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O Bailinho da Madeira

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Só mesmo num país como este é possível arder mais de 5000 hectares no arquipélago da Madeira, aproximando-se do valor total de área ardida no continente, no mesmo período, enquanto o presidente do Governo Regional, no intervalo de um mojito, mergulhava nas águas cálidas de Porto Santo, após passear nos areais dourados e macios ao mesmo tempo em que o fogo ameaçava povoações. Simultaneamente, no Machico, o executivo madeirense não se opôs à realização da queima dos "Fachos", uma tradição que implica tochas, fogo preso  e uso de material pirotécnico, numa total falta de respeito e solidariedade para com os bombeiros que combatiam o incêndio no outro lado da ilha, pois afinal o que interessa é continuar a dançar o folclórico Bailinho da Madeira.

Pimbalhada à moda da Madeira

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Séculos depois da cristianização regressa uma doutrina homónima na Madeira e que rapidamente alastra ao continente. A suposto da "promoção turística" da ilha, como se a Madeira não fosse reconhecida desde há muitos anos como destino de excelência, surgem inúmeros fiéis convertidos à "ronaldomania" que não admitem o quão ridículo é rebaptizar o  Aeroporto da Madeira com o nome do futebolista. Compreendo que em ano de eleições autárquicas isso traga alguns votos, mas será que dentro da magnífica história do país não haveria um nome mais indicado do que esta "pimbalhada" política e populista?  

O fim do jardinismo

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Com a vitória de  Miguel Albuquerque na liderança do PSD/Madeira e a consequente demissão de Alberto João Jardim, o governo regional cai, o parlamento é dissolvido e o jardinismo é expurgado da ilha. Foram quase 40 anos que esta espécie de Pinto da Costa político governou a Madeira, e se não lhe são conhecidos gostos pela fruta, pela banana da ilha, os métodos são idênticos: a prepotência, o desrespeito pela comunicação social "bastarda" e pelos "cubanos continentais" que estão em Lisboa. O rei das inaugurações de heliportos, de estádios, de piscinas, de obras de utilidade questionável deixa um ar de desenvolvimento mas também um bailinho regional de muitos milhões de euros de dívida.  

Desterro eclesiástico

  http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Conego-da-Se-do-Funchal-deslocado-apos-denuncia-de-pobreza-na-Madeira.rtp&headline=20&visual=9&article=307358&tm=8   Ao fim de dezoito anos de dedicação pastoral, a diocese do Funchal transferiu o cónego Manuel Martins para outra paróquia da Madeira, alegadamente a pedido do próprio. Aparentemente, tratava-se de uma situação normal, no entanto, é bom recordar o passado do padre - crítico com o aumento da pobreza na ilha e, consequentemente, com o governo regional.  De um simples pregador de valores cristãos, tornou-se numa voz incómoda e denunciadora de injustiças sociais. No fundo, é este amor ao próximo que o cristianismo não deveria menosprezar e, muito menos, imiscuir-se com governos déspotas, que fazem lembrar os tempos de concordatas político-religiosas entre o Estado Novo e a Igreja onde o cinismo ditava leis.