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Queixosos e sem memória

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  Os portugueses queixam-se de tudo, do ronronar do gato do andar de cima que parece um motor, do estridente cantar do galo da vizinha, do barulho dos feirantes e, imagine-se, até dos apoios extraordinários que receberam do Governo no ano passado. Suponho que seja melhor ficar sem os subsídios de férias e de Natal ou levar com as mais pesadas medidas de austeridade das últimas décadas, como nos saudosos tempos da coligação PSD/PP. Está tudo mal neste país, ainda ontem deixei cair as chaves na sarjeta da rua e suspeito que algum governante esteja envolvido num esquema pois o buraco não devia estar ali. Outros berram pela demissão do Governo, os mesmos que nos tempos de Passos Coelho andavam calados com as medidas que afectavam directamente o bolso dos portugueses e os seus direitos. Antigamente é que era bom, não havia corrupção, o processo dos submarinos e o caso da Tecnoforma eram delírios da oposição. Não havia polémicas na governação, a demissão "irrevogável" de Paulo Port...

Remodelações no Governo

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  Acho que as recentes remodelações no Governo não foram suficientes pois houve poucas mudanças. Eu propunha para secretárias de Estado das Pescas e da Agricultura as irmãs do Ronaldo, muito activas em discussões ruidosas nas redes sociais. Joe Berardo também poderia ser membro do Governo como Ministro da Cultura pois tudo em que toca transforma em arte moderna, principalmente quando lida com bancos. Para Ministro da Defesa Nacional, nada melhor do que a contribuição de Nuno Rogeiro devido aos seus conhecimentos geoestratégicos, comprovado pelo seus comentários acerca da guerra na Ucrânia. Como Ministro da Administração Interna sugeria o chefe da polícia dos bons costumes iranianos para vigiar as regras de vestuário e comportamento, pois nunca se viu tanta gente a usar chinelos de dedo em pleno Inverno!

O regresso das cassetes

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  Preparem os antigos rádios leitor de cassetes, está a chegar bom material que pode fazer renascer este mercado pois não há nada mais agradável do que enrolar a fita de cassete com a ponta de um lápis. O PCP mudou de secretário-geral mas a música parece ser a mesma, ultrapassada, com pouca qualidade de som e a dificuldade em mudar de faixa. Um walkman portátil também vai fazer jeito para ouvir os áudios de Donald Trump, agora que anunciou a sua terceira recandidatura à Casa Branca com a mesma música gravada de sempre, "trazer a América de volta". Com a cassete do futebol no Catar gravada pelas estridentes "ronaldetes" de serviço, esquece-se o aumento do custo de vida em Portugal, o aumento do preço dos combustíveis, a inflação, o preço dos bens essenciais, a privação material, as  dificuldades em pagar a prestação ou renda de casa, a luz e a água.    

Mudam-se os tempos

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  Antigamente, fazia-se teste de ADN de paternidade para comprovar se um individuo era ou não o pai biológico de uma criança com vista ao apoio emocional e afectivo. Agora, graças a Tchizé dos Santos, faz-se testes de ADN aos irmãos com vista à sobrevivência financeira. Antigamente, a Volta a Portugal era dura, as bicicletas eram pesadas e os ciclistas comiam bananas, marmelada e açúcar antes das provas. Agora, as etapas têm menos montanha, as bicicletas são mais leves e alguns ciclistas comem arroz de cabidela antes das provas, pois só assim se compreende os sacos de sangue encontrados num hotel onde uma equipa de ciclismo com nome de marca de vestuário estagiou. Antigamente, se não regressasse ao trabalho depois das férias era despedido, agora, se for um futebolista famoso a alegar "motivos pessoais" até posso ficar eternamente sem voltar!

Este país não é para orelhudos

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Nunca como hoje se ouviu falar tanto de orelhas em Portugal, imaginei que fosse bullying, até pensei que fosse algum novo prato de culinária portuguesa que merecesse o título gastronómico de Património da Humanidade. Afinal não era a orelheira, era o apelido de alguém que tem orelhas grandes, muito chispe, mas cérebro pequeno pois anda sempre metido em problemas com a justiça. Este país já não é para orelhudos, longe vão os tempos que abraçávamos o tímido e doce rato orelhudo chamado Topo Gigio que mandava as crianças para a cama ou acolhíamos em nossa casa um ser amigável de outro planeta chamado ALF que comia gatos e tinha orelhas gigantes, sem esquecer as orelhas pontiagudas do personagem da série de ficção científica "Star Trek" chamado Mr. Spock.

