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A mostrar mensagens de janeiro, 2021

O Novo Estado

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    Os quase 500 mil votos que André Ventura recebeu nas últimas eleições presidenciais escandalizou muita gente que considera a extrema-direita uma ameaça à própria democracia, pois é sinónimo de totalitarismo e desprezadora das liberdades individuais. No entanto, quando repetimos pela décima vez o Estado de Emergência, esses cidadãos indignados submetem-se a uma ditadura sanitária que suspende o exercício de direitos, liberdades e garantias.  Ficam confortáveis com a prisão domiciliária da população, o autoritarismo policial e o controle do Estado, fazendo lembrar tempos não muito longínquos do "pai" disciplinador "casado com a Nação" e do bufo delator. A comunicação social é usada para propagar números drásticos e qualquer discurso que difira dos "especialistas" é censurado e apelidado de "negacionista". Neste prepotente Novo Estado, que deveria ser de excepção, devemos manter bom senso, lamentar os mortos mas sobretudo cuidar dos vivos, jamai...

Disrupções presidenciais

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As eleições presidenciais mostraram que a candidatura de Ana Gomes foi um erro de casting, até Herman José teria melhores resultados, com a certeza que daqui a cinco anos vão apostar no hacker Rui Pinto para Presidente da República. Antigamente, havia o "partido do táxi", agora, o Bloco de Esquerda e o PCP prometem transformar-se no "partido do tuk-tuk". Depois das inúmeras críticas aos jantares-comício de André Ventura, o líder do Chega desta vez cumpriu as recomendações da DGS e em nome do distanciamento social expulsou os jornalistas do hotel que servia de sede à noite eleitoral. Vitorino Silva ficou em último, perdeu na freguesia de Rans, sinal de que os eleitores estavam fartos de pão com manteiga e fiambre e quiseram patê. O CDS e o PSD parecem aqueles jovens que querem fazer parte de um grupo e aparecer afim de ficar com os louros alheios.  O partido da abstenção continua no vermelho e foi um dos grandes vencedores, prova de que aquele movimento de homens e m...

A variante da desgraça

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Deve ser caso único, um Governo fechar escolas por causa da pressão de um Presidente da República, de uma comunicação social irracional, de uma sociedade em pânico - mas que já não se importa com os aglomerados nas urnas de voto -, de docentes e pais ansiosos que transmitem medo aos filhos, para reconhecerem que afinal "as escolas não são nem foram o principal foco de transmissão". Já vamos na variante, um novo traçado para a miséria e desgraça que não oferece caminho alternativo, apenas interrompido por campanhas eleitorais e actos políticos, pois segundo o presidente da Assembleia da República, "o voto é um acto de resistência contra o vírus"! O SNS está à beira da implosão, não porque os portugueses se portaram mal no Natal mas devido ao desinvestimento de sucessivos governos, sacrifica-se os mais velhos pois verificamos que  a mortalidade nos lares de idosos não diminui e agora estamos dispostos a hipotecar o futuro educacional das gerações mais novas, rebentand...

Regresso ao futuro

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Num suposto dia de confinamento, ao ver imagens de milhares de pessoas exercerem o direito de voto antecipado em longas filas, muitas delas sem distanciamento físico algum, potenciando o aumento de infecções da Covid-19, pensei tratar-se de uma cena do filme Regresso ao Futuro, viajando no tempo para um mundo totalmente novo onde o perigo da pandemia já não existia pois a população estava imunizada. Regressando nessa máquina do tempo a 2020, consegui ver que alguns daqueles que se aglomeravam nas mesas de voto eram bufos sanitários, os mesmos que criticaram hipocritamente a festa do Avante, o dia do Trabalhador e os "excessos" do Natal. Perante a gravidade da situação em que vivemos e a consequente falta de racionalidade de tais ajuntamentos, fico à espera de que os especialistas de saúde pública se pronunciem, que os moralistas das medidas drásticas critiquem o "facilitismo" e os "comportamentos irresponsáveis", a não ser que aquela caneta que levaram de ...

Pela coerência, mantenha-se em casa

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    Um surto de Covid-19 infectou algumas monjas que vivem em celas, sem contactos com o exterior, enclausuradas num mosteiro em Campo Maior. Isto para dizer que um vírus respiratório ultrapassa todas as barreiras, mas mesmo assim estamos dispostos a aceitar um novo confinamento limitador das liberdades que vai trazer depressão, pobreza, desemprego, insolvências, colapsando a economia e sobrecarregando a segurança social, apesar de alguns responsáveis da Organização Mundial de Saúde pedirem aos líderes mundiais que parem de usar o confinamento como principal controlo da pandemia. Em 10 meses, o governo não consegue resolver a taxa de mortalidade nos lares mas em meia dúzia de dias prepara os procedimentos eleitorais necessários à recolha de votos dos idosos no próximo dia 24. Agradeço a todos os medrosos partidos portugueses que se mostraram favoráveis ao confinamento, porque eu, como menino bem comportado e submisso, vou aceitar a obrigatoriedade para não agravar a situação pandémica,...

Assalto ao Capitólio

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Donald Trump parece aquela cárie que obriga à desvitalização de um dente em vez da sua extracção. Quando parece que finalmente vai deixar de doer, volta aquela "moedeira" irritante, sinal de que ainda existem bactérias, pois ficaram canais e tecidos por desinfectar. A invasão dos seus apoiantes ao Capitólio, símbolo do idealismo democrático americano, ao tentar impedir a ratificação dos voto das eleições presidenciais que deram a vitória a Joe Biden e a consequente transição do poder, é a prova de que eleger um populista demagogo e insidioso é perigoso. Só lamento que as autoridades policiais, sempre tão nervosas no gatilho para outras ocasiões, tenham deixado conspurcar um local que conta a história dos Estados Unidos e dos seus presidentes.  

Um homem na cidade

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Carlos do Carmo era um homem na cidade, cantava o quotidiano de Lisboa, a sua menina e moça, o Tejo, os seus bairros populares e "os putos deste povo a aprenderem a ser homens". A sua voz contribuiu para o património musical português e depois para que o fado fosse reconhecido como Património Imaterial da Humanidade, internacionalizando-se. Partiu para o Olimpo onde habita Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro, morada de Ary dos Santos, poeta que deu muitas letras aos seus fados, acompanhado pelos gemidos da guitarra portuguesa de "Armandinho" e Carlos Paredes. Carlos do Carmo recriou o fado ao projectá-lo junto de um público mais alargado, para isso incluiu outros instrumentos e mobilizou músicos de outras áreas. "Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera", não morre o fado, o futuro está assegurado por uma nova geração de intérpretes inspirados por um homem que sempre amou a sua cidade e o seu país.