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Apagão moral

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Pensei que as memórias da pandemia Covid-19, nomeadamente as cenas de milhares de portugueses a açambarcar bens essenciais, jamais se repetisse. Bastaram algumas horas de um apagão eléctrico para esse egoísmo voltar em força. Já fomos um país de corajosos descobridores, agora só existem cidadãos medrosos que querem encontrar o caminho mais rápido para esvaziar a prateleira de um supermercado ou conquistar o combustível da bomba mais próxima. Foi também um apagão moral, o colapso da sociedade actual, o "salve-se quem puder" contrário ao bem comum, adivinhando-se tempos bastante escuros para o futuro.

O salto para a liberdade

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A medalha de ouro de Pedro Pichardo no triplo salto em Tóquio não significou apenas igualar os feitos de Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nélson Évora no pódio olímpico. Foi um salto para a liberdade ao fugir de um regime político cubano cada vez mais caquéctico e que o renegou. Lembrou-me aquele salto do soldado da RDA que se evadiu para a Alemanha Ocidental na década de 60 por entre a cerca de arame farpado que dividia o país. Naturalizar-se não é apenas adquirir direitos de cidadão nacional, saber o hino ou balbuciar algumas palavras em português, é sentir o país, ligar-se à comunidade, agradecer o acolhimento e construir uma relação recíproca, uma história bonita que tem tudo para dar certo.

O estado do país

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O Europeu de futebol serviu para deixar de reflectir sobre o estado do país, uma alienação colectiva de cervejas, tremoços e caracóis onde por instantes se despreza o constante aumento do nível de preços dos combustiveis que já não se verificava desde 2013. No intervalo do jogo, até dá para aprovar a lei de combate à desinformação que coloca o Estado a controlar "narrativas falsas ou enganadoras", uma espécie de censura à liberdade de expressão que lembra outros tempos. Numa altura em que subiu o número de pessoas em situação de pobreza por causa da pandemia e aumenta o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção, cresce o número de milionários em Portugal, sem esquecer que já somos dos países com a electricidade e gás mais caros da União Europeia em termos de poder de compra das famílias. Pouco resta dos corajosos portugueses que se aventuraram por mares nunca antes navegados, hoje são um povo medroso governado por "especialistas", pouco importado com ...

A corrida mais louca do Mundo (II)

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Por causa do novo coronavírus já começou a Corrida Mais Louca do Mundo numa Farmácia, Parafarmácia ou noutro qualquer estabelecimento perto de si. Os participantes procuram de forma desembestada máscaras cirúrgicas e gel desinfectante com o intuito de ver quem consegue açambarcar mais, passando por cima de quem precisa porque está debilitado ou infectado. Muitos destes sôfregos raramente lava as mãos antes de comer, depois de ir à casa de banho ou mexer em animais, nunca se preocupou com germes e bactérias mas está disposto a entrar nesta corrida virulenta. O vencedor será declarado o rei da higienização, receberá um troféu em sabão e terá direito a uma estada de 14 dias na cidade fantasma de Wuhan com visita incluída aos hospitais construídos em tempo recorde.

Rifados e bem esmifrados

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  Este é o Governo que tem vestido a pele de caça fantasmas perseguindo os fundadores dos partidos da sua coligação: primeiro foi Freitas do Amaral, agora é António Capucho. Este é o Governo que sobrecarrega os cidadãos com impostos e inventa sobretaxas, que corta nos salários da Administração Pública e nas pensões de velhice e sobrevivência aumentando a pobreza, mas num acto de altruísmo hipócrita sorteia carros aos contribuintes numa lotaria de um bazar foleiro. Este é o Governo que o povo merece, pois mesmo rifado e bem esmifrado rejubila em vestir a pele de um agente fiscal infectado com a febre do NIF na factura.

Mimado e injustiçado

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Parece que o melhor jogador de futebol português da actualidade anda triste. Meu caro Cristiano Ronaldo, por acaso foi despedido, engrossando o milhão de desempregados em Portugal, ou tem alguém na família que pertença aos milhares de professores que ficaram sem colocação escolar? E falando em escolas, vai despender muitas dezenas de euros nos manuais e restante material? E os incêndios, afectaram muito as suas faustosas propriedades? Já sabia da sua boca que possuía a troika perfeita, " bonito, rico e um grande futebolista ", mas agora diz-me, acha mesmo assim que é muito injustiçado perante o que o rodeia, tendo uma cambada de pedantes que o idolatram?

Pingos de sofreguidão

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  Enquanto que em países de outras latitudes as pessoas correm para os supermercados para garantir bens de primeira necessidade, no caso de ficarem barricadas em casa devido às frequentes intempéries, em Portugal corre-se para os supermercados à menor suspeita de descontos mirabolantes. A gula, saciada à estalada, pois é urgente açambarcar e atolar a casa com qualquer coisa dando razão ao ditado: "não há fome que não dê em fartura". O requinte de malvadez em escolher o 1º de Maio para oferecer um prato de lentilhas, para dividir a população e os funcionários, abusando das suas fraquezas. Pingos de sofreguidão, de egoísmo, de um povo estranho que pena o ano inteiro mas que de repente desenrasca 100 euros. Por este andar, preparem-se, ainda havemos de os ver a devorarem prateleiras de supermercados em noite de consoada!

Sexo, mentiras e vídeo

    A notícia de que alegadamente um casal sem abrigo praticou sexo na Rua Santa Catarina, no Porto, e a consequente publicação do vídeo na internet, acabou por ser uma não notícia, ao melhor estilo do que "eu quero é 5 minutos de fama" ou "a rua é minha". Não são só os marginais e os desafortunados a darem mau ambiente à Baixa - também os vendedores ambulantes ilegais, pródigos em fugas à Polícia Municipal, os técnicos de marketing agressivo e os parasitas da sociedade travestidos de justiceiros. O espectáculo miserável proporcionado por estes últimos é o reflexo da falência de valores morais que espezinha os diminuidos mas que se acobarda quando o governo lhes mexe no bolso aumentando os impostos.

Orgulho em ser português

Numa época de descrença, de desânimo, há que acreditar na capacidade de superação dos portugueses.   Atente-se no exemplo de personagens empreendedoras como Horta Osório, membro do conselho de administração do Banco de Inglaterra, Durão Barroso, a caminho do segundo mandato de presidente da Comissão Europeia, José Saramago, o primeiro escritor de língua portuguesa a ser galardoado com o Nobel da Literatura, e Siza Vieira, arquitecto de grande prestígio internacional.   Não é possível também esquecer todos os anónimos que lutam diariamente para ultrapassar os tormentos da vida: os desfavorecidos, os desempregados, o pequeno tecido empresarial, os estudantes, as mães solteiras e os reformados de baixas pensões. Como no passado, rasgando mares revoltosos e vencendo cabos que atemorizavam, levantemos o nosso orgulho português contra a adversidade e com a audácia que sempre nos distinguirá.