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A mostrar mensagens de janeiro, 2010

O senhor entretenimento

  Júlio Isidro não é somente um mero apresentador de televisão. Deu cartas na rádio – autor de programas arrebatadores como a “Febre de Sábado de Manhã” – realizador, guionista e produtor. A vida de Júlio confunde-se com a da RTP, pulverizando audiências com programas como o “Passeio dos Alegres”, onde, injustamente, nunca teve um vínculo laboral. Tinha a ideia romântica de que um programa faz-se com qualidade, perfeccionismo, nunca com o pensamento obsessivo em audiências, numa época em que   a reunião de toda a família em volta da televisão era sagrada. Aos 65 anos e com 50 anos de carreira, dedica-se ainda à literatura infantil - um fascínio que nunca escondeu – e à sua outra grande paixão que se chama aeromodelismo. Espero que o homem que   melhor entretenimento faz em   Portugal, como deveria ser reconhecido, continue a ter a veleidade de fazer sonhar as gerações vindouras como fez com a minha.    

Patético desespero

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  Como é que alguém condenado pela justiça desportiva   - por um órgão jurisdicional que exerce o poder público delegado pelo Estado – continua a ignorar esse castigo, debitando ofensas contra outros clubes, confundindo responsabilidade desportiva com a civil? Não obteve absolvição desportiva e viu mesmo o seu clube do qual é presidente ser castigado, mesmo assim, com a presunção que lhe é conhecida, vem arvorar-se em paladino da honestidade por terem sido arquivados todos os processos criminais exigindo uma investigação que ele designa por “apito encarnado”.  Tal satisfação só é comparável ao facto de as escutas telefónicas terem sido declaradas inválidas em processos disciplinares desportivos...  O nervosismo do senhor Pinto da Costa é evidente: fechando-se a torneira dos milhões da Liga dos Campeões, a gestão do seu clube ficará seriamente ameaçada. Aliás, era interessante explicar aos seus consórcios o motivo do FC Porto apresentar resultados financeiros nada favor...

Feios, porcos e maus

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    Aquilo que parecia ser uma homenagem a José Pedroto, 25 anos após a sua morte, pelo presidente do FC Porto, transformou-se num discurso incendiário com sinais de sobrenatural, desrespeitando a presença de amigos e familiares do antigo treinador em prol do odioso inimigo vermelho. Temo, porém, que o discurso perante tão estimado auditório serviu para expurgar pecados passados em que ambos foram unha com carne: a insubordinação perante Américo de Sá, no famoso "verão quente", os ataques insultuosos a Mário Wilson, a vergonhosa intimidação da Selecção Nacional, na estação de Campanhã, utilizada como arma de arremesso numa ridícula guerrilha Norte-Sul. A constante diabolização de "Lisboa a arder" valeu a união e o apoio mútuo entre sportinguistas e benfiquistas, na temporada de 79/80, onde venceram campeonato e taça, impensável nos dias de hoje. Porque movimentos descentralizadores, regionalistas, apesar de terem razão de existirem numa perspectiva de desenvolviment...

Desterro eclesiástico

  http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Conego-da-Se-do-Funchal-deslocado-apos-denuncia-de-pobreza-na-Madeira.rtp&headline=20&visual=9&article=307358&tm=8   Ao fim de dezoito anos de dedicação pastoral, a diocese do Funchal transferiu o cónego Manuel Martins para outra paróquia da Madeira, alegadamente a pedido do próprio. Aparentemente, tratava-se de uma situação normal, no entanto, é bom recordar o passado do padre - crítico com o aumento da pobreza na ilha e, consequentemente, com o governo regional.  De um simples pregador de valores cristãos, tornou-se numa voz incómoda e denunciadora de injustiças sociais. No fundo, é este amor ao próximo que o cristianismo não deveria menosprezar e, muito menos, imiscuir-se com governos déspotas, que fazem lembrar os tempos de concordatas político-religiosas entre o Estado Novo e a Igreja onde o cinismo ditava leis.