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Aquela maldita noite

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  Cinco anos e seis mortes depois da tragédia do Meco, convém relembrar mais um episódio negro que ultimamente tem assolado a justiça portuguesa, o arquivamento de um processo sem culpados. No entanto, este tem uma peculiaridade sádica, pois os pais, além de carregarem a dor de perder os filhos, ainda levam em cima com um processo de difamação movido por um magistrado. Parece que é uma heresia fazer críticas à investigação do Estado, descobrir pontas soltas, estranhar-se que a Universidade onde os jovens pertenciam nunca tenha fiscalizado a Comissão de Praxes e só tenha realizado um inquérito 40 dias depois dos factos. A maresia da maldita noite tresanda a praxe, mas na dúvida, a sociedade precisa mostrar que a submissão não é um caminho, denunciar os machos de colher de pau gigante na mão, as veteranas emproadas que berram e humilham, os imbecis que estragam a tradição académica.    

Sacanas sem lei

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  Quinze anos depois do filho ter morrido numa praxe da tuna de uma Universidade , uma mãe é julgada por ter desabafado na comunicação social o que lhe ia na alma e por ter referido alguns nomes que constavam no processo-crime. De entre as 12 pessoas que estavam naquela fatídica noite dentro da sala reservada à tuna e que nada viram, houve um ofendido que pede uma indemnização aquela mãe, imagine-se, por ter de "usar barba e cabelo mais curto para não ser reconhecido" na rua. Coitado do moço, não pode aderir à moda das barbas fartas e por isso quer sacar um dinheiro extra, pobre justiça que não se consegue render às evidências, infelizes reitores que não conseguem acabar com os exageros nas praxes, triste mãe que ainda tem que suportar mais um calvário por causa de uns sacanas sem lei, cobardes, que conspurcam a vida académica.

A maldita onda

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  Dizem que foi a onda, a maldita onda que arrastou para a morte seis jovens naquela madrugada fatídica de Dezembro, na praia do Meco. Mas eu e outros que gostam de levantar vagas recusamo-nos a aceitar que jovens tão bem formados se tenham colocado em tais perigos, iludindo-se em praxes de universidades que mais parecem sociedades secretas. Até lá, até ao dia em que aqueles pais possam ter um esclarecimento satisfatório sobre o que aconteceu, espero que a consciência dos que sabem a verdade os atormente com bastante ondulação.

Capas negras da vergonha

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  A infeliz tragédia do Meco veio reavivar a discussão sobre as praxes. Mais importante do que debater se esses rituais sobre os caloiros são necessários, é apontar a dedo os fanáticos vingativos que foram humilhados no passado, os veteranos autoritários, as autoridades académicas, a praga de prevaricadores que vem distorcendo o modelo coimbrão. Responsabilize-se as reitorias, os órgãos de gestão destas instituições de ensino, nem que para isso se levantem as fundações das universidades, para assim meia dúzia de sádicos não continuarem a conspurcar o universo académico trajados com as capas negras da vergonha.  

Praxes doentias

Finalmente alguém foi castigado por humilhar os caloiros, através de multas pecuniárias. Em nome da tradição académica, uns meninos mimados, emproados, trajados de negro, pensam que a praxe é um circo onde vale tudo: insultos, tratamentos vexatórios e desrespeitosos. Bem sei que nem todos os veteranos são assim mas também acho que nem todos os caloiros têm a coragem para desmistificar o que se passa nas praxes. É o medo reverencial da figura enigmática - o Dux. Quando concluírem os respectivos cursos, e enfrentarem o possível desemprego que grassa neste País, talvez aí esta espécie de estudantes tenha um pouco mais de humildade e humanidade...