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Nuno Guerreiro

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Em Agosto do ano passado, nas Festas da Cidade de Valongo, assisti a um concerto de Nuno Guerreiro, envolvido no projeto “Zeca Sempre”, ao lado de outros cantores que revisitavam a obra de José Afonso. Presenciei a sua voz inconfundível que se sobrepunha aos outros músicos do grupo, o seu talento que enchia o palco de luz e aquecia a noite fria. Perdeu-se uma da maiores vozes da música portuguesa, uma alma sensível e diferente que nunca renegou as suas origens.

O último Natal

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    A ironia de morrer no dia 25 de Dezembro, quando uma das suas canções mais famosas era sobre a época natalícia, tocando nas rádios ano após ano. Pode ter sido o último Natal de George Michael ( Last Christmas ), mas perdurarão eternamente as boas memórias dos maravilhosos anos 80, de despreocupações, da moda da ganga rasgada e do brinco em forma de cruz, na orelha. Nos anos 90 reinventou-se mas manteve a qualidade da sua composição musical, décadas de bandas sonoras de muitas vidas produzidas por um dos maiores músicos da pop do século XX.

Heróis por toda a eternidade

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  Chamavam-lhe o "camaleão" mas para mim David Bowie  era um mutante alienígena que trouxe conhecimento e inovação ao mundo terrestre do "rock and roll". O músico marcou e continuará a marcar gerações, vidas coloridas por melancólicos decibéis que viajavam entre o "pop", o "soul" e o "punk", pela fúria electrónica, por baladas arrebatadoras, por bandas sonoras que fazem parte da nossa essência. Em Bowie, a condição humana liberta-se na arte, pela pintura, pelo cinema e teatro, pela moda, por personagens e comportamentos reprimidos, pois sempre fomos rebeldes, indomáveis, heróis como este, não apenas por um dia mas por toda a eternidade.  

"Pimba" revisitado

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      Aquele que é considerado um dos melhores músicos de sempre fez recentemente 65 anos mas pouco destaque teve no nosso país. David Bowie é um artista completo, inovador da sua imagem e da sua música que ainda hoje se mantém actual. Revolucionou o rock, a cultura pop, o punk e a arte, mas parece não ter influenciando uma geração portuguesa "amorangada", sem referências, que idolatra personagens a que a comunicação social chama de "cantores" mas que apenas vão mexendo os lábios, figuras cómicas como Bieber, o clã Carreira e tantos outros que deturpam o conceito de música e poluem o ambiente sonoro com esta espécie de "pimba" revisitado para meninos do papá.

O músico poeta

Quando passam 80 anos sobre o nascimento do músico José Afonso, é bom relembrar às actuais gerações quem foi o genial poeta que renovou o conceito de música popular portuguesa. Mais do que um mero activista de esquerda, lutou pelos oprimidos com total desprendimento material. Era um homem simples, dispensava a formalidade do traje académico e o estatuto de vedeta. Adorava o contacto com a natureza, e acima de tudo, o conceito de liberdade, pois só assim se pode explicar a sua não filiação em partidos políticos e a consequente imposição de amarras ideológicas. Nunca esqueceu o grande amor da sua vida - Coimbra. Foi detido várias vezes e impedido de praticar a docência só porque manifestava a sua opinião crítica. Mas como disse o Zeca, "não me arrependo nada do que fiz".      

Michael Joseph Jackson (Gary - 1958 / Los Angeles - 2009)

    Uma criança num corpo de um adulto. Era assim Michael Jackson. A sua candura contrastava com a atitude arrebatadora que exibia em palco, uma espécie de predestinado com um talento invulgar e que enfeitiçava todas as gerações. A educação rígida traçou-lhe o futuro mas sonegou-lhe a infância, enquanto o seu direito de viver recatado era ameaçado à medida que os holofotes da fama acompanhavam o seu crescimento. Pulverizou recordes de vendas mas também era o primeiro a dizer presente às causas humanitárias onde terá doado milhões de dólares. A sua timidez, e porque não dizer a sua extravagância, originavam todos os tipos de rumores, nunca provados. Goste-se ou não do estilo, revolucionou o mundo do entretenimento artístico e musical impulsionando de vez o respeito e o reconhecimento pela cultura negra.