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Políticos e cidadãos de bem

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A figura do chamado "político de bem", eleito por "cidadãos de bem" que foram seduzidos por "discursos de bem", chegou a Portugal através dos populistas do Chega. Ultimamente, a tal alternativa política da moralidade e dos bons costumes anda mergulhada em polémicas e os seus deputados têm ou tiveram problemas com os tribunais em Portugal. Reparem na hipocrisia, os políticos e os "cidadãos de bem" apontam o dedo aos outros porque acham-se superiores, representantes da sociedade ideal, mas fazem pior ou igual aos "impuros". Este texto foi escrito por um "cidadão do mal" para ser lido por "políticos de bem" e "pessoas de bem".  

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

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No espaço de aproximadamente uma semana, várias polémicas do estilo "faz o que eu digo, não faças o que eu faço", abalam a vida política portuguesa. Primeiro, o caso das malas alegadamente roubadas dos tapetes rolantes nos aeroportos de Lisboa e Ponta Delgada, por Miguel Arruda, deputado do Chega, partido que bate no peito pelo combate à criminalidade. Soube-se também que o Bloco de Esquerda terá despedido cinco trabalhadoras que tinham sido mães há pouco tempo, de tal modo que estavam ainda a amamentar, isto vindo de um partido que defende acerrimamente legislação laboral para grávidas e lactantes. Por último, confirmou-se que o secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território, Hernâni Dias, criou duas imobiliárias que podem vir a beneficiar com a nova lei dos solos, sendo que é secretário de Estado do ministério que tutela essas alterações.

Hipocrisia política e social

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Não tenho memória de ver uma campanha para as legislativas de tão baixo nível, de um jornalismo vulgar, de debates televisivos com ataques pessoais entre os líderes partidários, combates políticos do vale-tudo e com argumentos pouco esclarecedores, como também não recordo ver tantos canais informativos dependentes do poder político e com falta de comentadores isentos. Lembro-me bem da classe política que aprovou inúmeros estados de emergência que  suspenderam o exercício dos direitos, liberdades e garantias, de terem criminalizado a violação de dever do confinamento, dos "agentes de saúde pública" terem multado quem comia umas gomas na rua e umas sandes no carro, de cidadãos a denunciar vizinhos, para agora inexplicavelmente autorizarem os isolados e infectados a votar presencialmente. Perante tanta contradição, no próximo dia 30 resolvi isolar-me de tamanha hipocrisia política e social.

América e os três mosqueteiros

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Os Estados Unidos da América, a Austrália, o Reino Unido e o Canadá vão boicotar os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, protestando contra a China devido a crimes contra a humanidade e abusos dos direitos humanos. Parece a história do D' Artagnan e os Três Mosqueteiros da hipocrisia, ou não fosse esse grupo um dos principais violadores de direitos humanos em países democráticos. Discriminação racial, marginalização de migrantes e refugiados em situação de vulnerabilidade, xenofobia contra asiáticos, participação em guerras e conflitos que originam deslocados e crises humanitárias. São nações que têm usado a pandemia para restringir direitos básicos, liberdades e garantias dos seus cidadãos, mobilizando militares para aplicar as suas regras e medidas desproporcionais que fazem perder rendimentos. Limitam o direito à saúde que não a Covid, o direito ao trabalho e o acesso ao mesmo, restringem a liberdade de imprensa e a opinião transformando-se eles próprios na ditadura chinesa qu...

Vizinhos pobres e ricos

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Imaginem os vossos vizinhos ricos ocuparem o pobre quintal onde moram e fazer uma festa de comes e bebes durante alguns dias, infringindo uma série de regras que estavam definidas, nomeadamente a limitação de ajuntamentos, a proibição do consumo de bebidas alcoólicas em espaços ao ar livre de acesso público e o distanciamento físico. É chamada a polícia, os mesmos agentes que há uns meses atrás multaram o dono do quintal por estar a comer gomas ao pé de uma máquina de vendas, e que nada fazem perante tal algazarra. Foi isto que aconteceu no Porto com os festejos da Liga dos Campeões, uma execrável diferença de tratamento, de critérios, entre vizinhos pobres e ricos, começando na chacota feita aos portugueses, passando pelo pedantismo do Governo, da FPF (Federação Portuguesa de Futebol) em relação à UEFA, depois de reclamar o regresso do público português aos estádios, e acabando no total descrédito da Direcção-Geral da Saúde, sem esquecer os populistas que diziam sentir vergonha com ...

