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Porto Seguro

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Os resultados das últimas eleições presidenciais levaram a democracia até um porto Seguro, apesar de muitos "marinheiros de água doce" prometerem outras rotas, no ponto mais distante, à direita. Sabemos que é um refúgio temporário, cada vez mais existem tempestades populistas e correntes fortes originadas por ventos de Oeste que ameaçam o navio. Aproveitemos este tempo de escala, segurança e estabilidade dada pelo novo comandante com sentido de Estado para preparar uma nova viagem por mares tortuosos, sabendo que os piratas modernos estão sempre à espreita, prontos a desrespeitar as liberdades fundamentais e a subverter a democracia. 

Os fascistas do futuro

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  Não tenho qualquer simpatia por André Ventura nem pelo seu partido mas desatei a rir quando soube que Ana Gomes quer ilegalizar o Chega por causa da sua ideologia ligada à extrema direita, isto vindo de alguém com um passado ligado a um partido de extrema esquerda, sem falar no desrespeito para com meio milhão de portugueses que votaram nas últimas presidenciais, a não ser que considere que existe igual número de fascistas em Portugal, nomeadamente no Alentejo. Alguém disse que "os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas", respeitando a democracia só quando convém, ignorando o Tribunal Constitucional e a vontade dos cidadãos que estão fartos da classe de políticos profissionais de discursos ocos à qual Ana Gomes pertence. Silenciar e ilegalizar estes fenómenos em vez de saber o porquê de tanto descontentamento político é como tentar cortar os membros de uma hidra mitológica e vê-los crescer cada vez mais.    

O Novo Estado

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    Os quase 500 mil votos que André Ventura recebeu nas últimas eleições presidenciais escandalizou muita gente que considera a extrema-direita uma ameaça à própria democracia, pois é sinónimo de totalitarismo e desprezadora das liberdades individuais. No entanto, quando repetimos pela décima vez o Estado de Emergência, esses cidadãos indignados submetem-se a uma ditadura sanitária que suspende o exercício de direitos, liberdades e garantias.  Ficam confortáveis com a prisão domiciliária da população, o autoritarismo policial e o controle do Estado, fazendo lembrar tempos não muito longínquos do "pai" disciplinador "casado com a Nação" e do bufo delator. A comunicação social é usada para propagar números drásticos e qualquer discurso que difira dos "especialistas" é censurado e apelidado de "negacionista". Neste prepotente Novo Estado, que deveria ser de excepção, devemos manter bom senso, lamentar os mortos mas sobretudo cuidar dos vivos, jamai...

Nunca caminharás sozinho

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O professor Diogo Freitas do Amaral não foi um político, foi um patriota que susteve os radicalismos que se seguiram  ao 25 de Abril. A experiência de vida reformulou os seus ideais políticos, o que lhe permitiu percorrer os corredores labirínticos da Esquerda e da Direita mas sempre com a generosidade de servir a causa pública. Ao contrário do que dizem, nunca esteve politicamente só, nem quando os seus amigos Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram, nem quando lhe retiraram o quadro da sede centrista, porque um homem que vive para a democracia sem estar amarrado a ideologias políticas e que vive com liberdade de pensamento para questionar nunca caminhará sozinho.   

Pai herói

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    Mário Soares combateu sempre ao lado dos bons, contra uma ditadura salazarista e contra uma possível ditadura militar ou de esquerda. É aquela figura paternal que sabia que não podíamos continuar orgulhosamente sós, o progenitor da adesão à União Europeia, o pai herói que nos educou de forma a vermos que o bem mais precioso que existe é a liberdade. Um protector para aqueles que pensam diferente de nós, um criador dos alicerces desta democracia, tolerante com os adversários e com o ressentimento dos retornados das ex-colónias. Tenho a certeza que, se regressasse novamente a Santa Apolónia no "comboio da liberdade" faria tudo da mesma maneira.

Gritar por liberdade e democracia

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  Eu não quero voltar a uma ditadura de inspiração fascista, quero continuar a celebrar o 25 de Abril. Eu não quero ter um governo de propaganda, narcisista, à moda norte coreana, que deporta e prende alguém por ter uma opinião política discordante. Eu estou farto de ouvir que "antigamente é que era bom", que o "salvador" nos impediu de entrar na II Guerra Mundial mas afinal investiu numa guerra colonial, que apesar de haver fome, miséria, e acesso limitado aos serviços de saúde e educação, havia "disciplina nas finanças públicas". Eu não suportaria uma polícia política criminosa alavancada nos bufos de esquina, com o silêncio compactuante da Igreja, porque gosto de saborear a liberdade e gritar por democracia.

