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Retorno a Entre os Rios

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Vinte anos depois da tragédia e duas novas pontes que se seguiram, regressei a Entre-os-Rios e vi que nada mudou. Uma variante rodoviária que leva a lado nenhum prova que as prometidas acessibilidades nunca apareceram. Castelo de Paiva, a menos de 50 quilómetros do Porto, é o exemplo do isolamento votado pelos detentores de cargos políticos que passaram impunemente entre os pingos da chuva daquela fatídica noite. Não foi só a coluna que servia de suporte à Ponte Hintze Ribeiro que ruiu, foi também o colapso da justiça, um dos pilares do estado de direito, que não conseguiu encontrar culpados entre aqueles que retiraram areia do rio nem no meio dos responsáveis pela conservação duma estrutura que suplicava por obras.    

O rio do esquecimento

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                                  Do meu outro blogue     Raiva, olho o Douro, desejando que este fosse o Lethes, o rio do esquecimento. Dez anos e duas pontes depois, pouco mudou: um estranho isolamento, tão perto do Porto e tão longe de tudo. Castelo de Paiva permanece submergido pelo rio, como de um concelho do interior se tratasse. Inertes, assistimos à queda da ponte, ao ruir de um dos pilares da democracia - a política -, erodida através da culpa que foi imposta às cheias do rio. A ferida dolorosa nunca cicatrizará, resta saber se as prometidas acessibilidades também demorarão semelhante tempo.