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América e os três mosqueteiros

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Os Estados Unidos da América, a Austrália, o Reino Unido e o Canadá vão boicotar os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, protestando contra a China devido a crimes contra a humanidade e abusos dos direitos humanos. Parece a história do D' Artagnan e os Três Mosqueteiros da hipocrisia, ou não fosse esse grupo um dos principais violadores de direitos humanos em países democráticos. Discriminação racial, marginalização de migrantes e refugiados em situação de vulnerabilidade, xenofobia contra asiáticos, participação em guerras e conflitos que originam deslocados e crises humanitárias. São nações que têm usado a pandemia para restringir direitos básicos, liberdades e garantias dos seus cidadãos, mobilizando militares para aplicar as suas regras e medidas desproporcionais que fazem perder rendimentos. Limitam o direito à saúde que não a Covid, o direito ao trabalho e o acesso ao mesmo, restringem a liberdade de imprensa e a opinião transformando-se eles próprios na ditadura chinesa qu...

Rebelião de palavras

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A detenção de vários activistas políticos em Angola " suspeitos de prepararem um golpe de Estado " fez-me lembrar tempos do Estado Novo, em Portugal, onde um ajuntamento de três pessoas já era considerado uma manifestação, por isso tinha de ser reprimido e neutralizado. Nesta rebelião de palavras, também não faltam jornalistas condenados por "crimes de difamação" por fazerem críticas a membros do Governo, a que se juntam activistas de Direitos Humanos, numa clara violação de liberdade de expressão e de imprensa. Parece que a "democracia" angolana não convive bem com a insatisfação do povo, com a resistência à brutalidade policial no país, com a desigualdade social, com a denúncia de acumulação de riqueza por parte de "amigalhaços" do Governo, com desalojamentos colectivos forçados e demolições de casas que dão lugar a luxuosos condomínios, com a elevada taxa de violência doméstica, com a corrupção que aumenta à medida que o preço do petróleo desc...

O tigre de papel

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                                                                The Christian Science Monitor   A China é de facto um grande país, com uma economia de peso, mas o seu regime político transforma a nação num pequeno tigre de papel que não convive bem com a democracia. Com a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo isso ainda foi mais evidente: a censura rançosa do moderno social-comunismo nos meios audiovisuais, na internet e a tentativa de intimidar os países que marcassem a sua presença em Oslo.  O cúmulo do despeito aconteceu com a criação apressada do Prémio Confúcio da Paz que acabou por ser um contra-senso pois a doutrina filosófica do confucionismo baseia-se na consciência política e no respeito pelos valores morais e sociais. Nem a compra de parte da dívida pública portuguesa pela China poderá jamais branquear o desterro do Dalai Lama, o massacre de Tiananmen e as constantes violações dos direitos humanos de personagens como Liu Xiaobo.

Lembrar Tiananmen

Quando passam 20 anos sobre o massacre de Tiananmen, a China ainda não se libertou dos grilhões maoístas. Pior do que isso, silencia todo e qualquer movimento que vise celebrar a Primavera de 1989, ao ponto de, gerações nascidas após essa data, não saberem o que realmente aconteceu em Pequim. Travestidos de socialistas modernos, o Governo controla minuciosamente a população através do Partido,   aliando-se a políticas repressivas que vão desde campos de trabalho forçados a execuções públicas. Não existe liberdade de expressão nem liberdade sindical   e os meios de comunicação social estão subjugados.   Por mais operações de cosmética que protagonizem, onde os Jogos Olímpicos de 2008 foram o expoente máximo, jamais se libertarão do totalitarismo nacionalista instigador do medo que nem todos os países têm coragem de denunciar mas que um dia a História tratar-se-á de reparar.