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Praticantes da verdade

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Nunca gostei de Bruno de Carvalho e das suas atitudes deploráveis como presidente do Sporting, mas não posso aceitar este linchamento público que começou a partir de uma denúncia devido ao suposto "comportamento ameaçador" do empresário para com outra concorrente de um programa televisivo e alastrou a uma sociedade hipócrita que consome este tipo de "entretenimento" fútil. Os praticantes da verdade ouvem o vizinho no andar de cima a espancar a mulher mas aumentam o volume do som da televisão, presenciam uns estalos de um namorado zangado na rua mas desviam o olhar ou descobrem a negligência e o abandono dos filhos sobre os mais velhos mas preferem o silêncio. Nem faltam os fingidos patrocinadores a cancelarem o apoio a este tipo de programas pois já não se lembram dos murros e pontapés de edições anteriores bem como tanta gente impostora que diz não tolerar qualquer acto de violência!

Triste fado

Como já não bastasse o número crescente de mulheres vergonhosamente agredidas pelo seu cônjuge, fisicamente e psicologicamente, surge agora também um estudo surpreendente e revelador de jovens entregues à mesma sorte. São os novos libertinos oriundos das gerações de 80 e 90 - energúmenos sem referências culturais e civilizacionais mas com o gosto pela ostentação, do exibicionismo de potentes bólides dos papás ao som de música estridente e na companhia dos famosos e colunáveis do burgo, tendo no bolso as últimas tecnologias de comunicação. Nas suas vidas desregradas  escondem a cobardia dos seus actos contra a mulher pois obedecem a todos os estratos sociais. Infelizmente, a flexibilidade da lei não ajuda nem tampouco a reacção da mulher violentada - não denuncia pois confunde a agressão como sendo uma prova de afecto por parte do homem que promete não voltar a repetir tal acto. Não seria urgente mudar a lei no sentido de proteger a mulher do número galopante de vítimas, ainda para mais...