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A mostrar mensagens de março, 2011

O descanso do Leão

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                                                                                            Foto de Miguel A. Lopes   A voz que atravessou gerações, o homem dos sete ofícios, o verdadeiro desportista, competente, da paixão pelo arrebatador Sporting dos "cinco violinos". A suprema ironia: o comunicador nato incomunicável numa cela de Caxias, preso pelos revolucionários que cuspiram nos ideais de Abril a troco da imposição da sua democracia. Fazendo jus ao nome, o Artur, corajoso e autoconfiante, começou uma nova vida aos 50 anos no país irmão, porque o nosso, maldizente, fechou-lhe as portas. Voltaste, rejuvenescido e aclamado até chegar o descanso , nobre Leão, com a certeza e a consciência de que nunca te arrependeste de nada na tua exemplar vida.    

Despojos do futebol

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    A recente cobarde agressão ao vice-presidente do Benfica , na cidade do Porto, e o novo apedrejamento da comitiva encarnada perto de Paços de Ferreira , vem demonstrar aquilo que já se sabia: o futebol é uma espécie de rede de arrasto do que de pior existe nas sociedades, um abjecto refugo. Já Hermínio Loureiro tinha apontado a dedo quem lhe "ameaçou fazer a vida negra" - os pirómanos do futebol disfarçados de anjos regionalistas . As frustrações descarregadas em jornalistas (Rui Santos, Carlos Pinhão, Marinho Neves, João Pedro Silva), em dirigentes políticos (Rui Rio, Ricardo Bexiga), em treinadores (Co Adriaanse), em atletas (Adriano, Paulo Assunção) e dirigentes desportivos (João Santos e Dias Ferreira), que consubstanciam crimes que ficarão impunes. As labaredas do ódio incendeiam camionetas, os líderes das claques são elevados à condição de escritores-insurrectos , ao mesmo tempo que escoltam o presidente do clube à porta dos Tribunais . Até quando?

Em força, para a Líbia

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  Se no caso egípcio, algumas pessoas acharam por bem que a comunidade internacional não interviesse no país afim de evitar serem acusados de ingerência nos assuntos internos de outros países, no caso da Líbia, a NATO devia mostrar a tiranetes da craveira de Khadafi, Chavez e Ahmadinejad , que o massacre da sua própria população devido a delírios ditatoriais, é a gota de água que faz transbordar o copo da paciência e dos valores ocidentais. Porque não é com discursos de "flower power" que se evitam atentados como o de Lockerbie, que se muda de um socialismo árabe miserável e opressor para uma democracia igualitária. A razão deve opor-se a alianças geoestratégicas e políticas, agora que as forças governamentais parecem reconquistar terreno aos rebeldes e o ajuste de contas do caduco regime líbio tresanda a sangue, superando a tragédia humanitária já em curso.  

Orgulho e preconceito

  Enquanto no Aeroporto de Lisboa chegavam vitoriosos os atletas Francis Obikwelu e Naide Gomes provenientes dos Europeus de Pista Coberta em Paris, carregados de ouro e prata, sendo aclamados não só pelos sportinguistas, clube que representam, mas também por adeptos de outras cores que sentem o orgulho português, mais a norte, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, um presidente de um clube de futebol que se preparava para embarcar para Moscovo , reduz a sua equipa à dimensão regional através do cinismo que constantemente debita e acicatado pelos paus mandados de serviço.  Não é preciso ler nas estrelas, não é preciso decorar uns versos de José Régio, não é preciso apelar à justiça divina, não é preciso contratar os melhores advogados suiços e limpar a imagem para se saber que estamos perante um complexo de inferioridade retratado por Alfred Adler.  

Túnel da vergonha

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        Dá-me náuseas quando oiço o presidente do FC Porto falar do túnel do Estádio da Luz quando este senhor foi conotado no passado com o que de pior existiu no futebol português: o túnel das Antas - quando se começava a ganhar jogos antes de eles começarem, à mistura com valentes estaladas a árbitros e a presença de tratantes de pistola na mão. Hoje, felizmente, já não é preciso sair de um estádio dissimulado numa ambulância, pois as câmeras televisivas desmistificam quem pretende regar o balneário adversário com creolina ou simplesmente respeitar o rival jogando à bola, à frente de toda a gente e à luz do dia.     N. B. - Esta estória não é ficção. Aconteceu em Abril de 1991; para que as novas gerações saibam ao que se chega para ganhar um jogo de futebol, ao que se ensina nas Universidades , ao ódio desportivo que se vai fomentando através da blogosfera , de quem, com ar angelical, vai beijar hipocritamente a mão ao Papa, ao Vaticano ,  e de quem tem memória curta .