O vencedor anunciado

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  Luís Filipe Vieira foi eleito pelos sócios do Benfica para o seu quarto mandato na presidência do clube. A maioria escolheu a continuidade, a gratidão por quem salvou o clube da extinção, evitando os recentes erros do vizinho da 2ª Circular e mostrando claramente que a democracia não é imposta pela lei do petardo nem pela ameaça de tiro ao joelho. Só lamento o facto de, entre tantos milhões, não aparecerem mais candidatos de projectos credíveis, coincidências de outros tempos onde os "notáveis" também assistiam de poltrona à delapidação do clube nas presidências de Damásio e Vale e Azevedo. A exploração dos direitos de transmissão televisivas no canal do clube, o sucesso desportivo em várias modalidades, a credibilização e a constante renovação do clube, as vendas milionárias de jogadores e a diminuição do passivo são desafios que o Benfica tem de continuar a encarar como prioritário.

Ventos do Saara

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    É altura dos puritanos decidirem se a UE e os EUA devem intervir no Egipto - sendo acusados de ingerência nos assuntos internos de outros países e sorvedouro dos recursos naturais dos mesmos - ou esperarem sentados que ocorra uma espécie de 25 Abril feito na  internet e terminando num banho de sangue. Acho que o Ocidente não deveria agir de forma tão denunciada no Cairo pois certamente haverá alguém que represente a ambição legítima e democrática do povo egípcio, homens como Wael Ghonim e Khaled Said que não têm nada a haver com o fanatismo religioso de uma irmandade qualquer nem tampouco com a política.  

Repúblicas e Monarquias

Mais importante do que saber qual será a forma de Governo mais apropriada - a Monarquia ou a República - é saber qual beneficia mais a sociedade, e neste aspecto, o voto, como opção de escolha, é decisivo para quem aprecia a democracia. Não que a monarquia não tenha tido sucesso em países do norte da Europa, mas nem todos os povos são culturalmente mentalizados para aceitarem dinastias hereditárias onde não existe limite de mandatos, no caso específico dos monarcas.   Também por isso, não se compreende como ultimamente têm surgido no nosso país movimentos de apoio à causa monárquica sem terem a mínima noção daquilo que professam. Talvez pensem que é chique a subalternidade ao rei ou a sede de protagonismo das suas acções levem as pessoas a pensar que realmente têm sangue azul.

Escrita e vida inseparáveis

    Ao fim de trinta e quatro anos, Manuel Alegre sai do parlamento mas com a sensação do dever cumprido como deputado. Ao contrário de muitos, foi fiel aos seus mandatos, não acumulando a função parlamentar com cargos nos sectores privado e público. O seu percurso académico, ligado ao movimento estudantil contestatário do Antigo Regime, traçou-lhe o destino. O exílio não lhe calou a voz nem a sua poesia, inspirando cantores de intervenção como José Afonso. Um homem intenso, de causas, que não hesitava entrar em conflito ideológico com o partido para não desapontar os cidadãos. Alegre diz que a escrita e vida são inseparáveis, eu digo que a democracia e a liberdade andam de mãos dadas.

Atentado à democracia

A vitória de Hugo Chavez no referendo que lhe deu a possibilidade de se poder candidatar eternamente à presidência da Venezuela é o expoente máximo da obsessão pelo poder político. Fala em nome da revolução de Bolívar esquecendo-se que esta era baseada em ideais de liberdade democrática e não em tiranias. A linguagem populista, e por vezes insultuosa, não pode  deixar ninguém indiferente, mas muito bem espremida não passa de demagogia. Uma perigosa autocracia socialista corre o risco de tomar conta dos destinos da América do Sul ao melhor estilo das antigas ditaduras do bloco de leste. Reconheço que tentou combater a pobreza e a miséria mas tenho receio das reais intenções que se escondem por detrás do constante engodo ao povo. E este, sabe-se, é muito influenciável, ainda para mais matraqueado pelo permanente discurso revolucionário pró-castrista.