Planeta dos Macacos

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Sonhei que a varíola dos macacos é um plano que pretende trocar os papéis de humanos e símios e pôr o planeta a ser dominado por macacos. Até que era engraçado, já viram uma claque de futebol a mudar o nome para "super-macacos", um grupo de primatas despachando processos em tribunais com os quatro membros em simultâneo mais a cauda contribuindo para acabar com a lentidão na Justiça. Os Centros Comerciais  ficarem vazios pois seria obrigatório passar mais tempo nas árvores do que dentro de shoppings e os dentistas ficarem sem clientes devido à dentição completa de tanto mamífero. A ameaça nuclear jamais existiria pois não sabem que botão apertar e a indústria cinematográfica e literária ganharia um novo impulso à custa de novas versões de filmes e obras como o "Macaco e os Três Mosqueteiros", "Harry Potter e o Macaco de Azkaban", "A Branca de Neve e os Sete Macacos", "O Macaco dos Anéis" e "O Resgate do Macaco Ryan"! Perante es...

Façam as vossas apostas

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Aproximam-se tempos de grandes decisões no país, é hora de fazer apostas responsáveis pois as possibilidades de ganho são grandes. Fazem-se prognósticos pelo combate de artes marciais entre o ex-juiz Rui Fonseca e Castro e o director nacional da PSP, Magina da Silva. Avalia-se, em casa, na companhia de um balde de pipocas, o combate político pela liderança do PSD na categoria "peso-pluma" entre Rui Rio e Paulo Rangel, e o outro combate na categoria "médio pesado" entre "Chicão" e Nuno Melo, do CDS. Existem ainda "super odds" acima da média para apostar no desafio entre o Governo e os partidos de esquerda pela aprovação do Orçamento de Estado e um prémio para quem acertar se será a CP ou a TAP a rebentar com o erário público. As estatísticas ajudam-nos a apostar quem será o próximo a fugir do país, quantos médicos e enfermeiros sairão do SNS e os valores máximos a que vai chegar o gasóleo, gasolina, gás e electricidade. 

A chave do sucesso

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  Reflecti sobre a fraca prestação da Selecção portuguesa no Europeu de futebol e há coisas que têm de mudar. Precisamos do vice-almirante Gouveia e Melo como treinador e do seu camuflado que futuramente tornar-se-á tão icónico como o sobretudo cinzento do José Mourinho. A chave do sucesso passaria por contratar Manuel Luís Goucha como consultor de moda e alterar aquele feio equipamento azul turquesa com listas horizontais. Cristina Ferreira também podia relatar os jogos devido ao poder das suas cordas vocais e na área da nutrição desportiva, o subdiretor-geral da Saúde, Rui Portugal, introduziria as famosas compotas antes dos jogos. Rosa Grilo podia ajudar na pontaria às balizas, e na área médica, Paulo Portas é imprescindível devido aos seus conhecimentos em virologia mas também na logística, nomeadamente em viagens de barco, sendo obrigatório convocar para a equipa das quinas o líder do CDS-PP, "Chicão", habituado a fintar dentro de um táxi!  

Mudam-se os tempos e as vontades

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    Antigamente os furacões só varriam terreno americano, agora também destroem Portugal com violentíssimas rajadas de vento. Antes, dizia-se que não havia "toupeiras", os presidentes dos clubes de futebol "adivinhavam" que tinham de fugir para Vigo para escapar aos mandados de detenção, agora apresentam-se voluntariamente nos departamentos de investigação por caridade. Dantes, uma violação era sempre uma violação, independentemente dos protagonistas, agora se o violador for famoso e pagar um acordo de silêncio a culpa é da vítima. Noutros tempos, não havia turistas em Lisboa e no Porto, agora os estrangeiros expulsam os habitantes das zonas históricas. Em tempos passados, os clubes gozavam com os adversários através de cânticos insultos às mães sem serem punidos, agora são multados pela difusão de um belo ‘pasodoble’. Parafraseando Camões, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.  

Lixo tóxico

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Parece que as agências de "rating" continuam a colocar Portugal no "lixo" . É normal, a actividade de certos humanos, produtores de resíduos, transformaram este país num gigantesco aterro sanitário. A imundície começou com os resíduos sólidos urbanos do BPN, apesar da tentativa falhada de compostagem por parte de correligionários do partido que hoje está no Governo. Segui-se o entulho inorgânico dos submarinos, descarregados pelo então ministro da Defesa, que ainda hoje expele um estranho odor a metano. A seguir, os resíduos especiais perigosos para a saúde das contas públicas: o   buraco gerado pela dívida da Madeira e as PPP  (parcerias público-privadas), iniciadas em 1995 com as pontes de Lisboa. Por fim, o lixo "tóxico" do BES que pode vir a ser reciclado pelos contribuintes, imagine-se, já que a sua incineração é impossível!  

Desplante americano

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  A América, esse demónio que nos tenta através da sua maravilhosa literatura, da música, dos filmes, que nos obriga a consumir tabaco, refrigerantes e "fast-food", acaba de descobrir uma espécie de soro que impede a evolução do vírus Ébola. Num acto egoísta, sem pompa e circunstância,  informa toda a comunidade científica internacional da descoberta, a única esperança de cura em 40 anos! Veja-se o desplante, depois de ser o país que mais disponibiliza ajuda humanitária e financeira ao exterior, ainda tem tempo para salvar milhares de vidas no continente africano, no pior surto de sempre da doença.