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Queixosos e sem memória

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  Os portugueses queixam-se de tudo, do ronronar do gato do andar de cima que parece um motor, do estridente cantar do galo da vizinha, do barulho dos feirantes e, imagine-se, até dos apoios extraordinários que receberam do Governo no ano passado. Suponho que seja melhor ficar sem os subsídios de férias e de Natal ou levar com as mais pesadas medidas de austeridade das últimas décadas, como nos saudosos tempos da coligação PSD/PP. Está tudo mal neste país, ainda ontem deixei cair as chaves na sarjeta da rua e suspeito que algum governante esteja envolvido num esquema pois o buraco não devia estar ali. Outros berram pela demissão do Governo, os mesmos que nos tempos de Passos Coelho andavam calados com as medidas que afectavam directamente o bolso dos portugueses e os seus direitos. Antigamente é que era bom, não havia corrupção, o processo dos submarinos e o caso da Tecnoforma eram delírios da oposição. Não havia polémicas na governação, a demissão "irrevogável" de Paulo Port...

Teremos sempre arroz

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Desde Março que ando farto de comer "arroz", não há mudanças na ementa nem novas ideias. Já reclamei com o chefe de cozinha que disse publicamente que promete não meter tanta água no seu cultivo, pois o Natal vai ser semidesconfinado com restaurantes de horário alargado para desenjoar do "arroz" sendo hora de experimentar o polvo, o bacalhau e o peru. Antes desta benesse, o cozinheiro profissional mais os seu ajudantes ministeriais decidiram renovar o Estado de Emergência, o nome pomposo que permite dar umas facadinhas ao regime democrático, nos nossos direitos, liberdades e garantias. Não importa o pandemónio económico, social e afectivo que os confinamentos têm provocado, o arraso de sectores como o comércio, turismo e a restauração, nem a pobreza e a desigualdade que se avizinham, como diria o nosso misericordioso primeiro ministro, imitando o apaixonado Humphrey Bogart, no filme "Casablanca", "teremos sempre arroz" - e outros nem isso!  

Por que não te calas

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O ministro do Ambiente, exibindo os seus dotes de adivinho, considerou que "quem comprar um carro a gasóleo é muito provável que daqui a quatro ou cinco anos não tenha um valor na sua troca". Nós percebemos a intenção ecológica do governante, a transição para a mobilidade eléctrica, mas é caso para perguntar "por que não te calas ". Uma pessoa com as suas responsabilidades não pode ser alarmista nem apoquentar a economia. Duvido que tenha dado o exemplo em adquirir um veículo eléctrico, mas tenho a certeza que a maior parte dos portugueses não tem possibilidades económicas para tal. Desconfio que não conheça a realidade nacional, mas já que está tão por dentro da matéria, explique porque um carro movido a electricidade é tão caro, a razão da fraca durabilidade da bateria, da sua autonomia, se a rede eléctrica do país aguentará o "boom" tecnológico, porque motivo os donos de carros eléctricos vão começar a pagar pelos carregamentos nos postos e quanto ganha...

Inferno de Outubro

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    Quatro meses após os catastróficos incêndios de Pedrógão Grande pensou-se que o inferno não ousaria voltar, puro engano, o mesmo regressou em  Outubro e espalhou-se pelo norte e centro do país. Por muito que se goste deste Governo, algo está a falhar quando são as populações que se transformam em Protecção Civil, abandonadas e enfrentando os fogos. Num país que só se preocupa com Lisboa e Porto, que atrasa a sua Reforma Florestal, que refloresta terrenos com eucaliptos visando o lucro comercial, está sujeito a entrar em combustão e a sumir do mapa. Fala-se de quem ganha com os fogos: madeireiros, imobiliárias, reservas de caça associativa, de empresas privadas contratadas para combater incêndios, mas como diz o outro no sketche, "falam, falam, falam, e eu não vejo ninguém a fazer nada"!