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Guerra de egos

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  A situação da saída de Ronaldo da Seleção Nacional é comparável à história de uma empresa onde havia um funcionário que, pela sua produtividade, fechava os maiores contratos e carregava a equipa às costas. O seu estatuto permitia-lhe até desafiar os sucessivos líderes com a complacência do patrão, principalmente quando estes queriam rodar a equipa. Com o passar dos anos, o seu rendimento profissional caiu e os privilégios foram reduzidos, ao mesmo tempo que foi contratado para a chefia um líder carismático, com um ego tão grande como o do funcionário. Nasceu, então, uma guerra de egos: quem estava habituado a ter tratamento especial e um apreço exagerado por si mesmo perdeu peso na empresa e entrou em conflito, fazendo birras por não admitir que a idade avança e que a concorrência interna aumenta.

Proposta indecente

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Devido ao seu ego desmedido, Jorge Jesus transformou-se num produto tóxico dentro do Benfica contaminando a direcção e principalmente os jogadores da equipa. Ele de facto arrasou, o balneário e a paciência dos adeptos usando a pandemia como desculpa para uma época anterior tão medíocre.  Por fim, ele queria carinho, só assim se entende o episódio rocambolesco de receber os dirigentes do Flamengo em sua casa para ouvir as condições que o clube carioca tinha para oferecer, uma espécie de proposta indecente retirada de um filme e que signifique o fim dos seus problemas.

O sósia

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  No início de época, o Benfica foi buscar o sósia de Jorge Jesus ao Brasil, só assim se explica que alguém muito parecido consiga, ao fim da primeira volta do campeonato, ter colocado o clube no quarto lugar e a 11 pontos da liderança, algo que não acontecia há 20 anos. Os apóstolos são fracos, os milagres acabaram, o aparente messias já não berra com os vendilhões do clube, não cura os enfermos do plantel e nem mesmo com a ausência temporária de Jesus o Deus pai salva esta equipa. Apesar de ter expiado alguns pecados da nação benfiquista o futuro é negro, sendo hora desta cópia ascender a outros céus que não passam pela Luz pois há muito tempo que se perdeu a fé em algum título.

O regresso do Messias

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No futebol, como em qualquer outra profissão, jamais devia aceitar-se o regresso de alguém que cuspiu no prato onde comeu. Com a vinda do Messias Jorge Jesus e a consequente explosão de sentimentos contraditórios, os benfiquistas devem abrir uma excepção e pedir aconselhamento psicológico no programa televisivo do Dr. Phil. Este treinador competente, além de ter carisma e pensar o futebol 24 horas, representa o que é ser português, a nostalgia, o sebastianismo, a vaidade, a teimosia e o facto de só ser reconhecido quando presta serviços relevantes no estrangeiro porque segundo os entendidos na matéria "aqui só ganhava com as arbitragens". Não sei se o Benfica vai voltar a vencer, sei que vai regressar a nota artística à Luz seja nas quatro linhas ou na playstation, o pontapé na gramática, os episódios divertidos, as vitórias "limpinhas" que vão fazer muita gente engolir "píners" com casca! 

Jesus Superstar

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Ninguém mais do que Jorge Jesus pensa o futebol 24 horas por dia, por isso merece ter ganho estes dois últimos títulos no Brasil. Começou como o Messias do futebol mas agora transformou-se em Superstar, numa versão profana e musical com samba e funk carioca. Pontapeia a gramática e a matemática, por vezes é rude e irascível mas operou milagres ao ressuscitar clubes moribundos, ao multiplicar títulos e curar futebolistas dados como inválidos. Calou os descrentes que diziam que só ganhava em Portugal e com a ajuda das arbitragens, silenciou o Comentador Desportivo Anteriormente Conhecido Como Presidente do Sporting e os vinténs desta vida que lhe invejam o sucesso. 

Um erro histórico

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Cada vez me convenço mais que a fuga de Jorge Jesus para Alvalade foi dos maiores erros históricos jamais tomados por uma Direcção do Benfica. Não que o "cérebro" não mereça o epíteto de Judas, pois vendeu-se à oferta mais alta do vizinho da Segunda Circular, não que não seja insubstituível, deselegante, mas o seu carisma e conhecimento do futebol é superior, em Portugal. Lembrou-se agora o Benfica de apostar na formação, talvez seja este o caminho para um clube sustentável, mas apostou tardiamente e de forma repentina, ao mesmo tempo que desinvestiu no plantel da equipa baixando a qualidade, sustentado por um treinador sofrível que deixou que os seus jogadores fossem afectados pelo clima de guerrilha verbal criado pelo presidente chefe de claque do Sporting.

