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Ali Babá e os Quarenta Ladrões

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Foi descoberta uma gruta entre Contumil e as Antas, no Porto, através de uma auditoria. Tudo indica que pertence a Ali Babá e aos Quarenta Ladrões, com um recheio de quase 60 milhões de euros, entre relojoaria, joalharia, material desportivo e informático, carros, ingressos para ver futebol, bilhetes para viajar, fazer refeições e alojamentos em resorts e hotéis de luxo. Nesta estória das Mil e Uma Noites, estranha-se o facto do melhor hacker do mundo, que por acaso é português, especialista no "abre-te Sésamo" de correspondência electrónica alheia, nunca ter dado com a entrada na gruta que dava acesso ao tesouro dos bandidos.

Quem semeia ventos colhe tempestades

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Vi o presidente do FC Porto e outros moralistas de pacotilha apelidar um dirigente do Benfica de "imbecil ", e de " sacanagem ", só por este desejar que o clube nortenho "perca por muitos", em competições internacionais. Fui reler a constituição para saber se apoiar os rivais seria algum dever fundamental, não foi preciso, bastou interpretar a história para concluir que "quem semeia ventos colhe tempestades", e lembrei-me que tal figura desejava ver "Lisboa a arder", que passou por uma morgue de um hospital e viu lá "grande parte do Benfica". Já tentou dividir o país entre norte e o sul, congratulando-se com uma pesada derrota europeia do Benfica, em Vigo, com a derrota da própria selecção nacional frente à Grécia , no Euro 2004, que nada disse quando a  claque portista foi ao Aeroporto Sá Carneiro incentivar o adversário europeu do Benfica num jogo de acesso à Liga dos Campeões. Sem dúvida, um verdadeiro exemplo de hipocrisi...

O rato galego

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    Já conhecia várias espécies de ratos, no entanto, descobri recentemente uma nova: o rato galego . Gosta de futebol, e quando é alertado por roedores amigos foge para a Galiza em busca de caramelos, marisco e tapas, pois sente a proximidade dos agentes de exterminação. Como grande contorcionista de armadilhas que é, sai de Vigo para o seu habitat natural, junto de estádios de futebol e velhos tribunais, sempre acompanhado por ameaçadoras ratazanas que o protegem eternamente.

O contorcionista

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  É sempre delicioso ver alguém, o presidente do FC Porto, que baseou a sua defesa no caso "Apito Dourado" na argumentação de que as escutas telefónicas eram inconstitucionais, sendo ignoradas, vir agora transcrever uma delas para acusar o árbitro do último clássico, João Ferreira, de falta de idoneidade . Existem pessoas e organizações que são mesmo assim: fintam as leis , as regras, os regulamentos , a justiça, num espectáculo digno dos melhores contorcionistas circenses.

A poção mágica do campeão

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    O velho druida coloca o caldeirão em lume brando durante 30 longos anos. Numa taberna, numa Associação de Futebol local, numa Liga da qual já foi presidente, qualquer lugar serve para preparar a poção mágica. A mistela, de aroma frutado, com café e leite, faz campeões. Aqueles que a provam elevam a sua força ao máximo, tal como Asterix fazia, agigantando-se, não na Gália mas neste rectângulo à beira mar plantado onde as escutas telefónicas comprometedoras são declaradas inconstitucionais. Todos bebem - uns são milagrosamente convocados para arbitrar competições internacionais devido aos bons serviços prestados, outros debitam a sua reverência na comunicação social, os adversários sentem-se estranhamente apáticos, os órgãos jurisdicionais extrapolam e até reputadas donzelas sucumbem ao seu encanto.  À venda, com desconto, num supermercado perto de si, ou na pior das hipóteses, numa casa bem iluminada.

Desbloqueio arbitral

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  À tarde, no Marquês de Pombal, em Lisboa, um concerto de Stravinsky para celebrar a chegada da Primavera, à noite, no Estádio da Luz, depois da derrota do FCP para a Taça da Liga, o escarcéu, o habitual Sermão de Santo António aos Peixes proferido pelo padre do costume, por aquele que até agora tinha dito que "os árbitros têm sido uns heróis" . Ele bem tenta curar a cegueira dos seus adeptos, ele bem tenta desvalorizar esta competição porque nunca a ganhou, ele bem sabe que a sua equipa e o seu treinador são medianos, ele bem sabe que sem o erro de arbitragem que lhe permitiu ganhar na Luz, para o campeonato, já tinha sido apeado da corrida ao título. Porque dizem por aí que o Estádio da Luz é um salão de festas para outros clubes, talvez por isso a UEFA o tenha escolhido para ser palco da final da Liga dos Campeões em 2014 ,  agora que houve desbloqueio arbitral e uma vitória honesta e justa .

