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A nova lei do arrendamento

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  Enquanto estávamos distraídos com o pranto das Ronaldetes, a proposta do Governo para aprovar a nova lei do arrendamento avançava. Os senhorios podem exigir um maior número de rendas antecipadas (até três) e cauções de valor livre, recusar a renovação automática de um contrato de prazo certo sem ter de aguardar obrigatoriamente pelos três anos mínimos exigidos até aqui e mexer nos contratos de arrendamento habitacional mais antigos. Ou seja, a crise da habitação vai piorar: há um risco de aumento abrupto dos preços e menor segurança para as famílias com a rapidez dos processos de despejo. Mesmo assim, com o acordo entre o PSD e o Chega perto de ser aprovado em definitivo na Assembleia da República, continuámos a discutir o que não é importante para as nossas vidas, a defender de forma parola birrentos que ganham milhões com o contributo de um dos principais grupos de comunicação social em Portugal.

Guerra de egos

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  A situação da saída de Ronaldo da Seleção Nacional é comparável à história de uma empresa onde havia um funcionário que, pela sua produtividade, fechava os maiores contratos e carregava a equipa às costas. O seu estatuto permitia-lhe até desafiar os sucessivos líderes com a complacência do patrão, principalmente quando estes queriam rodar a equipa. Com o passar dos anos, o seu rendimento profissional caiu e os privilégios foram reduzidos, ao mesmo tempo que foi contratado para a chefia um líder carismático, com um ego tão grande como o do funcionário. Nasceu, então, uma guerra de egos: quem estava habituado a ter tratamento especial e um apreço exagerado por si mesmo perdeu peso na empresa e entrou em conflito, fazendo birras por não admitir que a idade avança e que a concorrência interna aumenta.

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

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O provérbio de Goethe, "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és", adequa-se perfeitamente a Ronaldo. Depois de ter elogiado Donald Trump, "porque ele é um dos tipos que pode fazer com que coisas aconteçam", foi recebido na Casa Branca, tendo jantado ao lado do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, o responsável pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, dentro do consulado saudita, em Istambul, conforme um relatório dos serviços secretos americanos. O repasto serviu para homenagear o fidalgo de um regime onde as mulheres são tratadas "abaixo de cão", não podendo ir ao médico sem a presença de um "guardião", em que o consentimento masculino é necessário para abrir uma conta bancária, onde as mães que se divorciam dos seus maridos não podem obter a guarda dos filhos, no lugar em que existe polícia religiosa e que, até há pouco tempo, as mulheres não podiam conduzir, tudo isto branqueado pelos milhões do futebol saudita que os parolos...

Estrela decadente

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Agradecemos tudo o que Ronaldo fez pelo nosso país mas era hora de assumir que actualmente é uma estrela decadente que desorienta a Selecção e embacia os mais novos. Fernando Santos também já perdeu o norte porque ao contrário do treinador do Manchester United que colocou o jogador no seu devido lugar depois daqueles episódios rocambolescos no clube inglês, não teve a coragem de o sentar no banco. Jogar futebol é como conduzir, quando a capacidade de reacção está cada vez mais lenta talvez seja altura de parar e não renovar mais a carta.

Pimbalhada à moda da Madeira

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Séculos depois da cristianização regressa uma doutrina homónima na Madeira e que rapidamente alastra ao continente. A suposto da "promoção turística" da ilha, como se a Madeira não fosse reconhecida desde há muitos anos como destino de excelência, surgem inúmeros fiéis convertidos à "ronaldomania" que não admitem o quão ridículo é rebaptizar o  Aeroporto da Madeira com o nome do futebolista. Compreendo que em ano de eleições autárquicas isso traga alguns votos, mas será que dentro da magnífica história do país não haveria um nome mais indicado do que esta "pimbalhada" política e populista?  

O anónimo português

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É de louvar que o custo da estátua de Ronaldo , no Funchal, não tenha saído dos cofres do Governo Regional da Madeira, do próprio erário público, para satisfazer certos fetiches ligados à vaidade. No entanto, há muito bom anónimo português que merecia descerrar a sua própria escultura, não aquele fútil pataco em bronze mas algo que demonstre a resistência tuga, o seu carácter e qualidades não visíveis em tempos de austeridade. Uma figura universal que represente os pais, reformados, com pensões delapidadas que passaram a ajudar os filhos e os netos, os casais desempregados que sustentam uma casa com filhos, as mães solteiras ou divorciadas e as várias instituições de solidariedade social que têm amparado este povo desalentado.

Patriotas de ocasião

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  Bastou o presidente da FIFA, Joseph Blatter, ter emitido uma opinião pessoal em tom jocoso sobre Ronaldo, para logo haver um terramoto em Portugal . Tive medo que se iniciasse uma revolução ibérica, tumultos nas ruas e uma desordem generalizada de quem não aprecia uma boa piada. Engraçado que estes ofendidos da bola e patriotas de ocasião nada dizem quando somos governados por forças externas e pelos desmandos da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI. Nada fazem perante a austeridade, o desemprego, a miséria galopante e a asfixia em forma de terríveis impostos. Era bom que protestassem sobre isso, talvez assim o país fosse um lugar melhor para viver.