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O preço das escolhas

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    Como diria o poeta Pablo Neruda, nós somos livres para fazer as nossas escolhas mas somos prisioneiros das consequências. Por isso, graças aos seus sócios e adeptos, o Sporting está a receber os juros da herança de Bruno de Carvalho e de Direcções que preferem olhar com desdém para a casa do vizinho da Segunda Circular em vez de resolverem os seus problemas. Com divisões mas também com alianças nunca assumidas feitas a norte,  o presidente monocórdico pago a peso de ouro que tomou conta dos destinos do clube desde o ano passado não consegue atenuar a maior crise financeira de sempre  nem é capaz de gerir o impasse na transferência de Bruno Fernandes, provocando mal estar no balneário e o declínio da própria SAD.

Sem vergonha

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  Ultimamente, o ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, desdobra-se em entrevistas e acções de propaganda que visam o seu novo livro,  uma tentativa de remover as nódoas da sua gestão. Fazendo o tradicional papel de vítima, um incompreendido e eterno injustiçado, faz lembrar aquele soldado desalinhado que julga estar a marchar bem num pelotão, ao contrário de todos os outros que estão em sintonia. Escrito sem filtro mas com muita sem vergonha pois lembro-me dos cinco anos em que se incompatibilizou com toda a gente e juntamente com o seu "compagnon de route", ex-director de comunicação do clube, acicatou ódios, abriu guerras contra fundos de investimento, atacou publicamente jogadores e treinadores, expulsou sócios do clube, boicotou ógãos de comunicação social portugueses, acabando por ser investigado num alegado esquema de viciação de resultados (Cashball) e preso por ser suspeito de ser o mandante do ataque à Academia. 

Os homens do presidente

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  Agora que Bruno de Carvalho caiu em desgraça, convém lembrar quem foram os "homens do presidente", aqueles que se fingem surpreendidos com a sua detenção mas no passado o colocaram num pedestal e agora o rebaixam. Aqueles sócios que lhe deram a vitória esmagadora, em Março de 2017, para o seu segundo mandato, e os outros que o legitimaram, naquela surreal Assembleia Geral de Fevereiro último, depois do ex-presidente ter instado os sportinguistas a não lerem jornais desportivos e a não verem canais de televisão portuguesa. Lembremo-nos também daquelas figuras travestidas de advogados de defesa, ex-treinadores que passaram a directores do futebol, ex-jogadores do clube que passaram a comentadores televisivos, jornalistas que venderam  a alma ao Diabo e passaram a directores de comunicação, juristas, médicos cirurgiões e, imagine-se, profissionais da comunicação social que nestes últimos cinco anos foram uns autênticos "homens do presidente".

A lapa

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  A lapa é um molusco que adere de tal forma à rocha que nem a acção do mar a faz desgrudar. No futebol português, existe uma espécie parecida, um presidente de um clube que se fixa ao poder como de uma concha se tratasse. Não se alimenta de algas mas de polémicas e está rodeado de outros caramujos resistentes à ondulação. Os biólogos portugueses chegaram à conclusão que a adesão ao substrato rochoso destes invertebrados não é feito através de secreções químicas mas de remunerações bastante lucrativas, vulgo ordenado, que nem a desincrustação à força resolve!   

Perdoa-me

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Veio a público a notícia de que o Millenium BCP e o Novo Banco terão perdoado quase 100 milhões de euros ao Sporting através dos "valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis" (VMOC). É de lamentar que bancos como o BCP, que receberam ajudas do Estado, e  instituições como o Novo Banco, sustentado por capitais públicos, continuem a brincar às gestões ruinosas. É vergonhoso assistir à nacionalização e recapitalizações de bancos falidos debitando nas contas dos contribuintes portugueses, é assustador pensar que se algum cidadão falhar o pagamento da prestação da casa, esses mesmos bancos que libertam dívidas de clubes de futebol, accionam a hipoteca, executam e penhoram o imóvel, com prioridade face a todos os outros credores. É imoral continuar a assistir à diminuição do poder de compra dos trabalhadores bancários, a despedimentos colectivos, ao fecho de balcões, à degradação das condições de trabalho, enquanto basta dizer "perdoa-me" para de imediato se extingu...

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço

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  Alguém diga ao treinador do FC Porto para terminar com "este clima de suspeição sobre os jogadores" que tanto o incomoda, tem que dar o exemplo. Num jogo com o Tondela, acusou a  agressividade dos beirões em comparação com a passividade frente ao Benfica. Pode-se também deslocar à Senhora da Hora, no canal do clube, e mandar calar o director de comunicação que lança desconfianças sobre todos os agentes do futebol, acabando por arruinar o próprio negócio. Por outro lado, é ridículo ver o presidente do Sporting sentado na Assembleia da República, na "casa da democracia", quando está farto de atacar a comunicação social, censurando jornais, televisões, rádios, discursando sobre "violência vs valores", quando é o próprio a instigar o ódio, lembrando um incendiário a dar aulas a um bombeiro. Estas personagens são como o ditado: olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.

João Rocha

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    O futebol português precisa de um Sporting forte, mas fundamentalmente de homens da craveira de João Rocha . Memórias de um homem que consegui unir os irmãos desavindos da Segunda Circular , que não se submetia a nenhum clube ou alianças duvidosas , que vencia sem arrogância mas com cavalheirismo. Responsável pelo sucesso do ecletismo das modalidades, prestigiou o nome do país e deu ao mundo lendas como Carlos Lopes e Fernando Mamede.

A crise do Sporting

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A crise do Sporting passa por políticas desportivas desastrosas: a venda e a dispensa de jogadores feitos na Academia que acabam por reforçar os seus rivais mais directos. Estranho clube este que empurra os defensores leoninos como Paulo Bento e Dias da Cunha borda fora, que faz incompreensíveis alianças e inspirações a norte para dizimar o leal rival da Segunda Circular. Diferentes? Só se for na dependência bancária que mantém o clube preso por arames, pois continuam em transe balbuciando que "o Sporting é muito grande".

Dizem-se diferentes

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      Não, não era uma "jaula" como pejorativamente alguns agitadores ressabiados  gostam de referir. Era uma caixa de segurança constituída por redes e fibra de vidro, presente em vários estádios na Europa. O problema é que a caixa não é à prova de derrota para os visitantes, e entre gente chique de sapatos de vela que se diz " diferente " - talvez por agredir bombeiros -, e uma claque, refira-se, legalizada, basta um pequeno rastilho para acender a fogueira do antibenfiquismo primário e das frustrações acumuladas há vários anos. 

A crise anunciada

        A crise do Sporting CP não é somente devido às más políticas desportivas mas também devido ao resultado dos dividendos do plano Roquette, denunciado por João Rocha - uma aliança com o amigo FC Porto visando apear o Benfica dos títulos nacionais. Aliás, se reflectirmos bem, o alvo da fúria leonina é sempre o vizinho da 2ª Circular, comprovado pelos discursos miserabilistas do seu presidente, a caminho de ser o mais incompetente da história do Sporting. Um certo aburguesamento dos seus responsáveis e a mania de pensarem que são diferentes, levam o clube a ser relegado para 3º grande de Portugal. O Sporting deve continuar a apostar nos seus escalões jovens de formação, na profissionalização da sua estrutura futebolística - inovando, de forma a arranjar novas fontes de receitas e blindando o clube afim de evitar guerrilhas internas, possibilitando a união de todos os sportinguistas em prol dos objectivos traçados.