Indignados mas com falta de memória

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Foi preciso aparecer a decisão instrutória não definitiva da Operação Marquês para muitos indignados só agora acharem que o sistema de justiça está doente e precisa de reforma. Os revoltados e os peticionários querem queimar o juiz na fogueira inquisitória e ameaçam invadir as ruas. Certamente andam com falta de memória pois não vi tal agitação social no passado perante outros escândalos políticos como o caso Tecnoforma, na ilegalidade na atribuição de fundos públicos envolvendo precisamente um ex-primeiro-ministro, no caso dos submarinos, comprometendo um ex-ministro da Defesa, relativamente ao processo de um concurso público para a aquisição de dois barcos e no caso dos Vistos Gold, implicando um ex-ministro da Administração Interna, com os desfechos que todos nós estamos habituados.    

Regresso ao futuro

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Num suposto dia de confinamento, ao ver imagens de milhares de pessoas exercerem o direito de voto antecipado em longas filas, muitas delas sem distanciamento físico algum, potenciando o aumento de infecções da Covid-19, pensei tratar-se de uma cena do filme Regresso ao Futuro, viajando no tempo para um mundo totalmente novo onde o perigo da pandemia já não existia pois a população estava imunizada. Regressando nessa máquina do tempo a 2020, consegui ver que alguns daqueles que se aglomeravam nas mesas de voto eram bufos sanitários, os mesmos que criticaram hipocritamente a festa do Avante, o dia do Trabalhador e os "excessos" do Natal. Perante a gravidade da situação em que vivemos e a consequente falta de racionalidade de tais ajuntamentos, fico à espera de que os especialistas de saúde pública se pronunciem, que os moralistas das medidas drásticas critiquem o "facilitismo" e os "comportamentos irresponsáveis", a não ser que aquela caneta que levaram de ...

Populistas indignados

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  Depois das insanas críticas à realização da Festa do Avante feita por populistas indignados, fiquei surpreendido com o silêncio ensurdecedor dos mesmos perante a enchente que se verificou, em Fátima, no passado dia 13, e mesmo com a realização de touradas e eventos que a DGS insiste em privilegiar. Foi preciso António Costa envolver-se, como cidadão e sócio, nas eleições de um clube de futebol, para outros populistas ainda mais indignados descobrirem que existe relações perigosas entre a política e o futebol. Homessa, onde andavam tais revoltados quando havia jantares entre presidentes de clubes e deputados no restaurante da Assembleia da República, onde estavam quando vários agentes acumulavam cargos políticos com cargos desportivos, como procedem quando um órgão de um determinado clube está pejado de autarcas, ex-autarcas e deputados, como reagem quando um político se transforma num hooligan, como se sentem quando são oferecidos centros de estágio pagos pelo erário público?

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (II)

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Fiquei emocionado com tanto altruísmo de uma chusma de gente que decidiu que as férias dos portugueses devem ser passadas no próprio país, uma espécie de "vá para fora cá dentro" pelos destinos de campo e territórios de baixa densidade para ajudar a economia e combater o desemprego. São os mesmos que antes da pandemia preferem colocar fotos nas redes sociais de remotas praias azuis turquesa em vez de decrépitas aldeias transmontanas que sofrem há muito tempo com a desertificação, desemprego, falta de acessibilidades e o envelhecimento da população. E por falar em turismo, os empresários de hotelaria e restauração que reabriram os seus negócios  prometem agora receber bem o cliente português, longe daqueles tempos em que o tuga era aceite com um sorriso amarelo em detrimento do estrangeiro com carteira recheada, acolhido com um sorriso de orelha a orelha. Parafraseando Luís de Camões, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".   

Elefante numa loja de porcelanas

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A antiga eurodeputada socialista Ana Gomes parece um elefante numa loja de porcelanas, no entanto, escolhe selectivamente as louças e os cristais que quer partir, por isso, ninguém a quer manter na sua loja e muita gente já nem leva a sua demagogia a sério. Na sanha justiceira abusa do populismo e entra em contradição, tanto luta contra a corrupção e os criminosos como a seguir defende publicamente hackers que tentaram extorquir dinheiro a pessoas e instituições. Admite reflectir sobre a hipótese de se candidatar à Presidência da República, como se nós não soubéssemos que é candidata há meses graças a uma comunicação social que lhe dá palco contra um regime que tanto odeia, precisamente a mesma forma de governo que a alimentou durante anos, como diplomata no Ministério dos Negócios Estrangeiros, na União Europeia e mesmo em assessoria.                        

