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Desespero no jornalismo

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  Foi notícia uma  jornalista ter invadido um Centro de Emprego, no Porto, ter provocado desacatos e ameaçado funcionários porque está desempregada há três anos e a passar dificuldades económicas. Ironicamente, foi a imprensa do grupo de media ao qual pertencia a jornalista que divulgou a notícia, com um histórico de três miseráveis despedimentos colectivos em 6 anos. Esta loucura e desespero não recupera o posto de trabalho, mas que pelo menos sirva para alertar a  precariedade e a desmotivação que se tornou a profissão de jornalista, desde o desemprego aos baixos salários, péssimas condições de trabalho, mão de obra barata ou estagiária, redacções amordaçadas por administradores incompetentes e pagos a peso de ouro.    

Um Natal amargo

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Vai ser um Natal amargo para muitos  jornalistas visto que continuam a chegar notícias de encerramento de diversos meios de comunicação social . Começam com "lay-off", passam a rescisões voluntárias e estranhamente acabam em despedimentos , sabendo nós que as empresas de media que dominam o pequeno mercado português alcançam relevantes lucros anuais. É indisfarçável a crise que afecta a imprensa escrita, devido à diminuição da publicidade, às plataformas da internet e das redes sociais, ao mau profissionalismo, aos administradores pagos a peso de ouro que, em nome da rentabilidade, esvaziaram a qualidade das redacções, do próprio jornalismo, injectando jovens estagiários e desmotivando os sobreviventes.  

Cada tiro, cada melro!

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                                                                         Foto: Henrique Monteiro Cavaco Silva criticou o " incómodo incompreensível daqueles que querem esconder as boas notícias que têm vindo a surgir em relação à economia portuguesa " e as  "intrigas  político-partidárias que não criam um único emprego." O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas continua a nivelar o terreno laranja para as legislativas deste ano, o problema é que as recentes noticias de que o desemprego tem vindo a aumentar, pelo quarto mês consecutivo, fazem-no cair no país real. Também a Ministra dos "cofres cheios", "do país que consegui dar a volta", falou cedo demais, aquela exortação para os jovens se  multiplicarem  perdeu a lógica visto que a taxa de desemprego jovem também aumentou em Fevereiro. Lá diz o ditado, cada tiro, cada melro!

Praga de despedimentos

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  Continua a praga de despedimentos colectivos de jornalistas em grupos de comunicação social. E se as administrações reconhecem que o processo é "doloroso", é por aí mesmo, por solidariedade, pelos topos da hierarquia, dos executivos, da gerência e das chefias, que poderia haver uma redução de custos nas empresas, diminuindo nestes salários e poupando nos quadros do pessoal. Para aqueles que privam com o Sr. Cunha, para os desfasados da realidade, para quem bate punho no peito dizendo que para manter o emprego basta ser "proactivo, dar o litro, superar-se e reinventar-se ", espero eu que nunca chegue o dia em que ao entrarem na redacção, vejam no seu lugar um estudante, um estagiário ou um colaborador.  

A motivação "yuppie"

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  Nestes tempos de falta de trabalho, onde as empresas dispensam empregados e as universidades despejam futuros candidatos ao desemprego, proliferam as agências motivadoras ligadas ao empreendedorismo e ao mundo empresarial. Não percebo a tamanha credibilidade e tempo de antena dada a esta espécie de psicólogos, mas sei que as suas palestras e formações são principescamente pagas. Os discursos pujantes mas carregados de lirismo estão desfasados da realidade, a relação entre o estilo de vida que têm e o mercado de trabalho fazem-me lembrar a loucura "yuppie" dos anos 80.