A Guerra dos Egos

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A gala do 109º aniversário do Sporting serviu apenas para disfarçar a caça às bruxas, o clima de "paz podre" que se vive no clube. Começou com um treinador de futebol quase despedido a meio da época e acabou na contratação de um "messias", com o primeiro ainda em funções. Pelo meio de tanta abundância de dinheiro, a tentativa de processar sócios que escreveram na internet críticas ao desempenho do presidente, culminando na expulsão do associado Godinho Lopes. Um populista que apelida Manuel Fernandes do "pior funcionário da história do Sporting ", que diz que "o futebol português é um ânus ", que cria guerras com fundos de investimento, com jogadores, técnicos, funcionários, comunicação social e fomenta  o desrespeito pelos rivais. Já reservei o meu lugar na primeira fila, vai estrear o filme "A Guerra dos Egos", no cinema de Alvalade, tendo como intérpretes principais um novo treinador e um presidente-chefe de claque 

Traição

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  A crença encarnada sabia que ele era o Messias, mas foram enganados , Jesus encarnou em Judas, e apesar de ter evitado ser seduzido pelo Diabo, desta vez deixou-se tentar por 6 milhões de moedas de prata. Os seus sermões e milagres levantaram multidões que o seguiam para todos os estádios, apesar de saberem que ele era verde por dentro, do tal "clube diferente", da "maior potência desportiva nacional" que de vez em quando gosta de surripiar o vizinho . O pai Vieira não merecia tal traição por dinheiro, ele que sempre lhe deu a mão  e o ressuscitou quando muitos já o tinham crucificado. Apesar disso tenho a certeza de que a religião benfiquista continuará bem viva e os novos discípulos encontrarão a Luz.

Pontapés na gramática moral

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  Já vi Jorge Jesus irascível, gozando com os treinadores adversários ao mostrar-lhes os dedos de uma mão, dançando, e até o vi resgatar um adepto das garras da polícia, em Guimarães, mas nunca o vi meter um dedo no olho do treinador adversário , nunca o vi partir para o insulto pessoal dizendo que o seu colega de profissão tinha um neurónio nem nunca o vi romper camisolas de jogadores contrários. De modo que o recente ataque de José Mourinho a Jesus - que decidiu  interpretar mal as palavras do técnico do Benfica  -,  é baixo, desprezível, de alguém que dá calinadas em inglês e acusa outro de pontapear a gramática portuguesa, de alguém que apesar de ser bom naquilo que faz, é egocêntrico, incompatibiliza-se com colegas de profissão, futebolistas, directores, jornalistas e vive rodeado de uma legião de pedantes e bajuladores.

Jesus, o pecador

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  É rude, por vezes arrogante e cheio de bazófia, mas é um dos melhores treinadores portugueses de sempre. E se em Inglaterra teve uma atitude menos feliz com o técnico adversário espetando-lhe três dedos, Jesus, o pecador, alegra estes dias de incerteza de um país falido através das suas atitudes desbragadas. Por este Jesus ninguém sente compaixão, ninguém admite que classe também é fazer rir toda a gente, porque o Jorge nasceu na Amadora, não em Setúbal, nem tampouco tem o apelido de "Mourinho" em que tudo lhe é permitido e concedido.

Escribas e fariseus

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  E ao fim da quinta jornada, Jesus ressuscitou para defender os injustiçados e os seguidores da sua religião , mesmo aqueles que o crucificaram no passado. O uso da força física para libertar alguém que considera o encarnado como manto sagrado fez-me lembrar o episódio dos vendilhões do templo. Agora, como antigamente, os escribas e fariseus hipócritas vão julgá-lo por exacerbar a sua fé somente porque Jesus  não é "o especial", porque nasceu na Amadora e não em Setúbal.

O sofrimento de Jesus

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    Tive pena, confesso, de ver Jesus subir a Via Dolorosa em direcção à tribuna do Jamor. Cuspido e insultado pela turba furiosa, desapontada, traído pelo apóstolo Cardozo e imaginando o seu lugar ser preterido em favor de um Barrabás qualquer, foi crucificado. Não sei se a sua ressurreição e o consequente regresso das vitórias será uma realidade, mas o Jorge nunca poderia proclamar-se o messias da religião encarnada sendo sportinguista, nem tampouco devia simpatizar com o Diabo depois de este o tentar mudar de clube por várias vezes.

Crucificação de Jesus

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  A história repetiu-se: Jesus foi entregue pelos judeus e crucificado na Terra Santa. Desta vez, o pai não o ressuscitará, mesmo após o filho ter resistido às tentações do Diabo que tentou mudar-lhe a cor da fé de vermelho para azul. O Jorge já não é mais o mesmo, cultiva amizades estranhas, equivoca-se e contagia a equipa, não gestícula nem espeta dedos na testa do adversário. Os crentes não esquecem a recente glória passada nem tampouco lhe perdoam a insolência de ter dito que tinha a certeza que seria bicampeão, mesmo depois de uma época mal planeada e de ter recrutado apóstolos de fraca qualidade. Só falta saber quem será o último a espetar o prego na cruz do cristo...