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Despovoamento e desertificação

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Existem estudos que prevêem que, em 2040, mais de 80% da população portuguesa estará concentrada no litoral. Um despovoamento do interior verdadeiramente assustador  agravado pelo encerramento de serviços públicos e que nem os incentivos fiscais de fixação da população e de empresas vieram resolver. Estas assimetrias são intoleráveis, mas mais insultuoso é assistir à guerrilha entre Lisboa e o Porto sobre quem tem direito a melhores aeroportos, transportes públicos, eventos desportivos, oferta cultural e fundos comunitários. Para estes centralistas e regionalistas de ocasião, esta gente egoísta que só olha para o seu umbigo, umas férias forçadas no interior envelhecido sem acesso aos quatro canais de televisão em sinal aberto, era meio caminho andado para repensarem o conceito de desertificação.  

Regionalismo de conveniência

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  Bastou o ministro do Planeamento e das Infra-Estruturas dizer que o custo das portagens das antigas Scut no interior do país vai descer até ao Verão, para logo virem os  autarcas dos municípios do litoral reclamarem igualdade no pagamento. É a típica inveja portuguesa, ridícula e mesquinha,  personificada por políticos e pessoas que só olham para os seus umbigos, muitos deles dizendo-se regionalistas, apenas quando lhes convém. Mas querem realmente comparar-se com quem vive no interior, com isolamento e dificuldades de acesso, com despovoamento,  com uma crise agrícola, com uma população envelhecida e o encerramento de serviços públicos essenciais? 

Intifada regionalista

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O presidente da Câmara Municipal do Porto decidiu fazer uma espécie de intifada regionalista , tudo porque a TAP  decidiu suprimir alguns voos do Aeroporto Francisco Sá Carneiro.  Rui Moreira, um independente apoiado pelo CDS e por uma facção do PSD, deve direccionar a sua fúria para o anterior governo que privatizou a companhia aérea deixando-a à mercê de gestores empresariais que encerram rotas por motivos economicistas, à semelhança do que aconteceu em Lisboa. Trazer esta guerrilha para o campo político é desbragado, querer passar-se pela "voz do norte" é ridículo porque ninguém lhe deu foral para falar por 35% população do país, denunciar a ligação entre Vigo e Lisboa é fazer com que o importante mercado espanhol não ponha mais os pés na região Norte. 

Asfalto de esperanças

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  É fácil criticar o anterior governo de José Sócrates com pequenas depurações de ódio mas vazias de conteúdo. Pois aqui elogio a política de acessibilidades para a Região Transmontana e do Alto Douro desse governo com a construção do IC5 , que pode libertar do marasmo localidades como Alijó, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro e Miranda do Douro, a que se junta, após décadas de espera, a quase totalidade da conclusão do IP2 , potenciando o manancial turístico de Vila Nova de Foz Côa. Quando se encerram linhas de caminho de ferro, escolas, tribunais, centros de saúde e anunciam-se falsas promessas de desenvolvimento, quem sabe se este novo tapete de alcatrão seja uma luz no fundo do túnel da interioridade e da desertificação.

Metros de dívida

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  Ao que tudo indica, parece que o Estado português vai pagar à banca dívida de milhões de euros pertencentes à empresa Metro do Porto . Como estamos em época de férias estivais, compreeendo o silêncio dos regionalistas de pacotilha, sempre prontos a levantarem o dedo acusador contra o "centralismo e os gastos de Lisboa". Destes, não é raro encontrar quem misture o futebol, ridicularizando-se a si próprios ao compararem a região onde desagua o Douro com a pujança da Catalunha . Deixem de ser simplórios , o país é pequeno demais para as guerras de protagonismo, e, no final, quem vai tapar o buraco financeiro destas empresas públicas é o contribuinte português através do erário, seja ele do norte ou do sul.

Barulho desnecessário

Afinal, parece que a montanha do desagrado pariu um festival, ou seja, perante a indignação dos pseudo-notáveis do norte do País em relação à transferência do "Red Bull Air Race" para Lisboa, tudo leva a crer que a competição deverá alternar entre a capital e o Porto . Não sei agora o que dirão os caciques regionalistas, sempre prontos a abrirem umas inúteis guerrilhas que dividem o norte e o sul. Parece-me óbvio que esse é o desfecho mais justo, embora não o suficiente para calar as lamúrias complexadas do costume onde até o futebol serve de arma de arremesso. Dá impressão que o País é só Porto e Lisboa, ostracizando o interior, este sim, merecedor de uma profunda regeneração a todos os níveis deixando o desterro a que está votado.