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Comunicado oficial dos jornalistas despedidos do Janeiro

    1 Mais de um mês volvido sobre o despedimento ilegal de 32 jornalistas de O Primeiro de Janeiro e mais alguns funcionários, a Administração do jornal ainda não pagou os salários em atraso aos trabalhadores, designadamente o remanescente do mês de Junho e o mês de Julho completo, conforme havia sido prometido por duas pessoas que actuaram como porta-vozes da administração.     2 Durante o dia de hoje, foi feita mais uma tentativa de diálogo com a Administração. Um grupo de jornalistas – acompanhado por funcionários despedidos de outros sectores de O Primeiro de Janeiro – deslocou-se às instalações da empresa, na Rua de Santa Catarina, mas a resposta que obteve foi de novo um adiamento do prazo para o pagamento das remunerações em falta. Refira-se que no dia em que foi anunciada a suspensão de O Primeiro de Janeiro, a então directora do jornal, Nassalete Miranda, garantiu aos jornalistas em plena redacção, e em nome da Administração, o pagamento das verbas em atraso.   3 A...

Desmoronamento da montanha

O cerco ao proprietário do jornal " O Primeiro de Janeiro " está a apertar-se. além da contestação aos polémicos despedimentos no matutino portuense, do cancelamento do estatuto de pessoa colectiva de utilidade pública e da perda de credencial de cooperativa do grupo Folha Cultural , Eduardo Costa enfrenta, agora, acções inspectivas do fisco às suas empresas e a título individual. A Direcção de Finanças de Aveiro confirmou oficialmente à VISÃO ter efectuado, entre Abril e Maio últimos, uma inspecção às instalações do grupo empresarial, em Oliveira de Azeméis. Naquele período, foram recolhidos dados contabilísticos em suporte digital relativos aos anos de 2004, 2005 e 2006. Os relatórios estão concluídos e as Finanças já comunicaram a Eduardo Costa as diversas irregularidades e dívidas em causa, cujo montante, contudo, não foi possível apurar. Mas, na sequência dessa acção inspectiva, as Finanças abriram, igualmente, uma investigação fiscal ao próprio empresário oliveirense, ...

Pesadelo interminável

Os trabalhadores de "O Primeiro de Janeiro", despedidos no passado dia 30 de Julho, continuam sem receber os salários em atraso e o subsídio de férias prometido pela então directora, Nassalete Miranda, antes da dissolução daquele órgão. Em causa estão parte dos salários do mês de Junho, o mês de Julho e o subsídio de férias, o que significa que alguns jornalistas dos quadros, com salários mais elevados, estão há três meses com apenas um ordenado mínimo. Em comunicado enviado às redacções, os jornalistas "despedidos ilegalmente", como assinam o documento, explicam que "o último depósito feito pela administração do [jornal] centenário nas contas bancárias dos 34 jornalistas e dos três funcionários administrativos foi feito no dia 24 de Julho, quando passava já quase um mês sobre a data prevista. No mesmo comunicado pode-se ler que, pelo menos três colaboradores do jornal, que não tinham contrato de trabalho e foram despedidos por essa altura, continuam sem recebe...

Crónica de Armando Baptista-Bastos sobre o "Janeiro"

É uma fotografia dramática, publicada no "Diário de Notícias": um grupo de jornalistas, à porta de "O Primeiro de Janeiro" - aguarda. Aguarda, quê? Que o seu destino seja resolvido. A porta está fechada: uma metáfora do que acontece. A ERC declara algo de embrulhado em santas intenções; o ministro Santos Silva faz o que tem por hábito fazer: diz coisas. Os jornalistas aguardam. Estou ali com eles. A minha débil e rouca voz protesta os protestos dos meus camaradas. Separam-nos muitos anos de idade. Une-nos a força de uma antiga solidariedade, que em si mesma se respeitava como a certeza das grandes esperanças. Eu próprio, várias vezes no desemprego por motivos políticos, obtive a generosa solidariedade de camaradas que pensavam diametralmente oposto ao que eu pensava. Camaradas, assim mesmo. O poder impetuoso de uma palavra que conferia o timbre próprio de uma particular aristocracia. Tenho muito orgulho em pertencer-lhes. Sinto uma crispada emoção ao saber que me pe...

