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A derrota de um populista

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  O comportamento de Jair Bolsonaro no Domingo passado após os resultados eleitorais que traduziram a sua derrota, parecia um episódio da série de desenhos animados "Vitinho" que anunciava as horas das crianças irem para a cama. O derrotado foi dormir bem cedo, silencioso, e embora não se saiba se tomou uma caneca de leite morno acompanhado de bolachas antes de deitar, tenho a certeza que teve falta de chá, pois nem felicitou o vencedor. Mesmo assim, dormiu dois dias, uma sonolência excessiva provocada por uma doença chamada populismo que só o fez despertar com o país a arder. No fundo, os populistas acabam sempre por perder porque quando chegam ao poder cometem os mesmos pecados políticos daqueles contra os quais se batiam e são castigados por terem prometido estar ao "lado do povo", dos seus anseios, mas nunca cumpriram as promessas de mudanças.

O voto do desespero

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    O Brasil "bolçou" à direita, regurgitou uma ditadura militar que durou mais de 20 anos e elegeu um dos seus maiores simpatizantes. Alguém que se ausentou dos debates e não apresentou programa eleitoral. Apenas umas golfadas de intolerância, de preconceito, de um populista autoritário que quer voltar a trazer a pena de morte e a tortura, de alguém que ameaça fechar o Congresso mas só se lembra disso ao fim de 28 anos, depois de ter percorrido os seus corredores. O Messias evangélico chegou, não multiplica pães pela população mas quer distribuir armas, combatendo a violência com violência, uma pessoa que ameaça fuzilar os adversários políticos, que despreza as minorias e protege as maiorias. Convém reflectir como foi possível a quarta maior democracia do mundo chegar a este ponto, com tão fracos candidatos políticos, como permite ditadores de direita e odeia os de esquerda, como consegue suportar a dor de colocar sal numa ferida de ódio bem aberta? Talvez por desespero.