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Guerra de egos

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  A situação da saída de Ronaldo da Seleção Nacional é comparável à história de uma empresa onde havia um funcionário que, pela sua produtividade, fechava os maiores contratos e carregava a equipa às costas. O seu estatuto permitia-lhe até desafiar os sucessivos líderes com a complacência do patrão, principalmente quando estes queriam rodar a equipa. Com o passar dos anos, o seu rendimento profissional caiu e os privilégios foram reduzidos, ao mesmo tempo que foi contratado para a chefia um líder carismático, com um ego tão grande como o do funcionário. Nasceu, então, uma guerra de egos: quem estava habituado a ter tratamento especial e um apreço exagerado por si mesmo perdeu peso na empresa e entrou em conflito, fazendo birras por não admitir que a idade avança e que a concorrência interna aumenta.

Milhões a rodos

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O provérbio "o que é demais, é moléstia", serve perfeitamente para retratar a alienação geral que se tornou esta vitória da Selecção Nacional de futebol. Mas já que estamos numa onda de amor à pátria, só quando nos convém, claro, reparei que parece jorrar milhões de euros por todo o lado, desde o impacto que esta vitória trouxe à economia passando pelo encaixe da Federação Portuguesa de Futebol, dos seus patrocinadores, dos prémios dados aos atletas, até às mais que prováveis transferências que vão gerar lucros aos agentes de futebol. Aproximando-se uma possível  multa aplicada ao país pela Comissão Europeia por incumprimento da meta do défice entre 2013 e 2015, proponho uma vaquinha entre estes heróis do pontapé na bola, para que não sejam os mesmos que andam constantemente de bolsos vazios, de cachecol e bandeira na janela, a pagar as contas públicas.

Imperdoável

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  Carlos Queiroz continua a vencer os sonsos que o quiseram afastar da Selecção Nacional com pretensos processos disciplinares e castigos. Porque não está em causa as opções técnicas do treinador mas a forma como o despacharam do cargo: primeiro, com a rábula de ter perturbado um acção da Autoridade Antidopagem, depois, a culpa já era de uma entrevista onde Queiroz criticava o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol apontando "o polvo". Eu sei que o Governo a que pertence Laurentino Dias caiu, que Gilberto Madail não foi reeleito para o Comité Executivo da UEFA , que a adequação dos estatutos da F.P.F. ao novo Regime Jurídico das Federações já leva 2 anos para ser aprovado, que se instrumentaliza um jogador naturalizado  e que mal sabe cantar o hino nacional para atacar quem ergueu bem alto o nome do futebol português, mas por favor, vão preparando a choruda indemnização.   

Uma verdade dolorosa

As palavras do seleccionador brasileiro de futebol, Dunga, chamando à sua congénere portuguesa de "Brasil B", irritou os mais pudicos, até aqueles que, ironicamente, regaram com champanhe os desaires de Portugal contra a Grécia no Euro 2004 - os que Scolari mandou bugiar. Mas porventura Dunga disse alguma mentira? Não foi a Federação Portuguesa de Futebol que transformou a Selecção num protectorado brasileiro que mal sabe cantar o hino nacional, ou estará mais preocupada em agradar aos patrocinadores que lhe enchem os cofres de milhões em detrimento da identidade desportiva do seu próprio país? O estatuto de utilidade pública desportiva que goza deveria ser suficiente para se pôr a jeito de não ouvir estes sarcasmos, limpando a imagem do futebol nacional, afectada por "apitos", deixando de lado a subserviência a certos clubes e a reverência a certos homens do futebol de índole duvidosa.

Falência de identidade desportiva

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    A naturalização de mais um jogador de futebol estrangeiro pela nossa Selecção Nacional é mais um rude golpe na identidade desportiva do nosso país, e acima de tudo, um retrocesso no modelo dos escalões de formação. Não se percebe esta incoerência, ainda para mais dado o currículo do seleccionador nacional, o impulsionador da chamada jovem “geração de ouro” de Riade e Lisboa. O processo de naturalização foi tão rápido e conveniente que fez corar de vergonha os trabalhadores imigrantes do nosso país. Critica-se em surdina esta naturalização e outras do passado,   dentro da incompetente FPF e entre colegas da mesma profissão enquanto o público demite-se de apoiar esta Selecção com sotaque pois ainda sabe o significado da palavra ética.  

Futebol em decadência

O empate da Albânia contra Portugal, desafio a contar para o apuramento do Mundial futebol 2010, vem comprovar a decadência em que se tornou este desporto neste País - fundamentalmente a nível de dirigismo desportivo - ultimamente badalado por escândalos de corrupção e tráfico de influências. Ver o presidente da FPF levantar-se antes do final do jogo, em Braga, observar a incompetência e o conluio de entidades que regem o desporto, o fanatismo de alguns adeptos, a vaidade dos atletas, e a parcialidade de jornalistas avençados, levam-me a achar que temos aquilo que merecemos. Mas qualquer dia o futebol português será apanhado na enxurrada da crise económico-financeira que abala o Mundo e aí cairá a máscara de muita gente.