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Covid zero

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Julgo que a morte de dez pessoas na China num incêndio dentro de um edifício trancado por causa das medidas de confinamento deve desarmar o mais empedernido dos "covideiros". Se calhar, já era hora de responsabilizar quem cometeu tanta barbaridade em nome da "protecção da saúde pública" e quem admirava ou tentou copiar esta política de "covid-zero". No fundo, foi a passividade do mundo ocidental que aceitou este totalitarismo sanitário, aprisionar e isolar famílias durante meses sem acesso a alimentos e medicação, barricar casas, prédios e bairros inteiros. Estes confinamentos radicais também se verificaram noutros continentes e quem sabe se, no futuro, veremos os residentes portugueses enclausurados e aflitos baterem com panelas e frigideiras nas janelas visto  que o Governo recentemente propôs uma revisão constitucional que preveja casos obrigatórios de isolamento profilático e quarentena.

O tigre de papel

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                                                                The Christian Science Monitor   A China é de facto um grande país, com uma economia de peso, mas o seu regime político transforma a nação num pequeno tigre de papel que não convive bem com a democracia. Com a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo isso ainda foi mais evidente: a censura rançosa do moderno social-comunismo nos meios audiovisuais, na internet e a tentativa de intimidar os países que marcassem a sua presença em Oslo.  O cúmulo do despeito aconteceu com a criação apressada do Prémio Confúcio da Paz que acabou por ser um contra-senso pois a doutrina filosófica do confucionismo baseia-se na consciência política e no respeito pelos valores morais e sociais. Nem a compra de parte da dívida pública portuguesa pela China poderá jamais branquear o desterro do Dalai Lama, o massacre de Tiananmen e as constantes violações dos direitos humanos de personagens como Liu Xiaobo.

Lembrar Tiananmen

Quando passam 20 anos sobre o massacre de Tiananmen, a China ainda não se libertou dos grilhões maoístas. Pior do que isso, silencia todo e qualquer movimento que vise celebrar a Primavera de 1989, ao ponto de, gerações nascidas após essa data, não saberem o que realmente aconteceu em Pequim. Travestidos de socialistas modernos, o Governo controla minuciosamente a população através do Partido,   aliando-se a políticas repressivas que vão desde campos de trabalho forçados a execuções públicas. Não existe liberdade de expressão nem liberdade sindical   e os meios de comunicação social estão subjugados.   Por mais operações de cosmética que protagonizem, onde os Jogos Olímpicos de 2008 foram o expoente máximo, jamais se libertarão do totalitarismo nacionalista instigador do medo que nem todos os países têm coragem de denunciar mas que um dia a História tratar-se-á de reparar.