Vergonha no Jornal "O Primeiro de Janeiro" - parte II


Ilídia Pinto, representante do SJ presente na manifestação desta manhã frente à redacção, aconselhou os trabalhadores de O Primeiro de Janeiro a continuar a comparecer no local de trabalho até que recebam as cartas de despedimento.


Paulo Almeida, jornalista do O Primeiro de Janeiro e porta-voz da redacção, demitida na passada quinta-feira, considerou que o processo em causa "começou bastante torto".


Frisou que os "jornalistas não foram tratados como se impunha já que muitos trabalhavam no jornal há mais de uma década e foram tornados descartáveis".


"Os despedimentos têm leis a serem cumpridas e não o foram. Por isso não assinámos a rescisão dos contratos porque não nos davam garantias", acrescentou.


O jornalista admitiu que a equipa que fazia o matutino está "bastante desanimada" e apelou aos colegas, que entretanto passaram a redigir o jornal, que "reflectam sobre esta situação".


O novo O Primeiro de Janeiro está a ser redigido pelos jornalistas de O Norte Desportivo, caderno desportivo que integrava o centenário jornal portuense.


Rui Alas, o novo director do Janeiro e antigo director do Norte Desportivo, esclareceu que apenas soube que iria ser responsável pelo novo projecto no passado sábado e que a equipa tomou domingo conhecimento disso.


"Esta redacção é constituída por 10 jornalistas com carteira profissional mais colaboradores e opionistas", revelou.


Alas sustentou que aqueles trabalhadores "perceberam perfeitamente que não estavam a roubar nada a ninguém" por se tratar de "um novo projecto".


"Esta equipa não tem nada a ver com isso (despedimento da redacção do Janeiro) e quer apenas trabalhar", frisou.


O novo O Primeiro de Janeiro está "adaptado aos tempos modernos e utiliza os recursos da empresa como o Notícias da Manhã de Lisboa e do Diário XXI da Beira Interior".


Notícias da Manhã e Diário XXI da Beira Interior são dois títulos da mesma empresa, Fólio, que, tal como o novo Janeiro, estão nas bancas de segunda a sexta-feira.


Quanto à explicação para o despedimento colectivo da antiga redacção, Rui Alas avança que "se calhar a administração não conseguiu suportar a situação porque era um barco demasiado grande".


A antiga redacção de O Primeiro de Janeiro contava com 32 jornalistas divididos por várias secções.


Os jornalistas aguardavam, na manhã de hoje, a chegada da Inspecção-Geral do Trabalho, o que não se verificou.


Entretanto, alguns dos trabalhadores despedidos foram já recebendo as respectivas cartas de despedimento.


Desde sexta-feira que os 32 jornalistas de O Primeiro de Janeiro, despedidos colectivamente, têm comparecido no local de trabalho.


A anterior directora do jornal, Nassalete Miranda, anunciou quinta-feira que O Primeiro de Janeiro cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo".


No dia seguinte, sexta-feira, os trabalhadores do jornal receberam as cartas da administração que extinguiram os seus postos de trabalho por reestruturação da empresa detentora do título.


 


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