O "Janeiro" visto pelo Director do Jornal de Negócios

"O Primeiro de Janeiro fechou na sexta-feira, despediu toda a redacção, reabriu terça-feira com uma "nova" redacção, de jornalistas que já fazem outro jornal, o Norte Desportivo . Ainda não se percebeu bem o que aconteceu, mas o que parece é que este "golpe de Estado" que exonera uma redacção inteira é um abuso flagrante da lei do despedimento colectivo. Se isto é legal, peço desculpa por todas as vezes que escrevi que a lei laboral portuguesa é rígida."   Pedro Santos Guerreiro  

Dissertação de José Pacheco Pereira sobre o "Janeiro"

"O Primeiro de Janeiro foi o meu primeiro jornal, como era normal para a classe média portuense que o lia, assim como o Comércio do Porto , e que considerava o Jornal de Notícias demasiado sensacionalista. Era o Janeiro e o Notícias , como se pedia nas bancas, sendo que do Notícias se dizia que se se dobrasse "escorria sangue" dadas as notícias de acidentes e crimes que lhe enchiam as páginas. O Comércio era muito popular a Norte, no Minho, no Douro, pela rede muito fina que tinha de correspondentes locais, cujas notícias são muitas vezes a única maneira de esboçar uma história local para pequenas vilas e aldeias. O Janeiro , pelo contrário era uma instituição respeitável, muito parecido com a cidade do Porto, no seu trajecto de jornal liberal, burguês, moderadamente oposicionista, ligado aos interesses industriais do Norte e ao comércio portuense que servia a cidade e o seu hinterland duriense. Era também (aqui com o Comércio , cuja página literária  rivalizava com a...

Vergonha no Jornal "O Primeiro de Janeiro" - parte II

Ilídia Pinto, representante do SJ presente na manifestação desta manhã frente à redacção, aconselhou os trabalhadores de O Primeiro de Janeiro a continuar a comparecer no local de trabalho até que recebam as cartas de despedimento. Paulo Almeida, jornalista do O Primeiro de Janeiro e porta-voz da redacção, demitida na passada quinta-feira, considerou que o processo em causa "começou bastante torto". Frisou que os "jornalistas não foram tratados como se impunha já que muitos trabalhavam no jornal há mais de uma década e foram tornados descartáveis". "Os despedimentos têm leis a serem cumpridas e não o foram. Por isso não assinámos a rescisão dos contratos porque não nos davam garantias", acrescentou. O jornalista admitiu que a equipa que fazia o matutino está "bastante desanimada" e apelou aos colegas, que entretanto passaram a redigir o jornal, que "reflectam sobre esta situação". O novo O Primeiro de Janeiro está a ser redigido pelos j...

Gestores de "merdia"

Depois de extinção do Jornal " O Comércio do Porto " é agora a vez do centenário " O Primeiro de Janeiro", referência na imprensa diária portuguesa. Apesar da crise asfixiante que se vive no sector, não pode ser branqueado o mau papel de directores e administradores. Estes últimos, são verdadeiras fraudes empresariais que enganam os jornalistas e restantes trabalhadores, e  transformaram-se em sorvedouros de dinheiros comunitários. Sub-repticiamente dispensam a Redacção, mudam as fechaduras das portas, ignoram os salários em atraso e fogem dos impostos. São os  gestores da nova vaga, ávidos de lucro, abrem e fecham empresas como quem muda de camisa. Os seus bens estão no nome de outros. Até quando durará a impunidade destes "xicos espertos"?