuto autonómico e ignoram os tribunais. Temendo a sentença final do Supremo, o mentor principal foge da ilha, outros são condenados a penas de prisão sem antes deixarem aquela região a ferro e fogo à mercê do radicalismo. Qualquer semelhança entre a ficção madeirense e a situação na Catalunha é a mais pura realidade.  

Catalunha para totós

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Vou tentar explicar a situação da Catalunha numa espécie de manual para totós. Imaginemos a ilha da Madeira, que goza de uma autonomia política, administrativa e financeira, a querer ser independente de Portugal, só porque meia dúzia de jardinistas lembrou-se de fazer um referendo ilegal onde apenas pouco mais de 40% do eleitorado votou. Queixam-se da "ditadura de Lisboa", dos "cubanos do continente", de andarem a subsidiar os pobres de outras regiões, apesar de terem uma dívida pública gigantesca. Não basta ter uma bandeira nem uma cultura própria para berrar pela autodeterminação, pois existem dezenas de regiões europeias nessa mesma situação e não está em causa nenhuma opressão nem perseguição, não faz sentido apelar à liberdade e democracia quando são os próprios catalães a erguer fronteiras, a isolarem-se, pois há muito que o patriotismo orgulhoso deu lugar a um perigoso nacionalismo.