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A mostrar mensagens de novembro, 2009

Demência laboral

  Uma fábrica que transforma subprodutos animais decidiu multar os seus trabalhadores se trouxerem a barba por fazer. Duvido que neste regulamento interno tenham sido ouvidos a comissão de trabalhadores ou as comissões sindicais, conforme o Código de Trabalho aconselha, como também acho estranho a administração já ter vindo a público dizer desconhecer esses comunicados. Será certamente um lapso da sua organização interna, semelhante ao imbróglio da atribuição da sua licença ambiental...   Não deixa de ser irónico que, a empresa que mais inferniza a vida das populações dos concelhos da Trofa e da Maia - através do odor pestilento que exala para a atmosfera -, vir preocupar-se com a quantidade de pêlos faciais dos seus empregados, como isso fosse sinónimo de sujidade. Já sabia que alguns enriquecem à custa da exploração animal, só não sabia que também já se enriquece à custa da violação da lei laboral e da flexibilidade.  

Símbolos religiosos e a liberdade individual

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      A deliberação do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, contra a presença de crucifixos nas salas de aula, foi encarada pelo Vaticano e pelo clero português como uma perseguição ao cristianismo. Mais realista, o cardeal patriarca de Lisboa disse que não foi a Igreja que colocou os crucifixos nas escolas, ou seja, compete aos governantes fazer cumprir a lei expressa na Constituição da República - a separação entre credos religiosos e o Estado, no nosso caso, laico. Mais recente, a Lei da Liberdade Religiosa é taxativa: o Estado não pode propagandear ou adoptar qualquer religião. Numa sociedade cada vez mais multicultural, não tem sentido que a maioria e a tradição imponham a sua vontade, oprimindo o direito à diferença. Não serão os símbolos religiosos uma espécie de evangelização forçada em estabelecimentos públicos como escolas e hospitais e, consequentemente, uma castração da liberdade individual?

Simplesmente, Robert

      Robert Enke veio para o Benfica para substituir o extraordinário Michel Preud'homme e não defraudou as expectativas. Pelo seu talento e qualidade foi chamado à selecção alemã, lugar por onde passaram grandes lendas como Harald Schumacher. Terá vivido os dias mais felizes em Lisboa, longe de imaginar a tragédia que iria irremediavelmente afectar a sua vida e da família. Apesar da sua juventude, a adaptação a um novo país e a falta da conquista de títulos desportivos, nunca foi impedimento para dar todo o seu empenho e profissionalismo dentro do campo. Fora dele, era o expoente máximo de bondade, pois dividia-se entre projectos de solidariedade e o amor aos animais, sem esquecer as preocupações com o meio ambiente. Guardarei na memória a chegada à Portela de um Homem com cara de menino, à procura da glória num clube enorme, tão grande como o seu coração.

A crise anunciada

        A crise do Sporting CP não é somente devido às más políticas desportivas mas também devido ao resultado dos dividendos do plano Roquette, denunciado por João Rocha - uma aliança com o amigo FC Porto visando apear o Benfica dos títulos nacionais. Aliás, se reflectirmos bem, o alvo da fúria leonina é sempre o vizinho da 2ª Circular, comprovado pelos discursos miserabilistas do seu presidente, a caminho de ser o mais incompetente da história do Sporting. Um certo aburguesamento dos seus responsáveis e a mania de pensarem que são diferentes, levam o clube a ser relegado para 3º grande de Portugal. O Sporting deve continuar a apostar nos seus escalões jovens de formação, na profissionalização da sua estrutura futebolística - inovando, de forma a arranjar novas fontes de receitas e blindando o clube afim de evitar guerrilhas internas, possibilitando a união de todos os sportinguistas em prol dos objectivos traçados.

O patrão português

  http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/NoticiasDinheiro/2009/10/van-zeller-diz-que-nao-deve-haver-aumento-do-salario-minimo.htm   As palavras do Eng. Van Zeller, Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, de que "os salários baixos são necessários para 25% das nossas exportações", opondo-se veementemente ao aumento do salário mínimo, é de quem fala de barriga cheia, pois não se encontra entre aqueles 300 000 trabalhadores que auferem 450 euros mensais. O senhor saberá que a maior parte dos patrões portugueses tem uma baixa escolaridade aliada a uma ainda pior qualificação profissional? Não será isto o verdadeiro entrave ao desenvolvimento empresarial do mundo moderno e às consequentes exportações que tanto apregoa? No país dos patrões e dos doutores, é bom relembrar que o mero trabalhador é o dínamo de qualquer empresa, e também por isso, deve ser condignamente pago e motivado.  Travestido de "quadro superior", o patrão português almeja ser um empresá...

O regresso do túnel da vergonha

    O País entrou em êxtase com a derrota do Benfica em Braga, a contar para o campeonato nacional de futebol. O País? Não, talvez os adeptos do 2º maior clube nacional: os anti-benfiquistas. Sei que 200.000 sócios devem fazer doer a cabeça a muito boa gente e reduzem alguns à sua pequenez, mas não sabia que na cidade dos Arcebispos se tomavam as dores dos outros. Os caciques do futebol nacional que se cuidem: a mística encarnada que enche estádios está de volta, pronta a triturar esta espécie de aspirantes a papas que fazem do desporto uma guerra e que criam ambientes de inspiração siciliana. Quero acreditar que o apito tendencioso calar-se-á, quando for exposto no exterior e cair no ridículo. Com ele, os lacaios de serviço espalhados pelas diversas áreas da sociedade, agudizarão a caminho do exílio. Portanto, rejubilem enquanto podem...