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Deixem os jornalistas em paz

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Tenho a certeza que a maior parte dos portugueses confia mais nos jornalistas do que nos políticos, mesmo que o primeiro-ministro critique o ritmo "ofegante" do jornalismo e imagine perguntas "sopradas" ao auricular. Acredito que a grande maioria dos jornalistas respeita o seu Código Deontológico, ao contrário de muita da classe política que não cumpre os princípios gerais do Código de Conduta dos Deputados à Assembleia da República, comprovado pelos inúmeros casos de prevaricação e corrupção. Luís Montenegro e os restantes políticos devem deixar os profissionais da comunicação social fazer o seu trabalho democraticamente, não soprando nos bolsos dos cidadãos com ofegantes impostos, mas realizando as promessas eleitorais de interesse público.

Futuro incerto na imprensa

  A decisão dos jornalistas e demais trabalhadores de um jornal diário português em aceitarem a redução da remuneração individual abre um precedente grave, e mais importante, não resolve nada, apenas adia temporariamente uma situação inevitável. Significa que basta pressionar as redacções em forma de ameaçadores ultimatos e acenar com o despedimento colectivo mandando às malvas o código de trabalho. A crise económica mundial e o prejuízo de 4 milhões ao ano do jornal, parecem querer justificar tudo menos as mordomias das chefias que deveriam ser os primeiros a darem o exemplo e a sacrificarem-se. Administradores brilhantes que nunca ouviram falar de inovação e motivação dos seus funcionários numa comunicação social cada vez mais monopolizada. Se calhar, para estes, o importante é distribuir o jornal gratuitamente nos hipermercados do accionista.

Comunicado oficial dos jornalistas despedidos do Janeiro

    1 Mais de um mês volvido sobre o despedimento ilegal de 32 jornalistas de O Primeiro de Janeiro e mais alguns funcionários, a Administração do jornal ainda não pagou os salários em atraso aos trabalhadores, designadamente o remanescente do mês de Junho e o mês de Julho completo, conforme havia sido prometido por duas pessoas que actuaram como porta-vozes da administração.     2 Durante o dia de hoje, foi feita mais uma tentativa de diálogo com a Administração. Um grupo de jornalistas – acompanhado por funcionários despedidos de outros sectores de O Primeiro de Janeiro – deslocou-se às instalações da empresa, na Rua de Santa Catarina, mas a resposta que obteve foi de novo um adiamento do prazo para o pagamento das remunerações em falta. Refira-se que no dia em que foi anunciada a suspensão de O Primeiro de Janeiro, a então directora do jornal, Nassalete Miranda, garantiu aos jornalistas em plena redacção, e em nome da Administração, o pagamento das verbas em atraso.   3 A...