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Todos ralham e ninguém tem razão

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Sem se perceber muito bem o limite entre o direito constitucional à greve e o interesse nacional, o Governo decidiu enviar polícias e militares para conduzir camiões carregados de matérias perigosas. Parece que a ditadura do combustível venceu a democracia da Lei do Trabalho e entre ameaças de prisão aos grevistas esquece-se o essencial: aquele velho esquema que muitos patrões usam para fugir aos impostos que consiste em pagar ao trabalhador sob a forma de subsídios. No país do oportunismo onde todos ralham e ninguém tem razão, já existem ideias para atenuar os efeitos de futuras perturbações da vida económica e social. Os farmacêuticos serão substituídos ao balcão por talhantes, os engenheiros civis por trolhas, polícias por armeiros, médicos por enfermeiros, padeiros por banqueiros, coveiros por políticos e jornalistas por estagiários. 

A Corrida Mais Louca do Mundo

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Já começou A Corrida Mais Louca do Mundo aos Combustíveis, numa bomba de gasolina perto de si. Os pilotos são muito estranhos e vão fazer de tudo para abastecer as suas viaturas. O carro do Presidente da República já está atestado como condutor cuidadoso que sempre foi. O bólide do Ministro das Infra-estruturas também já estava precavido desde Julho devido à possível greve dos motoristas de matérias perigosas. Existem outros participantes prontos a encherem jerricãs, os sôfregos do bidão, gananciosos que esgotam o combustível, açambarcadores que armazenam nas arrecadações dos prédios combustíveis líquidos e lutadores nas filas das Áreas de Serviço, dando razão aos poucos que acham que isto não é uma crise energética, é uma crise de valores pronta a inflamar.   

Com papas e bolos se enganam os tolos

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    Enquanto se discute a tragédia do Ronaldo em ter mudado de clube, quase ter ficado desempregado, o parlamento chumbou o projecto de lei que punha fim ao adicional ao Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP). Engraçado que, há dias atrás, todos os partidos, à excepção dos socialistas, defendiam uma redução do ISP, inclusive esse tal projecto de lei que foi agora rejeitado. Hipocritamente, dois dos partidos "amigos dos pobres" que compõem a "gerigonça" mudaram de posição e de voto, esquecendo que o aumento deste imposto, em 2016, com o objectivo de compensar a queda da receita fiscal por causa da redução do preço do barril de petróleo, era temporário e sujeito a ajustamentos. Há gente neste país que se deixa seduzir com papas e bolos, mas há outros que começam a ficar fartos de tanto oportunismo, de tanta patranha política, e não se vão enganar nas próximas eleições legislativas.