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O criminoso "bom"

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  Guardem o gesso, a pedra, a madeira, o ferro e o mármore, afinal a estátua prometida pelos cidadãos justiceiros ao Rui Pinto, o hacker mais famoso de Portugal, já não será erguida. O "criminoso bom", que afinal não é nenhum denunciante, foi condenado a uma pena de prisão de quatro anos, suspensa na sua execução, tendo escapado à prisão efectiva devido à Lei da Amnistia. Seguem-se as cenas dos próximos capítulos, traduzindo, mais processos, e se entretanto não vier mais nenhum Papa a Portugal distribuir perdões, tirando aquele que vive no norte do país, talvez se castigue a sério quem fez do seu modo de vida o acesso ilegítimo a sistemas informáticos de empresas e entidades, vasculhando a vida pessoal de cidadãos, juízes, procuradores e jornalistas, à procura de macacos no sótão.

Cidadão justiceiro

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  Foi desmentida a notícia colocada na comunicação social de que a PJ (Polícia Judiciária) iria recrutar o pirata informático Rui Pinto para ser investigador do Estado com ordenado, casa e despesas pagas com o dinheiro dos nossos impostos! Fico satisfeito em saber que a polícia de investigação criminal não precisa de contratar um cibercriminoso que faz da extorsão e chantagem o seu modo de vida, mas fico surpreendido com a quantidade de pessoas que desejava a notícia como verdadeira para "acabar com a corrupção", isto dito por honestos cidadãos justiceiros que proferem sentenças mas geralmente são os mesmo que enganam a segurança social, burlam o fisco, metem uma cunha para os seus interesses e viajam sem pagar o transporte público.

Os fins justificam os meios

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Há uma chusma de gente que quer comparar Assange e Snowden, denunciantes que têm acesso legal a informação e a relatam voluntariamente às entidades competentes, com Rui Pinto, o pirata informático que tentou tirar proveito financeiro através de extorsão da forma tentada sobre as instituições que ilegalmente invadiu, razão porque está preso. Outros queixam-se quando existe uma violação da Lei Sobre a Protecção de Dados Pessoais, da devassa da sua correspondência electrónica, mas querem beatificar um delinquente que faz precisamente isso, mesmo que as revelações não se relacionem com denúncia relevante. Há um grupo de cidadãos justiceiros que acha que se deve erguer uma estátua a "criminosos bons" que libertam informação selectiva pois para eles os fins justificam os meios!

Quem quer casar com o hacker

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Depois de tantos "reality show" degradantes na televisão portuguesa podíamos juntar o "Quem quer casar com o hacker".  Para que não digam que há discriminação de género, as candidaturas estariam abertas a ambos os sexos. O programa seria um êxito de audiências pois este solitário é considerado por estas bandas como uma espécie de Messias, o homem que vai terminar com a seca no país, a pessoa que vai acabar com a corrupção na humanidade e desmascarar os podres do futebol, e se alguém pagar por isso, ainda melhor. Os pretendentes têm que ser denunciantes de agenda, doutorados em espreitar fechaduras digitais e peritos no assopro, nem que seja em pó doméstico. No fim, os espectadores vão ficar rendidos a tanto altruísmo, o escolhido cumpre o objectivo do tele-lixo que é a exaltação do cidadão-justiceiro, a teoria de que os fins justificam os meios e que a pirataria informática é uma actividade nobre elevada à condecoração!