Vá-se lá saber porquê

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  Em pouco mais de 100 anos de epidemiologia, este vírus pulmonar em forma de uma coroa promete ser aquele que vai inspirar mais medo e causar danos irreparáveis. No entanto, há coisas que mudaram com esta pandemia, afinal sempre era possível baixar os preços dos combustíveis, impedir os trabalhadores dos hiper e supermercados de trabalhar ao Domingo, viver sem arruinar o ambiente e sobreviver sem o futebol. Conclui-se agora que o Serviço Nacional de Saúde é exemplar, os professores já são bons e até os movimentos antivacinas suplicam por estas. Apesar de não poder evitar uma guerra civil pelo papel higiénico do género "salve-se quem puder", o novo coronavírus tem operado milagres pois consegue unir diferentes partidos políticos, libertar reclusos, prender que quem quer sair de casa e até já há mais portugueses a fazer exercício físico nas ruas, vá-se lá saber porquê...

Pimenta nos outros é refresco

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    Fico estarrecido com algumas pessoas que querem que o Infarmed vá para o Porto a todo o custo. São os mesmos que vão a correr consultar o Código de Trabalho quando os patrões deslocalizam as suas empresas e o seu posto de trabalho, mas que, de forma sádica, não se importam que os funcionários do Infarmed, muitos deles com filhos em idade escolar, transfiram as suas vidas de Lisboa para o Porto. Confundem descentralização com deslocalização, atiçados por políticos oportunistas e por  paineleiros do jornalismo. Costuma dizer-se que a pimenta colocada num certo sítio dos outros é refresco para muita gente, pois se a deslocalização é sinónimo de "maior produtividade, eficiência e menor custo de trabalho", então dêem o exemplo, no vosso emprego coloquem-se disponíveis para se mudarem para outro lugar.

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço

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  Alguém diga ao treinador do FC Porto para terminar com "este clima de suspeição sobre os jogadores" que tanto o incomoda, tem que dar o exemplo. Num jogo com o Tondela, acusou a  agressividade dos beirões em comparação com a passividade frente ao Benfica. Pode-se também deslocar à Senhora da Hora, no canal do clube, e mandar calar o director de comunicação que lança desconfianças sobre todos os agentes do futebol, acabando por arruinar o próprio negócio. Por outro lado, é ridículo ver o presidente do Sporting sentado na Assembleia da República, na "casa da democracia", quando está farto de atacar a comunicação social, censurando jornais, televisões, rádios, discursando sobre "violência vs valores", quando é o próprio a instigar o ódio, lembrando um incendiário a dar aulas a um bombeiro. Estas personagens são como o ditado: olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.

Quem semeia ventos colhe tempestades

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Vi o presidente do FC Porto e outros moralistas de pacotilha apelidar um dirigente do Benfica de "imbecil ", e de " sacanagem ", só por este desejar que o clube nortenho "perca por muitos", em competições internacionais. Fui reler a constituição para saber se apoiar os rivais seria algum dever fundamental, não foi preciso, bastou interpretar a história para concluir que "quem semeia ventos colhe tempestades", e lembrei-me que tal figura desejava ver "Lisboa a arder", que passou por uma morgue de um hospital e viu lá "grande parte do Benfica". Já tentou dividir o país entre norte e o sul, congratulando-se com uma pesada derrota europeia do Benfica, em Vigo, com a derrota da própria selecção nacional frente à Grécia , no Euro 2004, que nada disse quando a  claque portista foi ao Aeroporto Sá Carneiro incentivar o adversário europeu do Benfica num jogo de acesso à Liga dos Campeões. Sem dúvida, um verdadeiro exemplo de hipocrisi...

Jogos de guerra

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  Se por um lado devemos condenar com veemência o assalto de tropas israelitas a navios que inviabilizaram ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza, não é menos verdade que também o Egipto há muito que bloqueava este território. No entanto, agora já aparece hipocritamente como o salvador da causa humanitária. E por falar em aproveitamentos políticos e serôdias lições de moral, não compreendo a indignação turca a este respeito nem o seu silêncio quando massacra constantemente a população curda e ocupa ilegalmente o norte da Ilha de Chipre. Não sei como é possível quererem fazer parte na União Europeia  e acho que alguém quer comprar uma guerra no Médio Oriente : o Irão - abastecendo belicamente o grupo terrorista Hamas e fazendo a Autoridade Palestiniana parecer obsoleta -,  a Síria - apoiando o Hezbollah no Líbano - oferecem-se agora para escoltar as frotas humanitárias dos activistas de pacotilha que tampouco sabem o significado da palavra paz e direitos humanos.