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Chamem-me saudosista

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  Morreu o argumentista e produtor britânico David Croft , co-autor de "Alô Alô", série exibida na RTP há uns anos atrás e que retratava através do humor o dia-a-dia de René, dono de um café francês ocupado pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, também existem alguns que fazem o papel da Resistência francesa, combatendo o lixo televisivo refém das audiências, conteúdos de aspecto duvidoso, "reality shows" de corpos moldados pelo ginásio, inchados pelos esteróides e revestidos a silicone.  A geração "amorangada" e mimada, sem referências, não sabe o que perde ao ignorar os anos oitenta, fundamentalmente programas de qualidade feitos em português e séries infantis e de humor como "O Tal Canal", "Sabadabadu", "O Passeio dos Alegres", a "Rua Sésamo" e  "Os Amigos do Gaspar".  

O senhor entretenimento

  Júlio Isidro não é somente um mero apresentador de televisão. Deu cartas na rádio – autor de programas arrebatadores como a “Febre de Sábado de Manhã” – realizador, guionista e produtor. A vida de Júlio confunde-se com a da RTP, pulverizando audiências com programas como o “Passeio dos Alegres”, onde, injustamente, nunca teve um vínculo laboral. Tinha a ideia romântica de que um programa faz-se com qualidade, perfeccionismo, nunca com o pensamento obsessivo em audiências, numa época em que   a reunião de toda a família em volta da televisão era sagrada. Aos 65 anos e com 50 anos de carreira, dedica-se ainda à literatura infantil - um fascínio que nunca escondeu – e à sua outra grande paixão que se chama aeromodelismo. Espero que o homem que   melhor entretenimento faz em   Portugal, como deveria ser reconhecido, continue a ter a veleidade de fazer sonhar as gerações vindouras como fez com a minha.