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O pedófilo bom e o pedófilo mau

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Passou pelos pingos de água benta, porque agora já não chove, as declarações do bispo do Porto que a respeito dos abusos sexuais na Igreja diz não poder "julgar o passado com os critérios de hoje" nem tampouco os mesmos são "crime público". Eu também acho que os abusos do passado eram apenas "brincar aos médicos" com crianças e tenho a certeza que existe o pedófilo bom - de batina e faixa na cintura - e o pedófilo mau, um cidadão doente, um membro da família, um professor ou um treinador. Em vez de menorizar um crime previsto no Código Penal com este tipo de declarações, em vez de encobrir a violência sexual contra crianças, a Igreja Católica deve deixar o Ministério Público actuar com denúncias ou sem queixas,  de forma a recuperar a sua credibilidade e o retorno e participação dos fiéis que estão fartos destes escândalos.  

Desterro eclesiástico

  http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Conego-da-Se-do-Funchal-deslocado-apos-denuncia-de-pobreza-na-Madeira.rtp&headline=20&visual=9&article=307358&tm=8   Ao fim de dezoito anos de dedicação pastoral, a diocese do Funchal transferiu o cónego Manuel Martins para outra paróquia da Madeira, alegadamente a pedido do próprio. Aparentemente, tratava-se de uma situação normal, no entanto, é bom recordar o passado do padre - crítico com o aumento da pobreza na ilha e, consequentemente, com o governo regional.  De um simples pregador de valores cristãos, tornou-se numa voz incómoda e denunciadora de injustiças sociais. No fundo, é este amor ao próximo que o cristianismo não deveria menosprezar e, muito menos, imiscuir-se com governos déspotas, que fazem lembrar os tempos de concordatas político-religiosas entre o Estado Novo e a Igreja onde o cinismo ditava leis.