Orgulho e preconceito

  Enquanto no Aeroporto de Lisboa chegavam vitoriosos os atletas Francis Obikwelu e Naide Gomes provenientes dos Europeus de Pista Coberta em Paris, carregados de ouro e prata, sendo aclamados não só pelos sportinguistas, clube que representam, mas também por adeptos de outras cores que sentem o orgulho português, mais a norte, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, um presidente de um clube de futebol que se preparava para embarcar para Moscovo , reduz a sua equipa à dimensão regional através do cinismo que constantemente debita e acicatado pelos paus mandados de serviço.  Não é preciso ler nas estrelas, não é preciso decorar uns versos de José Régio, não é preciso apelar à justiça divina, não é preciso contratar os melhores advogados suiços e limpar a imagem para se saber que estamos perante um complexo de inferioridade retratado por Alfred Adler.  

Patético desespero

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  Como é que alguém condenado pela justiça desportiva   - por um órgão jurisdicional que exerce o poder público delegado pelo Estado – continua a ignorar esse castigo, debitando ofensas contra outros clubes, confundindo responsabilidade desportiva com a civil? Não obteve absolvição desportiva e viu mesmo o seu clube do qual é presidente ser castigado, mesmo assim, com a presunção que lhe é conhecida, vem arvorar-se em paladino da honestidade por terem sido arquivados todos os processos criminais exigindo uma investigação que ele designa por “apito encarnado”.  Tal satisfação só é comparável ao facto de as escutas telefónicas terem sido declaradas inválidas em processos disciplinares desportivos...  O nervosismo do senhor Pinto da Costa é evidente: fechando-se a torneira dos milhões da Liga dos Campeões, a gestão do seu clube ficará seriamente ameaçada. Aliás, era interessante explicar aos seus consórcios o motivo do FC Porto apresentar resultados financeiros nada favor...

Feios, porcos e maus

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    Aquilo que parecia ser uma homenagem a José Pedroto, 25 anos após a sua morte, pelo presidente do FC Porto, transformou-se num discurso incendiário com sinais de sobrenatural, desrespeitando a presença de amigos e familiares do antigo treinador em prol do odioso inimigo vermelho. Temo, porém, que o discurso perante tão estimado auditório serviu para expurgar pecados passados em que ambos foram unha com carne: a insubordinação perante Américo de Sá, no famoso "verão quente", os ataques insultuosos a Mário Wilson, a vergonhosa intimidação da Selecção Nacional, na estação de Campanhã, utilizada como arma de arremesso numa ridícula guerrilha Norte-Sul. A constante diabolização de "Lisboa a arder" valeu a união e o apoio mútuo entre sportinguistas e benfiquistas, na temporada de 79/80, onde venceram campeonato e taça, impensável nos dias de hoje. Porque movimentos descentralizadores, regionalistas, apesar de terem razão de existirem numa perspectiva de desenvolviment...

Descredibilizando a política

Como é possível credibilizar a política em Portugal ao receber-se na Assembleia da República um dirigente de um clube de futebol castigado pela justiça desportiva e com direito a repasto à conta do erário público?   Bem sei que nem todos os deputados fizeram o papel de anfitriões mas mais grave se torna quando a bajulação acontece pela segunda vez misturada com facciosismo clubístico.   No entanto, através do acto eleitoral, o cidadão português jamais esquecerá a intimidade e o servilismo entre o poder político e o lobby desportivo, indisfarçável aos olhos da sociedade, desvirtuando o verdadeiro papel de um Parlamento e do estatuto de deputado

Tiques provincianos

A constante provocação do presidente do FCP em querer mudar o local da final da Taça de Portugal é só comparável à detestável obsessão que sente pela cor encarnada, esmagadoramente maior. Todos sabemos que o Estádio Nacional poderá não reunir todas as condições necessárias para eventos desta grandeza mas porventura não quererá o portista realizar a final no seu estádio, à semelhança do que fez na década de 80, à maneira cacique? Existem lugares que pelo seu misticismo e pela sua festa popular espontânea devem permanecer incólumes a qualquer ataque que espelhe o exacerbado provincianismo incendiário. Aliás, quando se vê os seus apoiantes a assobiarem o hino nacional e a festejarem vitórias insultando o adversário, já se percebe como uma pessoa condenada pela justiça desportiva continua a gozar de total impunidade neste País da treta.

Uma pérola Argentina

"Europa, sigue Hill, sufre especialmente en sus Ligas menores (cita a Macedonia, Belarús, Ucrania, Rumania, Lituania, Turquía y Grecia entre las más corruptas y a chinos comprando clubes en Bélgica y Finlandia). Y tampoco el Primer Mundo queda a salvo. Hill, que no estudia el caso sudamericano, recuerda la historia sucia de la Premier League y cita al monje negro italiano Luciano Moggi y al francés Bernard Tapie, todos ellos desnudados en comprometedoras conversaciones telefónicas. Y menciona también a Carolina Salgado, la prostituta amante del corrupto presidente del club portugués Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, quien la conoció en el burdel No Calor da Noite . "Comparado con todo lo que he visto en el mundo del fútbol -dice la mujer- el burdel parece una guardería infantil."   Ezequiel Fernández Moores, La Nacion Deportiva   http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1045791